Por que jogos de zumbis nunca saem de moda?

Os mortos-vivos continuam dominando os videogames há décadas

6 mar 2026 - 11h08
Por que jogos de zumbis nunca saem de moda?
Por que jogos de zumbis nunca saem de moda?
Foto: Reprodução/Capcom

Os mortos-vivos já caminham pelos videogames há décadas — e, ao que tudo indica, ainda estão longe de descansar em paz. De clássicos do survival horror a aventuras narrativas modernas, os zumbis continuam reaparecendo geração após geração.

Não importa se estamos em um laboratório da Umbrella, em cidades devastadas por uma pandemia ou em um mundo aberto tomado por infectados: sempre há um novo apocalipse esperando para acontecer. Mas afinal, por que jogos de zumbis nunca saem de moda?

Publicidade

O nascimento de um ícone do survival horror

Quando Resident Evil chegou ao primeiro PlayStation em 1996, ele ajudou a redefinir o terror nos videogames. Inspirado em filmes de horror e no jogo japonês Sweet Home, o título da Capcom transformou corredores silenciosos, munição escassa e criaturas grotescas em uma fórmula que seria replicada por anos.

Um dos momentos mais lembrados dessa experiência acontece logo no início da campanha. Ao explorar a mansão Spencer, o jogador encontra um corpo aparentemente sem vida no chão. Quando o personagem se aproxima, a criatura lentamente vira a cabeça e revela seu rosto apodrecido — uma cena curta, mas extremamente impactante. A revelação do primeiro zumbi se tornou um dos momentos mais icônicos da história dos videogames e ajudou a estabelecer o tom de tensão constante que definiria a série.

Os zumbis ali não eram apenas inimigos: eram parte da atmosfera. Lentos, imprevisíveis e muitas vezes surgindo de lugares inesperados, eles reforçavam a sensação de vulnerabilidade. Cada bala contava. Cada porta aberta era um risco.

Publicidade

Essa combinação de terror, gerenciamento de recursos e exploração criou uma identidade tão forte que o gênero survival horror praticamente se consolidou ao redor dessa ideia.

O apocalipse como cenário perfeito para histórias

Décadas depois, os mortos-vivos ganharam outra dimensão narrativa com jogos como The Last of Us, da Naughty Dog.

Aqui, os infectados não são apenas monstros a serem eliminados. Eles funcionam como pano de fundo para histórias profundamente humanas — relações, perdas, sobrevivência e moralidade em um mundo quebrado.

O apocalipse zumbi é um recurso narrativo poderoso porque remove as estruturas da sociedade. Sem governo, sem segurança e sem regras claras, os personagens são forçados a tomar decisões difíceis. E é justamente nesse terreno que surgem algumas das histórias mais marcantes dos games modernos.

Publicidade

Não por acaso, jogos de zumbis frequentemente exploram temas como confiança, trauma e sacrifício.

O inimigo perfeito para videogames

Existe também uma razão prática: zumbis funcionam extremamente bem como inimigos em videogames. Eles são versáteis. Podem aparecer em hordas gigantescas, como em World War Z, em confrontos cooperativos frenéticos como Left 4 Dead 2 ou em cenários de sobrevivência improvisada como Dead Rising.

Ao mesmo tempo, podem ser adaptados a diferentes estilos:

  • Terror e tensão — como em Resident Evil 2
  • Ação cooperativa — como em Left 4 Dead 2
  • Mundo aberto e sobrevivência — como em Dying Light e Days Gone

Além disso, os zumbis resolvem um “problema moral” comum em jogos de ação: o jogador pode enfrentar centenas de inimigos sem a carga psicológica de estar lutando contra pessoas comuns. Eles são ameaças claras, quase naturais dentro daquele universo.

Reinvenções constantes mantêm o gênero vivo

Publicidade

Outro motivo para a longevidade dos mortos-vivos é a capacidade de reinvenção. Os zumbis lentos e clássicos de Resident Evil deram lugar a infectados rápidos em Resident Evil 4. Já The Last of Us trouxe uma abordagem quase científica, com o fungo Cordyceps transformando humanos em criaturas violentas.

Esse processo de reinvenção continua acontecendo até hoje. Um exemplo recente é Resident Evil Requiem, novo capítulo da franquia da Capcom que revisitou o terror da série com novas ideias, personagens e uma atmosfera ainda mais sombria.

O jogo mostra como, mesmo depois de décadas, a saga que ajudou a popularizar os mortos-vivos nos videogames ainda busca maneiras de atualizar sua fórmula sem abandonar as raízes do survival horror.

Em outros casos, o foco muda completamente. Em State of Decay, por exemplo, o apocalipse vira um simulador de comunidade e sobrevivência a longo prazo. Cada geração encontra uma nova forma de reinterpretar o mesmo conceito.

Publicidade

Um reflexo de medos reais

No fundo, os zumbis sempre foram metáforas. Em filmes, livros e jogos, eles frequentemente refletem medos coletivos de cada época: pandemias, colapso social, isolamento ou a perda de controle sobre o próprio corpo.

Nos videogames, essa metáfora ganha algo a mais: interatividade. O jogador não apenas observa o fim do mundo — ele precisa sobreviver a ele.

Talvez seja justamente por isso que os mortos-vivos continuam voltando. Enquanto existirem histórias sobre sobrevivência, medo e humanidade em situações extremas, sempre haverá espaço para mais um apocalipse zumbi nos videogames.

E, convenhamos: se depender da indústria, esses mortos ainda vão caminhar por muito tempo.

Fonte: Game On
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se