Serious Sam: Shatterverse mantém o foco naquilo que define a franquia, com tiroteios intensos, inimigos aparecendo aos montes e armas que não economizam na munição. Desta vez, porém, a série tenta mudar um pouco a estrutura ao colocar diferentes versões do protagonista dentro da mesma aventura e apostar em elementos de roguelite para renovar a progressão.
A ideia rende alguns dos melhores momentos do jogo, principalmente nas interações entre os diferentes Sams e na busca por aprimoramentos durante as fases. Existe uma sensação de novidade no começo, mas ela diminui conforme a aventura avança e a repetição começa a ficar mais evidente. Shatterverse consegue mexer em alguns pontos da fórmula, só que as mudanças não são suficientes para fazer essa nova jornada se destacar.
Um Sam nunca é suficiente
Em Serious Sam: Shatterverse, a trama começa quando as criações mecânicas do Uber Mental conseguem romper a barreira do multiverso, trazendo à tona um caos que faz os acontecimentos anteriores da série parecerem brincadeira de criança.
Por conta dessa barreira rompida, outras versões de Sam se juntam e formam um grupo conhecido como Programa Serious, a única força-tarefa capaz de tentar colocar tudo de volta ao normal. O problema é que muitos dos incidentes que estão acontecendo foram causados por outras versões do próprio Sam, e apenas uma delas parece ser capaz de deter essa ameaça. Como nada é tão simples, Mental também está ciente da existência do grupo e coloca seu plano em prática em diferentes linhas do tempo e universos, obrigando os Sams remanescentes a impedir o avanço do vilão.
No geral, a trama de Shatterverse fica bastante em segundo plano, mas as interações entre as diferentes versões de Sam conseguem deixá-la menos superficial. O humor característico da franquia está presente nessas cenas, e é sempre engraçado quando essas versões começam a interagir. Além disso, algo impossível de ignorar é como o novo título mantém todo o exagero tradicional da série, principalmente na escolha de qual Sam utilizar. Temos desde um Cartoon Sam e uma versão com gráficos retrô até uma versão alienígena e outra mais séria e aposentada do herói.
Se tratando da jogabilidade, principalmente da gunplay, o título entrega basicamente aquilo que esperamos de um Serious Sam. Precisamos ficar em movimento praticamente o tempo todo para desviar de tiros, inimigos que correm em nossa direção para atacar no corpo a corpo e, claro, chegar ao fim da fase. As armas também são bastante divertidas, com algumas opções icônicas, como a Thompson, ao lado de outras mais absurdas, como uma arma alienígena clássica que dispara raios sem parar.
O que faz esse combate ganhar mais camadas é a adoção de aprimoramentos espalhados pelas fases, algo bastante comum em roguelites. Encontramos opções que aumentam o dano básico, reduzem a perda de vida e oferecem outras vantagens, enquanto cada Sam também possui uma habilidade especial própria, como a possibilidade de criar um clone para servir de distração.
Além disso, os aprimoramentos não ficam limitados ao que encontramos durante as fases. Conforme eliminamos inimigos, também conseguimos adquirir uma espécie de inteligência do multiverso, que libera vantagens como enxergar adversários através das paredes. Algumas dessas opções, porém, são menos úteis, como trocar parte da nossa vida por um aumento no dano geral.
Esses aprimoramentos fazem a exploração ganhar um pouco mais de importância, principalmente porque as fases agora são mais contidas e possuem um contador que indica quando estamos próximos de enfrentar um chefe. É uma mudança interessante em relação aos jogos anteriores, como Serious Sam 4, que apostava em fases mais extensas e nem sempre recompensava quem se desviava do caminho principal. Shatterverse resolve parte disso, mas não consegue fazer suas fases realmente brilharem, com um level design cansado e pouco memorável.
É uma pena que justamente a parte roguelite, responsável por diferenciar o jogo dos outros títulos da série, não consiga resolver alguns dos problemas antigos. A ideia do multiverso funciona durante as primeiras horas, mas rapidamente fica claro que a fórmula será repetida até chegarmos à última fase e aos créditos. Com isso, a experiência acaba se tornando repetitiva bem antes do que deveria.
Por fim, como a análise foi feita no PC, também preciso destacar um problema que costuma tirar o sono de quem joga nessa plataforma. Praticamente toda fase exigia o carregamento de shaders, deixando os tempos de carregamento bastante longos. Isso pesa ainda mais porque, apesar de ser competente visualmente e contar com algumas fases estilosas, Shatterverse não entrega gráficos que sejam memoráveis.
Considerações
Serious Sam: Shatterverse tinha uma oportunidade interessante de mexer em uma fórmula que já estava precisando de novidades, mas acaba ficando no meio do caminho. A mistura entre multiverso e roguelite funciona melhor quando ainda existe aquela sensação de descoberta, antes de a repetição começar a tomar conta da aventura. No fim, sobra um jogo que entende o que faz um Serious Sam funcionar, mas não encontra uma forma realmente convincente de levar essa identidade para um novo momento da série.
Serious Sam Shatterverse está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series.
Esta análise foi feita no PC, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Devolver Digital.