A esposa do empresário Ivo Kos, de 48 anos, afirmou que as agressões que relata ter sofrido não começaram na noite em que ele foi preso. Em entrevista à GloboNews nesta segunda-feira, 17, Giullia Falcão Kos, de 27 anos, contou que já havia registrado um boletim de ocorrência contra o marido, obtido uma medida protetiva e movido um processo por estupro matrimonial antes do ataque.
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Ivo foi preso na madrugada deste sábado, 15, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Em depoimento, ele negou ter agredido Giullia e afirmou que teria sido atacado por ela com chutes dentro do carro.
Giullia contou que os dois voltavam de um jantar quando começaram a discutir. Segundo ela, as agressões começaram ainda dentro do veículo. O trajeto até a casa do casal duraria cerca de dez minutos.
"Ele sempre apresentou comportamento agressivo. Já tive outro boletim de ocorrência, inclusive uma ou duas semanas antes do meu casamento, que me fez repensar sobre essa união, mas ao mesmo tempo, eu acreditava no casamento, eu acreditava nessa união", afirmou.
Ela relatou um histórico que, além da violência física, envolveria manipulação financeira e violência patrimonial . "Desde o primeiro momento, essas agressões já existiram e elas foram continuando de formas diferentes. Então, era agressão, manipulação financeira, violência patrimonial, em todos os níveis, sempre com pedidos de desculpas, muito choro. Eu não sabia para onde correr, em qual versão acreditar dos fatos".
Naquela noite, Giullia disse que tentou pedir ajuda antes mesmo de entrar em casa. Ao chegar à rua onde morava, viu dois seguranças que já a conheciam e tentou chamar a atenção deles.
Segundo seu relato, os homens não teriam reagido aos pedidos de socorro. Ela afirmou que Ivo chegou a pedir que os seguranças o ajudassem a levá-la para dentro da residência, enquanto ela resistia.
Dentro da residência, a situação se agravou. Giullia afirmou que Ivo usou uma arma de choque, que, segundo ela, costumava carregar, e depois pegou um taco de beisebol.
"Ele continua me dando socorros, usa uma arma de choque, que ele anda com isso no bolso, alega ser legitima defesa, como nos outros processos de agressão que ele já tem. Ele usa essa arma de choque para me intimidar desde o carro até em casa".
Na sequência, ela disse ter percebido uma oportunidade para fugir. "Quando ele pega um taco de beisebol e levanta na minha direção, eu coloco minha mão na frente e, em determinado momento, eu consigo correr para o andar superior da casa".
Giullia contou que tentou ligar para a polícia, mas não conseguiu. Segundo ela, o telefone sem fio da casa não tinha linha. "Não sei se ele desligou os telefones da casa". Sem saber como pedir ajuda, ela descreveu o estado emocional naquele momento. "Minha sensação era de desespero, eu só chorava".
A fuga terminou na casa de uma vizinha, que a acolheu. Pouco depois, segundo Giullia, seus pais e policiais chegaram ao local. Durante a entrevista, Giullia revelou que já havia procurado a Justiça antes. Ela afirmou ter um processo contra Ivo por estupro matrimonial e contou que chegou a ter uma medida protetiva contra ele. Ainda assim, decidiu manter a relação e voltar a conviver com o empresário. "Acreditando que dessa vez seria diferente".
Ela também afirmou que pessoas próximas conheciam os conflitos do casal. Segundo Giullia, enquanto alguns amigos tentavam ajudá-la a deixar o relacionamento, outros acreditavam na versão apresentada pelo empresário de que era ela a agressora.
Ivo Kos, por sua vez, nega as acusações. Em depoimento, afirmou que não agrediu a esposa e disse que foi ela quem o agrediu com chutes dentro do carro. O empresário é sócio-fundador da Virgo, securitizadora com atuação na região da Faria Lima, em São Paulo. A empresa foi alvo de um processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no ano passado.
"Eu desejo que elas [vítimas de violência doméstica] não desistam. Nosso poder judiciário, desde a delegacia até o julgamento, é precário. É uma falta de respeito que fazem com mulheres nessa situação. [...] Entendo hoje por que muitas mulheres estão desencorajadas a denunciar, mas, por mais moroso, difícil, ofensivo que esteja o processo para fazer uma denúncia, faça", reforça Giullia.
Em caso de violência contra a mulher, denuncie
Violência contra a mulher é crime, com pena de prisão prevista em lei. Ao presenciar qualquer episódio de agressão contra mulheres, denuncie. Você pode fazer isso por telefone (ligando 190 ou 180). Também pode procurar uma delegacia, normal ou especializada.
Saiba mais sobre como denunciar aqui.