Faz 13 longos anos desde o último jogo de Grand Theft Auto, e muita coisa mudou. Desde que GTA V foi lançado no PlayStation 3 e no Xbox 360, tivemos duas gerações completas de consoles (poxa, diferentes presidências — e 30 filmes do MCU — também). Mas o próprio cenário de jogos se transformou. Enquanto jogos de mundo aberto como GTA eram mais raros naquela época, hoje a maioria dos grandes sucessos inclui algum tipo de exploração em larga escala, e a ascensão de títulos com atualizações contínuas como Fortnite (2017) e Call of Duty: Warzone (2020) fez com que lançamentos "evento" parecessem menos centrais, à medida que jogadores são puxados para obsessões de anos — e para o gotejamento lento de atualizações sazonais.
Mas GTA nunca foi embora de verdade. Mesmo que a maioria dos fãs tenha terminado o modo para uma pessoa há mais de uma década, GTA Online prosperou, continuando a atrair mais de 20 milhões de usuários ativos por mês. Onde muitas franquias poderiam ter perdido o brilho depois de uma espera tão longa, a presença cultural persistente da série manteve a expectativa por Grand Theft Auto VI no nível mais alto de todos.
Então, como o jogo vai ser no fim das contas? Apesar de vazamentos e de um fluxo cuidadosamente controlado de informações por parte da Rockstar Games, ainda se sabe muito pouco sobre como GTA VI vai levar a série adiante — ou como vai evoluir a fórmula testada e aprovada da franquia.
Com lançamento previsto para 19 de novembro de 2026, GTA VI segue sendo um mistério em muitos sentidos. Com as pré-vendas oficialmente no ar, mais informações começaram a vir à tona. Aqui está tudo o que sabemos até agora sobre Grand Theft Auto VI.
O cenário
Anunciado oficialmente em fevereiro de 2022 após anos de rumores, detalhes sobre GTA VI se tornaram públicos depois de um vazamento enorme em setembro, que revelou a localização do jogo e a ambientação em tempos atuais. Mais tarde, confirmado pela Rockstar Games no primeiro trailer do jogo, em dezembro de 2023, GTA VI leva os jogadores de volta a Vice City, a cidade inspirada em Miami e vista pela primeira vez em 2002, em Grand Theft Auto: Vice City.
Lançado originalmente para PlayStation 2, Vice City era um prelúdio de Grand Theft Auto III e uma peça de época ambientada em 1986. Seu clima "Miami" e seu tom foram fortemente inspirados na série Miami Vice e em inúmeros filmes ambientados nos anos 1980 — cheios de néon e movidos a cocaína. Qualquer conexão com a trama ou personagens daquele jogo ainda é desconhecida, mas voltar a Vice City nos dias de hoje dá à Rockstar Games um "parquinho" bem diferente do anterior.
Os dois trailers tiram sarro de várias "floridices" com personagens exagerados, como a mulher com dois martelos, um homem queimado de sol regando o gramado de sunga e estudantes em férias de primavera, além de moradores festejando perto de piscinas chiques e ralis lamacentos de monster truck. Pelo que dá para ver, quase todo mundo em GTA VI vai ser alguma versão de um "Florida Man" ou "Florida Woman" — o que combina com uma franquia que satiriza a cultura americana por todos os ângulos.
Revisitar uma cidade anterior com uma atualização em "tempos modernos" também é uma tendência recorrente da Rockstar Games. O primeiro jogo, lançado em 1997, apresentou três locais baseados em cidades reais: Liberty City (Nova York), San Andreas (São Francisco) e Vice City (Miami). As expansões imediatas e a sequência de 1999 se afastaram dessas cidades fictícias, mas uma trilogia de jogos do início dos anos 2000 se centrou em cada uma delas: GTA III em Liberty City, Vice City e San Andreas.
Uma segunda trilogia então voltou a dobrar a aposta: Liberty City reapareceu em GTA IV, Los Santos (a versão de Los Angeles em GTA, vista em San Andreas) foi o destaque de GTA V, e agora Vice City retorna — junto do estado maior inspirado na Flórida, Leonida — em GTA VI.
Assim como San Andreas e GTA V, GTA VI provavelmente vai muito além dos limites da cidade base, com um mundo aberto gigantesco que inclui regiões fora do núcleo urbano e mostra a diversidade de topografia e ambientes desse estado "floridiano".
Em um lote de imagens divulgado discretamente junto do segundo trailer, a Rockstar Games provocou vários locais recém-confirmados: Ambrosia County, uma região industrial cheia de chaminés soltando fumaça; Grassrivers, um pântano onde aerobarcos correm por águas cheias de jacarés; Leonida Keys, um ponto turístico de praia repleto de iates e festeiros; a floresta densa do Mount Kalaga National Park; e Port Gellhorn, um refúgio decadente e mal-afamado, lar de boates de strip e motéis fedorentos.
