Ataque em Berlim acirra embates sobre política migratória na Alemanha

26 jul 2026 - 18h55

Após atentado contra Parada do Orgulho LGBTQ+, políticos cobram medidas mais duras contra terrorismo e imigração. Em homenagem às vítimas, participantes pedem que tragédia não alimente o ódio.Oataque à Parada do Orgulho LGBTQ+ de Berlim neste sábado (25/07) acirrou o debate político na Alemanha sobre segurança e levou partidos a defender medidas mais duras nas áreas de imigração, terrorismo e combate ao extremismo.

Centenas de pessoas participaram de uma vigília diante do Portão de Brandemburgo em homenagem às vítimas do ataque à Parada do Orgulho LGBTQ+ de Berlim.
Centenas de pessoas participaram de uma vigília diante do Portão de Brandemburgo em homenagem às vítimas do ataque à Parada do Orgulho LGBTQ+ de Berlim.
Foto: DW / Deutsche Welle

O principal suspeito foi identificado pelas autoridades como Abdul B., de 21 anos, cidadão alemão filho de imigrantes libaneses. Segundo o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, ele havia sido investigado anteriormente por suspeita de envolvimento com atividades extremistas e por tentar se juntar ao grupo "Estado Islâmico". O caso foi tratado como um "ataque terrorista islâmico" pelo governo alemão.

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O jovem participava de um programa de desradicalização e foi morto neste domingo durante um confronto com policiais em Spandau, no oeste da capital alemã. De acordo com a polícia e a Promotoria de Berlim, ele avançou contra os agentes com uma arma branca durante a abordagem. Os policiais abriram fogo e equipes de emergência tentaram reanimá-lo, mas ele morreu no local.

Conservadores falam em regras mais rígidas para cidadania

Políticos da conservadora União Democrata Cristã (CDU), partido do chanceler federal alemão Friedrich Merz, defenderam o endurecimento das respostas do Estado.

Günter Krings, porta-voz da CDU para assuntos internos, argumentou que penas mais severas deveriam ser adotadas caso as investigações confirmem motivação extremista islamista para o ataque. Em entrevista ao jornal Rheinische Post, ele também sugeriu regras mais rígidas para a concessão da cidadania alemã.

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Outro deputado da CDU, Alexander Throm, pediu rapidez na aprovação de projetos de segurança que tramitam no Parlamento. As propostas incluem a ampliação de poderes investigativos digitais e a retenção de endereços de IP para investigações criminais.

Merz afirmou que o governo alemão vai "refletir sobre medidas a serem tomadas" após o atentado. Segundo ele, o país não permitirá que o "veneno do terrorismo contra nossa liberdade" continue a se espalhar.

"Defenderemos a liberdade da nossa sociedade. Todos podem contar com isso", enfatizou o chanceler. O discurso foi proferido na tarde deste domingo, antes de uma missa em memória das vítimas na Igreja de Santa Maria, em Berlim.

AfD ataca atuação do governo na segurança

O tema também foi encampado pela legenda de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), que voltou a atacar a atuação do governo na área de segurança.

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O deputado Martin Hess classificou o caso como "um fracasso completo da política de segurança do governo" e afirmou que as autoridades não conseguiram impedir a violência apesar do amplo esquema de proteção montado para o evento.

O parlamentar Thorsten Weiss disse que Berlim enfrenta um grave problema de "extremismo islamista" e pediu a convocação de uma comissão de emergência para investigar como uma pessoa conhecida das autoridades teria conseguido realizar o ataque.

Já o vice-chanceler Lars Klingbeil, copresidente do Partido Social-Democrata (SPD), enfatizou os valores representados pelas Paradas do Orgulho.

"A Christopher Street Day representa o direito de cada pessoa viver livremente", disse. "Nós vamos defender isso."

O também social-democrata e presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, classificou o atentado como um ataque aos valores fundamentais do país.

"Esse ato é um ataque à nossa sociedade aberta, ao nosso modo de vida e à nossa capacidade de convivência", afirmou. Steinmeier acrescentou estar "abalado e indignado".

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Manifestantes se reúnem em vígilia

Em meio às reações políticas, centenas de pessoas se reuniram neste domingo diante do Portão de Brandemburgo para homenagear as vítimas do atentado e pedir que a tragédia não seja usada para aprofundar divisões sociais.

"Ontem foi um ataque contra todos nós, contra nossas identidades, nossa existência, nossa comunidade e nossa democracia. Mas não vamos permitir que isso nos derrote", afirmou um dos oradores durante a cerimônia. A marcha ocorria de forma pacífica e reuniu milhares de pessoas antes do incidente.

Os participantes deixaram flores, acenderam velas e se abraçaram em memória das vítimas. Muitos carregavam bandeiras do arco-íris, cartazes e faixas com mensagens como "O ódio mata", "Um ataque contra um de nós é um ataque contra todos" e "Voltaremos a dançar".

Ao lado do palco que seria utilizado nas celebrações de sábado, uma grande faixa exibia a mensagem: "Protejam as vidas queer".

Exploração política da tragédia

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O episódio ocorreu a menos de dois meses das eleições para a Assembleia estadual de Berlim e ampliou os temores de que a tragédia possa ser explorada politicamente. Durante a vigília, diversos participantes alertaram para o risco de o ataque ser usado para alimentar discursos anti-imigração, a exemplo do que ocorreu após o atentado de Magdeburgo, em 2024.

Lena Werner, de 26 anos, afirmou ter participado da homenagem para mostrar que a comunidade "não vai se deixar intimidar". Ela também disse não querer que o episódio seja transformado em combustível para "ódio contra estrangeiros, migrantes ou o Islã".

Já Luka, estudante de 23 anos, afirmou considerar importante estar presente apesar do forte esquema de segurança montado no centro da cidade.

"Percebo que, na verdade, não tenho medo de estar aqui. É importante para mim estar aqui", disse. Segundo ela, forças políticas da extrema direita podem tentar explorar o atentado, mas haverá "forte resistência" a esse tipo de instrumentalização.

Ataque deixa um morto e 29 feridos

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Segundo os investigadores, o agressor avançou com uma van contra participantes do evento na região do parque Tiergarten durante a dispersão da marcha. Após perder o controle do veículo e colidir com uma árvore, ele ainda atacou pessoas com um facão. Uma mulher morreu e ao menos 29 pessoas ficaram feridas, incluindo vítimas em estado grave.

Perto do local do ataque, um bilhete manuscrito foi afixado a uma barreira policial. "Precisamos permanecer unidos", dizia a mensagem. "Juntos somos mais fortes do que o ódio e a violência."

O ataque ocorreu quase dez anos depois do atentado ao mercado de Natal de Berlim, em 2016, quando um extremista islamista avançou com um caminhão sobre uma multidão, matando 12 pessoas.

O episódio também reacendeu o debate sobre os atropelamentos em massa registrados na Alemanha nos últimos anos, incluindo casos em Munique, Magdeburgo e Trier.

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gq (DW, DPA, OTS)

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