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Cinco pré-candidatos favoritos ao governo de Pernambuco são brancos

Constatação é dada após pesquisa realizada pela Folha de Pernambuco e apresentada nesta segunda-feira (4); dos cinco nomes que lideram a disputa eleitoral, todos são brancos e com sobrenome de famílias influentes na política do Estado

4 jul 2022 - 17h54
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Grade de fotos mostra da esquerda para a direita os pré-candidatos ao governo de Pernambuco: Miguel Coelho, Raquel Lyra, Marília Arraes, Anderson Ferreira e Danilo Cabral
Grade de fotos mostra da esquerda para a direita os pré-candidatos ao governo de Pernambuco: Miguel Coelho, Raquel Lyra, Marília Arraes, Anderson Ferreira e Danilo Cabral
Foto: Imagens: Divulgação / Alma Preta

Apesar de ter 66% da população formada por pessoas negras, entre pretas e pardas, de acordo com o último censo realizado pelo Instituto de Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, os favoritos ao Governo de Pernambuco são brancos. A constatação foi feita após pesquisa realizada pelo jornal Folha de Pernambuco, em parceria com o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (IPESPE), e divulgada nesta segunda-feira (4).

De acordo com a Folha de Pernambuco, os resultados apresentados corresponderam à uma pesquisa estimulada, quando são apresentados aos entrevistados participantes os nomes que já estão anunciados oficialmente na corrida eleitoral. Liderando a pesquisa, a pré-candidata Marília Arraes (SD), aparece com 29% das intenções de voto, uma folga de cerca de 16% para a pré-candidata subsequente, Raquel Lyra (PSDB), que aparece com 13%. Os dois nomes principais são seguidos por Anderson Ferreira (PL), com 12%, Danilo Cabral (PSB), com 10%, e Miguel Coelho, com 9%. 

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Os dois negros presentes entre os nove pré-candidatos para as próximas eleições não aparecem como possíveis favoritos a ocupar o cargo no Palácio do Campo das Princesas. O pastor evangélico e cantor gospel Esteves Jacinto (PRTB) não chegou a 1%. Enquanto o historiador Jones Manoel (PCB), apesar de constar na lista de consulta pública, não pontuou na pesquisa.

Formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre em Serviço Social, o também professor, escritor e comunicador Jones Manoel nasceu na favela da Borborema, em Recife, e desde pequeno sofreu as consequências de ser um homem negro, pobre e sem familiares com antecedentes na política, segundo entrevista dada ao rapper GOG, no YouTube, e veiculada na Alma Preta Jornalismo, em fevereito deste ano. Entre os candidatos, Jones foi o único a defender, entre suas crenças políticas e sociais, da importância do movimento hip-hop na construção da identidade e da consciência de classe.

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Em contrapartida, os sobrenomes de cinco pré-candidatos já são conhecidos na conjuntura política de Pernambuco há anos. Além da líder da pesquisa, Marília Arraes, neta do ex-governador Miguel Arraes, a pré-candidata Raquel Lyra é ex-prefeita de Caruaru, a 135km do Recife, e filha do empresário e ex-governador do Estado, João Lyra Neto; o pré-candidato pelo Partido Liberal - e apoiado pelo atual presidente Jair Bolsonaro -, Anderson Ferreira, é filho de Manoel Ferreira, que atuou como deputado estadual por sete mandatos consecutivos, sendo eleito para o oitavo mandato em outubro de 2018. 

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A relação hierárquica na política pernambucana e passada de geração em geração ainda segue com Danilo Cabral, filho do deputado estadual, por dois mandatos consecutivos, e conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Adalberto Farias Cabral; e com Miguel Coelho, filho de Fernando Bezerra Coelho, ex-prefeito de Petrolina, município a 714 quilômetros do Recife, e atual senador. 

Nas redes sociais, alguns leitores do jornal criticaram os nomes favoritos da população pernambucana, de acordo com a pesquisa, e criticaram a sucessão familiar na liderança política no Estado. "É ou não é uma capitania hereditária?" e "Isso nunca mudou e nunca mudará. A gente decide em que ala da família vamos dar o bolo, apenas", foram alguns dos comentários. 

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