Os personagens
Desde a primeira grande revelação, um dos aspectos mais comentados de GTA VI tem sido os protagonistas. Enquanto a maioria dos jogos da série foca em um único personagem principal, GTA V quebrou o molde com três protagonistas jogáveis cujas histórias se entrelaçavam. GTA VI também tenta algo novo: um casal no estilo Bonnie & Clyde que os jogadores podem controlar, Jason Duval e Lucia Caminos.
Como visto nos trailers, Jason é um tipo musculoso, popular com as mulheres nas regiões de Leonida Keys. Ele faz bicos (tipo, sabe, transportar drogas e arrancar dinheiro de pessoas) para um homem chamado Brian Heder, indo levando a vida enquanto espera Lucia ser solta da prisão. O site da Rockstar Games afirma que Jason cresceu cercado de criminosos e vigaristas e serviu no Exército. Pela dinâmica dos dois — e pelo texto no site — Jason parece posicionado como parceiro de apoio de Lucia, ainda que se preocupe com como será o futuro.
Lucia é retratada como uma verdadeira durona: a bio do personagem diz que o pai "ensinou ela a lutar assim que ela conseguiu andar". O motivo exato da passagem pela prisão é desconhecido, mas é sugerido que esteja ligado à família — e a soltura é atribuída à "pura sorte". Embora ela viva com Jason em Leonida, a descrição diz que Lucia vem de Liberty City, mas não está claro se ela se conecta a personagens de jogos anteriores.
A história maior da dupla segue sendo um mistério, mas está claro que ambos estão atrás de um grande golpe — ou de uma série de golpes — para subir na vida. Naturalmente, o plano está destinado a dar errado.
O elenco de apoio parece cobrir todo o espectro criminal. Cal Hampton é um sujeito de camisa florida e amigo próximo de Jason. Nos trailers, ele funciona como alívio cômico, mas também é um conspiracionista que passa tempo demais online — provavelmente absorvendo informações duvidosas.
Boobie Ike é um empreendedor de Vice City tentando transformar conexões criminosas de baixo nível em empreendimentos mais legítimos, incluindo imóveis, casas de strip e uma investida no negócio da música. A bio do personagem diz sem rodeios: "O dinheiro do clube paga o estúdio, e o dinheiro da droga paga tudo".
O movimento mais recente de Boobie é uma parceria com o jovem magnata da música Dre'Quan, cujo selo Only Raw Records está ganhando impulso. Bae-Luxe e Roxy são uma dupla de rap conhecida como Real Dimez e os primeiros grandes nomes contratados pelo selo. A presença gigante nas redes sociais atraiu atenção — mas pode virar um problema, dado que todo mundo ao redor delas está até o pescoço em empreitadas criminosas.
Por fim, há Raul Bautista, um assaltante de banco simpático e perigoso, cuja imprudência certamente vai dar ruim. Toda história de GTA precisa de um "coringa", e Raul se encaixa perfeitamente. Não se surpreenda se Raul virar um antagonista conforme a narrativa se desenrola.
Todos os personagens mostrados até aqui combinam com o tom dos GTA do passado, mas os saltos em gráficos e captura de movimento os deixam mais realistas do que nunca. Além de ser mais uma paródia mordaz dos excessos americanos, GTA VI também parece capaz de contar uma história emocionalmente mais madura — mais próxima, em espírito, do excepcional Red Dead Redemption 2 (2018) do que de jogos GTA anteriores. A série sempre foi divertida e absurda, mas há potencial real para GTA VI entregar uma aventura criminosa genuinamente marcante.
Versão para PC e componentes online
Para tudo o que os fãs já sabem sobre cenário e personagens, ainda há muita coisa em aberto. Embora o jogo esteja disponível para pré-compra no PlayStation 5 e no Xbox Series X/S, a Rockstar Games ainda não anunciou uma versão para PC — e isso preocupa muita gente. GTA V também saiu inicialmente apenas para consoles em 2013 e chegou ao PC em 2015, onde ganhou uma segunda vida. Enquanto PlayStation e Xbox são mercados enormes para o público casual, é no PC que GTA Online prosperou, graças a uma grande comunidade de mods. A maioria dos fãs mais dedicados que faz encenação online faz isso exclusivamente no PC.
Também existe a questão de como o jogo vai realmente funcionar. GTA é excelente em criar mundos abertos densos e complexos, mas sua abordagem "tudo junto e misturado" das mecânicas de jogabilidade muitas vezes deixa a desejar. No momento a momento, GTA dá aos jogadores uma liberdade sem igual — mas seus controles de direção e de tiro geralmente são apenas razoáveis.
