Agrishow 2026 consolida protagonismo político, tecnológico e econômico do agronegócio brasileiro

Edição 2026 encerra com R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios, uma retração de 22% em relação a 2025

4 mai 2026 - 21h00

A 31ª edição da Agrishow 2026 terminou nesta sexta-feira (1º), em Ribeirão Preto (SP), com R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios nos setores de máquinas agrícolas, irrigação e armazenagem — resultado 22% inferior ao registrado no ano passado. Apesar da retração, a feira manteve força como principal vitrine do agronegócio latino-americano, reunindo 197 mil visitantes ao longo de cinco dias.

Agrishow 2026
Agrishow 2026
Foto: Divulgação/SeTur / Perfil Brasil

Segundo o presidente da Agrishow, João Marchesan, o setor segue resiliente mesmo diante das dificuldades econômicas. "A Agrishow demonstra, mais uma vez, a competência e resiliência dos agricultores e fabricantes de máquinas agrícolas do Brasil", afirmou. Marchesan destacou ainda que, apesar do cenário desfavorável, o agronegócio continua investindo em tecnologia e mantém confiança na retomada do mercado nos próximos anos.

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A Agrishow 2026, realizada entre 27 de abril e 1º de maio em Ribeirão Preto (SP), reafirmou sua posição como a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina e um dos principais termômetros econômicos, tecnológicos e políticos do agronegócio brasileiro. Com o tema "A força de nossas raízes", o evento foi além da exposição de máquinas e inovações, consolidando-se também como espaço estratégico para debates sobre crédito, expansão produtiva, transformação digital, agricultura familiar e articulações políticas com foco no cenário eleitoral de 2026.

No campo político, a feira teve forte presença de lideranças da oposição e representantes da direita, como o senador Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à Presidência da República, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. A participação desses nomes reforçou o alinhamento entre parte expressiva do agronegócio e setores conservadores, além de fortalecer alianças para as eleições presidenciais. A ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva evidenciou o distanciamento entre o governo federal e segmentos do setor, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin representou oficialmente o Executivo na abertura. Durante a feira, o governo paulista anunciou R$ 455 milhões em investimentos para sustentabilidade, competitividade e infraestrutura, além de R$ 10 bilhões voltados à modernização da frota e logística, reforçando o protagonismo estadual no apoio ao agronegócio.

Entre os anúncios federais, destacou-se o lançamento do programa Move Brasil 2, que prevê R$ 21,2 bilhões em crédito para financiamento de ônibus e caminhões, com recursos do Tesouro Nacional e BNDES. O programa busca estimular a renovação da frota, reduzir custos logísticos e preservar empregos, destinando R$ 2 bilhões exclusivamente para caminhoneiros autônomos. Apesar da recepção positiva, revendedores e montadoras avaliam que os efeitos sobre vendas serão graduais, especialmente diante de juros elevados e spreads bancários que ainda dificultam a conversão das intenções de compra em negócios concretos.

Na área industrial, dados divulgados pela Abimaq durante a feira mostraram que o consumo de máquinas e equipamentos cresceu 1,2% em março de 2026 na comparação anual, enquanto as importações atingiram US$ 3,1 bilhões — recorde histórico desde o início da série, em 1999. O avanço de 21,4% nas importações em março foi impulsionado principalmente por componentes e máquinas para petróleo, enquanto o primeiro trimestre registrou alta de 4,2%, com destaque para máquinas rodoviárias e equipamentos de movimentação e armazenamento. A utilização da capacidade instalada subiu para 79,9%, e o setor acumulou mais de 122 mil empregos criados em 12 meses, sinalizando resiliência industrial e expectativa de recuperação.

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A agricultura familiar também teve protagonismo na Agrishow 2026, reforçando sua relevância estratégica para a segurança alimentar brasileira. Responsável por 77% dos estabelecimentos rurais do país, com 3,9 milhões de propriedades, o segmento emprega 10,1 milhões de pessoas e responde por cerca de 23% do Valor Bruto da Produção agropecuária. A feira destacou tecnologias voltadas ao pequeno produtor, como soluções de colheita mais eficientes, silos compactos, plataformas de gestão e inteligência artificial aplicada à produção, fortalecendo a competitividade dos pequenos e médios produtores.

No eixo tecnológico, a Agrishow evidenciou a aceleração da transformação digital no campo. Soluções em inteligência artificial, robótica, conectividade, automação e agricultura de precisão dominaram os lançamentos. Entre os destaques estiveram os robôs autônomos Solix XT e XC, da Solinftec, capazes de operar até 70 horas contínuas e cobrir até 1.000 hectares; o trator MF 9S, da Massey Ferguson, com até 425 cv e direção autônoma; sistemas retrofit da Fendt para automação de máquinas convencionais; além de drones e ferramentas de mapeamento inteligente da DJI Agriculture. Essas inovações reforçam uma nova fase do agronegócio, marcada por decisões baseadas em dados, redução de custos operacionais, maior sustentabilidade e ganho expressivo de produtividade.

A Agrishow 2026 mostrou que o agronegócio brasileiro vive um momento de profunda modernização, no qual tecnologia, crédito, política e eficiência produtiva caminham de forma integrada. A feira consolidou-se não apenas como vitrine de máquinas e soluções, mas como um dos principais espaços de definição dos rumos econômicos, tecnológicos e institucionais do setor no Brasil.

*Por Sandra Jassa.

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