Ser autista é ser pessoa com deficiência?

Ter um número oficial de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista confirmado por laudo - 2,4 milhões - é uma conquista histórica, mas a velocidade de atualização dos critérios para diagnóstico ultrapassa em muito as pesquisas sobre o tamanho dessa população. A separação desses dados das 14,4 milhões de pessoas com deficiência gera dúvidas e expõe a necessidade urgente do País regulamentar a avaliação biopsicosscial para entender quem é quem nessa divisão.

2 abr 2026 - 11h15
Foto: blog Vencer Limites / Estadão / Rádio Eldorado FM. / Estadão

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Foto: blog Vencer Limites / Estadão / Rádio Eldorado FM. / Estadão

A chegada de mais um Dia Internacional de Conscientização sobre o Autismo, 2/4, o primeiro após a divulgação dos resultados do Censo 2022, que teve a estreia da pergunta 'tem autista na casa?', exige uma reflexão sobre o turbilhão que a comunidade autista tem enfrentado nos últimos anos com a evolução dos critérios para confirmar diagnósticos e a superexposição da temática na imprensa, no entretenimento, redes sociais e na política.

O número oficial - 2,4 milhões de autistas (com laudo) - é real ou somente uma amostra atrasada? Com base na atualização das diretrizes, muita gente, principalmente adultos, está e busca de confirmações a respeito de autopercepções e dificuldades pessoais. Além disso, mães e pais têm sido soterrados com informações bagunçadas e, muitas vezes, absolutamente divergentes a respeito de suas crianças.

Há quem diga: "agora, tudo é autismo!". Sim, essa é uma avaliação constante nos tempos atuais, um pensamento que envolve desconhecimento, desinformação, capacitismo e uma avalanche de opiniões vazias a respeito de comportamentos, opções familiares para a criação dos filhos, uso excessivo das telas (smartphones, tablets e computadores) e características inerentes a outras condições neurológicas.

O resultado do Censo 2022, divulgado em maio de 2025, com números separados - 14,4 milhões de pessoas com deficiência e 2,4 milhões de autistas (confirmados por laudo), bagunçou esse cenário porque não houve uma explicação detalhada e concreta sobre essa divisão.

Questionei o IBGE sobre essa decisão. "A inclusão do quesito específico sobre autismo no questionário do Censo Demográfico 2022 foi determinada pela Lei nº 13.861, de 18.07.2019, que alterou a Lei nº 7.853, de 24.10.1989, para 'incluir as especificidades inerentes ao transtorno do espectro autista (TEA), nos censos demográficos'. O IBGE cumpriu as determinações legais. Isso não implica em exclusões ou hierarquizações. Lembramos que um grande número de autistas também pode estar enumerado entre as pessoas que o Censo 2022 contabilizou com 'dificuldade permanente para se comunicar, realizar cuidados pessoais, trabalhar ou estudar por causa de alguma limitação nas funções mentais' e, consequentemente, entre as 14,4 milhões de pessoas com deficiência do País".

É uma explicação que não esclarece nada e conturba ainda mais o que já está confuso. Afinal, ser autista é ser pessoa com deficiência? Essas duas identidades estão eternamente unidas ou isso caminha para um separação?

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