Red Dead Redemption 2 (2018) pareceu um salto em complexidade mecânica para a Rockstar Games — sua jogabilidade de tiro e movimentação são muito superiores às de GTA V —, mas não houve nenhuma palavra sobre como GTA VI vai melhorar o estilo do antecessor. Mesmo que os fãs mais dedicados tenham dominado GTA V e dobrado seu motor de física à própria vontade, o jogo pode soar cansado em aspectos que o próximo talvez precise reformular.
A maior pergunta é como GTA VI vai lidar com o componente online. Nos anos desde o lançamento de GTA V, GTA Online virou o principal ponto de venda da franquia. Com atualizações constantes, ele se manteve no centro das atenções graças às comunidades de mods e encenação, a uma enorme base instalada de jogadores casuais e dedicados e a grandes audiências de transmissões na Twitch.
A Rockstar Games antes não deixou claro se o GTA Online atual seria incorporado ao novo jogo, o que fez jogadores temerem que uma década (ou mais) de progresso no jogo pudesse ficar "trancada" — ou, pior, ser encerrada. Esses medos podem ser justificáveis: em lojas digitais, o jogo está listado como "uma experiência para uma pessoa", um detalhe mais tarde confirmado pela Rockstar Games.
Por que a integração multiplayer está ausente ainda não é claro, mas isso pode estar ligado ao novo motor de GTA VI e às grandes mudanças necessárias para que o progresso seja levado adiante. Ainda assim, não é impossível. MMOs como Final Fantasy XIV (2013) e World of Warcraft (2004) evoluíram sua tecnologia base mantendo conteúdo antigo vivo de alguma forma.
Dada a popularidade perene de GTA Online, recursos multiplayer quase certamente chegarão eventualmente — mas, por enquanto, tudo indica um lançamento com experiência apenas solo.
Pré-vendas e preços
Junto do anúncio de que GTA VI já está disponível para compra, novas informações sobre preços e edições reacenderam a preocupação. No PS5 e no Xbox, a versão base custa US$ 80 — cerca de US$ 10 a mais do que a maioria dos jogos AAA nesta geração, mas não é totalmente inesperado. Desde o lançamento do Switch 2, a Nintendo vem elevando alguns títulos para US$ 80 caso a caso. O verdadeiro problema é o que a experiência principal não inclui.
Segundo a Rockstar Games, a Ultimate Edition de US$ 100 inclui itens exclusivos no jogo, como armas, veículos, roupas e "ação" — e esse último item sugere que certas missões ou conteúdo jogável podem ficar atrás de uma barreira paga adicional. O site da Rockstar Games lista duas dessas "atividades paralelas": PTT Youngin$ Illegal Goods Store, um modo de invasão no jogo que rende itens únicos, e Classic Car Collection Special Commission — uma missão paralela contínua em que os jogadores descobrem e restauram carros antigos.
GTA é conhecido por atividades paralelas e mini-jogos "do dia a dia". San Andreas deixava ir à academia e mudar o físico do personagem ao longo do tempo. Mas trancar potencialmente horas de um jogo atrás de uma barreira paga não é o padrão; a maioria dos AAA empacota esse tipo de conteúdo como complementos claros, em vez de enquadrá-lo como "exclusivo" de uma edição premium.
O site também lista cinco lojas e serviços distintos disponíveis apenas na Ultimate Edition, de oficinas de modificação de carros a salões de cabelo. Você literalmente precisaria pagar US$ 20 a mais para tatuar seu personagem. Não está claro se as pessoas sequer verão essas lojas no jogo base como provocação, mas é plausível que possam ser encontradas — apenas para serem bloqueadas por um aviso para fazer upgrade.
Um último detalhe controverso: as edições físicas, ao que tudo indica, não incluirão um disco. Em vez disso, cópias em caixa compradas em varejistas virão com um voucher de download — uma decisão raríssima e anti-consumidor, que impede compartilhamento ou revenda. Para algumas pessoas, isso pode parecer irrelevante, especialmente com estimativas de que cópias digitais representam quase 85% das vendas de videogames, mas a ausência do disco deixa jogadores com internet ruim com poucas alternativas para um jogo que provavelmente terá centenas de gigabytes.
A Rockstar Games foi rápida em responder às críticas, dizendo que edições físicas incluirão um disco nos meses seguintes ao lançamento. Dada a expectativa sem igual em torno de GTA VI, o cenário digital-only dificilmente vai reduzir as vendas de forma relevante — mas a opção ainda seria bem-vinda. A justificativa segue incerta, embora possa ser uma tentativa de evitar vazamentos, já que lojas físicas e varejistas online muitas vezes quebram as datas de embargo assim que os envios chegam.
Seja como for, uma coisa é certa: quando chegar, Grand Theft Auto VI vai causar um impacto colossal. Depois de mais de uma década de expectativa — e de se apoiar no status do antecessor como uma das peças de mídia mais bem-sucedidas e lucrativas de todos os tempos —, GTA VI tem espaço de sobra para deixar sua marca na cultura pop. A parte mais difícil é esperar.