As missões de paz ainda têm futuro?

25 mai 2026 - 06h15
(atualizado às 06h41)

Número de tropas de paz caiu ao menor nível em 25 anos, aponta relatório do Sipri. Crise financeira da ONU e divisão entre grandes potências dificultam missões internacionais e colocam em risco populações já vulneráveis.2025 não foi um bom ano para as missões internacionais de paz. De acordo com um novo relatório do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), o número de forças internacionais mobilizadas foi o menor em aproximadamente 25 anos, embora o número total de missões tenha diminuído apenas ligeiramente.

Forças de paz da ONU do contingente indiano asseguram a fronteira do Líbano com Israel, em 2023
Forças de paz da ONU do contingente indiano asseguram a fronteira do Líbano com Israel, em 2023
Foto: DW / Deutsche Welle

No final de dezembro, incluindo soldados, policiais e funcionários civis, eram pouco menos de 79 mil pessoas. De acordo com o relatório, esse número caiu quase pela metade somente nos últimos dez anos.

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Existem várias razões para isso, afirmou a pesquisadora do Sipri Claudia Pfeifer Cruz, em entrevista à emissora pública alemã ARD.

"Basicamente, os Estados estão simplesmente menos dispostos a investir em missões de paz - tanto financeira quanto politicamente", destacou.

E as negociações nos órgãos que decidem sobre o envio ou a prorrogação de mandatos estão se tornando mais difíceis. Segundo Pfeifer Cruz, isso se deve principalmente ao aumento das tensões geopolíticas, especialmente desde a invasão russa da Ucrânia.

ONU está ficando sem dinheiro

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No Conselho de Segurança da ONU, as potências com direito de veto bloqueiam-se cada vez mais mutuamente; em organizações regionais como a União Africana, há problemas semelhantes. Um exemplo foi a exigência dos EUA pelo fim da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL), apesar das repetidas violações do cessar-fogo entre Israel e o Líbano.

Além disso, organizações internacionais como as Nações Unidas estão ficando sem dinheiro - em alguns momentos de 2025, seu orçamento apresentou um déficit de mais de dois bilhões de dólares.

"A crise de liquidez da ONU também foi causada pela falta de pagamento das contribuições acordadas dos EUA para as missões de paz", explicou a pesquisadora. Para ela, esse é um problema grave, pois a contribuição dos EUA representa mais de um quarto de todo o orçamento das missões de paz.

Os conflitos são deixados à própria sorte

Outros grandes países doadores, como a China, também não pagaram as contribuições acordadas ou o fizeram com atraso. Como resultado, todas as missões da ONU tiveram que reduzir suas operações e diminuir o número de funcionários.

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"Isso já tem consequências", disse Pfeifer Cruz. "E se missões inteiras tiverem que ser encerradas, alguns conflitos simplesmente serão deixados para se agravar." Se isso acontecer, provavelmente haverá ainda mais conflitos - "e especialmente aqueles com consequências mais graves para a população civil."

Ela explica que os atores regionais e as operações bilaterais de paz entre Estados vizinhos não têm capacidade de substituir as missões coordenadas da ONU, nem o uso de empresas militares privadas.

"Constatamos que essas operações não são muito eficazes", enfatizou.

E o que a preocupa ainda mais são as "terríveis consequências para a população civil". Elas carecem da estrutura das operações multilaterais de paz - "ou seja, respeito pelos direitos humanos, pelo direito internacional humanitário, e assim por diante".

"A melhor opção que temos"

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Ainda assim, Pfeifer Cruz crê no futuro das missões internacionais de manutenção da paz.

"Acredito que elas continuarão, talvez em uma escala um pouco menor e de uma maneira um pouco diferente. Mas continuo convencida de que são a melhor opção que temos atualmente para a gestão de conflitos".

O Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI) publica diversos relatórios anualmente, incluindo sobre gastos militares e a indústria armamentista. A organização independente é financiada em grande parte pelo governo sueco.

le (ARD)

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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