A Polícia Civil prendeu na quarta-feira, 8, três suspeitos de integrar ou atuar em parceria com a chamada Gangue do Minotauro, tida como a principal quadrilha de roubo a casas em São Paulo. Dois deles seriam responsáveis pelo fornecimento de armas e pela receptação de joias, enquanto o outro atuaria como "olheiro" durante as ações.
- Foram cumpridos dois mandados de prisão: um contra Lucas Camargo Ferreira, investigado por dar suporte ao grupo a partir de uma moto durante os roubos, e outro contra Gabriel Santos Leonardo, que seria responsável por fornecer armas para a gangue;
- Tidos como integrantes da gangue, eles foram presos, respectivamente, em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo, e em Paraisópolis, na zona sul da capital;
- Além dos dois, a polícia prendeu em flagrante por porte de armas Rafael Santos Leonardo, irmão de Gabriel. Localizado também em Paraisópolis, ele seria um dos revendedores dos objetos roubados, incluindo de joias. As defesas dos três, que têm entre 21 e 26 anos, ainda não foram localizadas.
O homem apontado como o líder da gangue, Diego Fernandes de Souza, o Minotauro, de 41 anos, foi preso em setembro do ano passado pela Polícia Civil - ele é suspeito de participar de ao menos 30 roubos a residências em bairros nobres, como Cidade Jardim e Morumbi, na zona sul.
Na época da prisão, o então secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, chegou a se referir a ele nas redes sociais como "o maior ladrão de casas de São Paulo". A avaliação era compartilhada por outras autoridades policiais. A defesa de Souza também não foi encontrada.
A Gangue do Minotauro é investigada por roubos milionários. Como mostrou o Estadão, somente em uma das ocorrências pela qual o grupo é investigado - um roubo na Rua General José Scarcela Portela, no Morumbi - foram levados 13 relógios de luxo, sete deles da marca Rolex. Os bandidos também roubaram joias e US$ 5 mil (quase R$ 30 mil) em espécie.
Na operação de quarta-feira, foram apreendidos dois veículos, R$ 1,2 mil em espécie, 14 relógios de pulso, quatro celulares, além de bolsas, anéis, colares e pares de tênis, segundo a Polícia Civil. Os objetos ainda vão passar por averiguação mais minuciosa.
Além disso, foi localizada uma pistola com numeração suprimida, com carregador e sete cartuchos íntegros, em um carro ligado aos investigados, de acordo com o Deic. A operação ocorreu pouco mais de um mês após a prisão, em fevereiro, de outros três suspeitos de integrar a gangue. Eles foram localizados também em Paraisópolis.
Minotauro começou no mundo do crime como 'abridor de portas'
Antes de liderar a gangue, Minotauro começou como "especialista em arrombamento de portas" em furtos menores - seu primeiro indiciamento foi em 2007, conforme a polícia. "A função dele era só abrir a porta para outras quadrilhas furtarem", afirmou Sandrin, em entrevista no ano passado.
Mais de uma década depois, migrou para os roubos com a ideia de expandir o lucro obtido com as incursões. Formou uma quadrilha especializada em assaltar casarões, e a "carreira no crime" deslanchou. Policiais do Deic investigam Minotauro pelo menos desde 2019.
Com foco em casas de alto padrão, a gangue ficou conhecida por invadir casas durante a madrugada sem chamar muita atenção. Logo depois, alguns dos criminosos, sempre fortemente armados, rendiam as vítimas ainda dormindo. Depois de reunir objetos de valor, eles fugiam rapidamente. Os casos incluem roubos com prejuízo de mais de R$ 1 milhão, como mostrou o Estadão.