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Cidades de SP vão manter uso obrigatório de máscara

Municípios decidem não seguir liberação do governo, que permitirá flexibilização da proteção facial a partir do próximo dia 11

26 nov 2021 19h09
| atualizado às 20h10
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Ao menos 13 cidades paulistas já definiram que o uso da máscara continuará obrigatório em locais abertos após o dia 11 de dezembro, mesmo com a liberação pelo governo estadual. O número pode aumentar, pois muitas prefeituras ainda analisam se mantêm a obrigatoriedade do protetor facial, uma das principais medidas preventivas contra a covid-19. Conforme o governo estadual, as prefeituras têm autonomia para avaliar a situação local da pandemia e obrigar o uso da máscara por mais tempo. Para o infectologista Carlos Magno Fortaleza, está havendo "pressa" em abolir a proteção.     

Na região do Grande ABC, as cidades informaram que o uso da máscara continuará obrigatório pelo menos até o fim do ano. Em Mauá, o uso de máscaras em ambientes abertos e fechados seguirá obrigatório pelo menos até o fim de 2021, segundo a prefeitura. "O município tem avançado na imunização, tendo aplicado 659.696 vacinas até a quarta-feira, 24, mas a obrigatoriedade do equipamento de proteção ainda se faz necessária", disse, em nota. As prefeituras de Santo André, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra se comprometeram junto ao Consórcio Intermunicipal do Grande ABC de continuar exigindo o protetor facial mesmo após o dia 11.

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Doria durante entrevista à Reuters, em São Paulo 20/4/ 2021 REUTERS/Amanda Perobelli
Foto: Reuters

Em Mogi das Cruzes, a obrigatoriedade vai continuar até 15 de janeiro. "É hora de sermos responsáveis. Por isso o uso da máscara continua obrigatório em Mogi, em todos os locais, até 15/01. Não podemos relaxar na época mais movimentada do ano. Após esse período, a situação será reavaliada. O cuidado continua", postou em sua rede social o prefeito Caio Cunha (Podemos). A prefeitura de Suzano, na Grande São Paulo, informou que vai manter as máscaras por entender que ainda é uma medida fundamental para ajudar a reduzir a disseminação da covid-19. A medida será definida por legislação local.

Pelo interior

Cidades do interior e do litoral também pretendem esperar mais para liberar as máscaras. Em algumas localidades, um grande número de moradores ainda não está totalmente imunizado. A prefeitura de Ribeirão Preto manterá o uso obrigatório da máscara pelo menos até 31 de dezembro. No início de janeiro, serão avaliados os indicadores como o avanço da vacinação, números de casos ativos e de internações. Outras prefeituras, como a de Sertãozinho, Barretos e Bebedouro também continuarão exigindo as máscaras, sem previsão de alterar a regra atual que obriga o uso.

A prefeitura de Franca informou que até o dia 11 será divulgada uma decisão, mas a tendência é de manter a máscara. Na quinta-feira, 25, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) apresentou dados da Secretaria de Saúde dando conta de que mais de 28 mil pessoas não compareceram aos postos de vacinação nas datas agendadas. Outras 10 mil pessoas aptas a receber a dose extra ainda não foram imunizadas. "Milhares de vacinas que já deveriam estar no braço de muitos francanos, infelizmente, não estão. Estamos vencendo batalha por batalha, mas a guerra não acabou", disse, em live.

Em Nova Odessa, embora a prefeitura deva seguir o protocolo estadual, o secretário de Saúde, Sílvio Corsini, avaliou ser prematuro desobrigar o uso da máscara. "Orientamos a população para que, sempre que possível, utilize a máscara, mesmo não sendo obrigatório, assim como mantenha outras ações, como assepsia constante das mãos e evitar aglomeração. A situação está um pouco mais controlada, mas o risco ainda existe", disse.

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Na Baixada Santista, enquanto Santos e Guarujá vão seguir o governo estadual, a prefeitura de São Vicente manterá o uso das máscaras. "No momento, com as festas de final de ano e novas ondas de covid-19 na Europa, nos preocupa muito essa decisão de suspender a obrigatoriedade. A gente não pretende fazer neste final de ano nenhum tipo de liberação. Queremos que as pessoas possam ter uma convivência segura no Natal e no Ano Novo e pedimos a consciência de todos para que usem máscara", disse. Segundo ele, 40 mil pessoas não voltaram aos postos para tomar a segunda dose ou a dose de reforço e completar a imunização.

Entre as prefeituras que ainda analisam a situação está a de Campinas, maior cidade do interior, com 1,2 milhão de habitantes. A Secretaria de Saúde informou que as novas medidas de enfrentamento à pandemia serão anunciadas na próxima semana. "As regras, como uso de máscara, Réveillon e Carnaval, serão definidas após a conclusão de análise epidemiológica dos números da covid-19 na cidade e dos novos decretos estaduais", disse, em nota.

Já a prefeitura de São Bernardo do Campo, quarta cidade mais populosa, informou que especialistas do Comitê de Combate ao Coronavírus ainda avaliam a medida anunciada pelo governo, com base nos indicadores da doença na cidade.

Risco de novas variantes

O infectologista Carlos Magno Fortaleza, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), considerou "meritório" que as cidades mantenham o uso de máscaras por mais tempo. "Estamos em risco constante de novas variantes vindas de fora. Creio que a pressa em tirar as máscaras traz um simbolismo de 'fim da pandemia'- o governo que retirou a obrigatoriedade passa a ideia de que controlou antes a pandemia", disse. Segundo ele, parece haver uma "corrida" de governadores, cada um querendo estar à frente da liberação. "Mas, ainda que eu seja otimista quanto à covid-19 no Brasil, devido à nossa alta adesão à vacinação, considero um risco a suspensão do uso de máscaras, frente à situação da Europa e à nova variante descoberta na África do Sul", disse.

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O secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Marco Vinholi, disse que o governo toma as medidas com base em dados epidemiológicos do estado, mas as prefeituras têm autonomia para definir medidas mais rígidas do que os protocolos estaduais, levando em conta a situação de cada município. "O que não pode é tirar a obrigatoriedade da máscara antes de uma decisão estadual. Mas a restrição maior, mantendo a obrigação por mais tempo, se a prefeitura achar necessária, isso pode", afirmou.

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