Existe um limite claro no que a gente espera de um jogo do Yoshi. Normalmente é confortável, funciona bem, mas raramente tenta ir além do que já foi feito antes. Yoshi and the Mysterious Book parte justamente dessa sensação, como se soubesse que precisava dar um passo a mais para não cair no mesmo padrão.
Durante a gamescom latam 2026, foi possível testar o início do jogo, e a impressão que fica não vem só do que ele mostra, mas de como ele escolhe apresentar isso. Tem uma tentativa clara de manter o jogador ativo o tempo todo, sem deixar a experiência cair no automático.
Um livro cheio de histórias
Mesmo sendo apenas uma fração do que o jogo tem disponível, foi possível jogar o começo dele para ser melhor contextualizado sobre o que vai acontecer ao longo da trama. A história em si gira em torno do livro falante conhecido como Professor N. Igma, que acorda na ilha dos Yoshi sem lembrar das criaturas que conhecia. Com a ajuda dos Yoshis, nossa missão é ajudá-lo a lembrar dessas criaturas, adicionando até certas curiosidades que ele nem sabia que eram possíveis de existir.
O primeiro capítulo disponível, chamado Bosque Inexplorado, serve bem como introdução. Ele explica as mecânicas principais e já dá uma ideia do que esperar nos capítulos seguintes.
Uma coisa que chama atenção logo de cara é como o jogo muda o visual quando estamos dentro das páginas. Existe um tipo de filtro no fundo dos cenários que reforça essa ideia de livro infantil, enquanto o Yoshi mantém um modelo mais detalhado, sem ficar deslocado do restante da fase.
A jogabilidade segue o que já esperamos do personagem. Yoshi pode engolir inimigos para transformá-los em ovos, pular e prolongar o salto batendo os pés, além de interagir com aliados para resolver puzzles. O destaque está nas variações. Cada fase traz uma mecânica própria, o que evita repetição e deixa tudo mais interessante.
É difícil dizer qual fase me agradou mais, porque todas realmente foram muito boas. Tem a das Azaleias, em que devemos ir pegando flores pelo caminho e fazendo elas desabrocharem, mudando o cenário conforme avançamos. Já na Abelhuva, elas ficam nos atacando e é preciso jogar frutas para que se juntem, para depois acertar um ovo e dissipar de vez.
Claro que as fases não se resumem a essas mecânicas que parecem simples. Existem outras que exigem bastante paciência e um certo controle para acertar o tempo certo. Tem uma fase chamada Patenor, na qual precisamos ir pulando nas folhas que ficam na cabeça dessas criaturas. Elas vão cantando sempre que o Yoshi faz isso, e aparece até uma partitura indicando se estamos acertando o tempo da canção ou não.
Das fases mais exigentes, a que mais pede paciência é a da Acumulã. Nela, precisamos passar por plantas que lembram dente-de-leão. As bolinhas que elas soltam ficam presas nas superfícies e fazem brotar mais delas. A fase exige que a gente leve esses brotos para destruir rochas maiores e também para prender em um animal, mas não temos controle total quando elas saem voando, então é preciso ficar pulando com o Yoshi para levá-las mais longe.
A do Sapo-bolha segue uma ideia parecida, exigindo que você entenda bem a mecânica para não perder muito tempo. É preciso fazer os sapos espalhados pela fase engolirem diferentes tipos de alimento para fortalecer as bolhas e fazer com que durem mais no ar, já que a fase é vertical até chegar no chefe, que é uma figura bem conhecida de outros jogos do Mario.
Um detalhe interessante sobre os nomes das fases é que eles não são exatamente fixos. Cada habitat, que seriam essas fases, leva o nome dos animais ou objetos que são destaque na página do livro. Esses nomes podem ser sugestões do Professor, como Azaleia, Patenor e Abelhuva, mas você não é obrigado a seguir isso. Dá para colocar o nome que quiser nessas descobertas, deixando boa parte dessa construção na mão do jogador e da sua criatividade.
Mesmo depois de terminar o capítulo, ainda tem coisas novas para achar e explorar ao revisitar os habitats da página. Dá para encontrar novas variações das criaturas que já vimos. Isso me deixou até meio frustrado quando o teste acabou, porque ainda tinha bastante coisa ali para descobrir e resolver. Mesmo sendo possível pedir dicas para o Professor, ele não entrega tudo de bandeja e deixa mais para a gente sair explorando e testando formas de completar essas adições nas fases.
Considerações
O que mais chama atenção nesse primeiro contato é como cada fase realmente tenta ter uma identidade própria. Não é só uma variação leve. Tem momento que muda completamente o ritmo, como nas partes de música ou nas fases que exigem controlar elementos do cenário com mais cuidado.
Ainda é só um recorte pequeno, mas já dá pra ver que o jogo aposta nessa variedade para se sustentar. Se conseguir manter esse nível até o final, não fica só como mais um Yoshi, e pode acabar se destacando dentro dos lançamentos da Nintendo no ano.
Yoshi and the Mysterious Book será lançado em 21 de maio para Switch 2.