Torcedores do Vasco realizam mobilizações pelo Rio de Janeiro para cobrar o direito de usar o Maracanã, exigindo o cumprimento do edital de concessão. O movimento ganha força após a concessionária vetar partidas alegando desgaste do gramado. O embate é crucial para a semifinal da Sul-Americana contra o Boca Juniors, pois São Januário não atende à capacidade mínima exigida pela Conmebol, forçando o clube a buscar a liberação do estádio.
Uma faixa levada por torcedores do Vasco passou a circular por diferentes pontos do Rio de Janeiro em uma mobilização pelo direito do clube de utilizar o Maracanã. A ação já foi registrada no estádio, em São Januário, no Aterro do Flamengo, no Centro e na Zona Portuária.
A Agência RTI Esporte apurou que o movimento criou perfis no Instagram e no X, com o nome "O Maraca também é do Vasco" e @vasconomaraca, para divulgar a ação e cobrar o cumprimento do edital firmado entre as partes.
Nesta quarta-feira, 30, o grupo convocou vascaínos a publicar fotos com a mensagem "o Maraca também é do Vasco". A faixa também passou pela estátua de Bellini, ex-jogador do clube e capitão do Brasil em 1958.
Faixa cita regras da concessão
As mensagens utilizadas na campanha incluem frases como "São Januário é meu e o Maraca é nosso! Cumpram o edital" e "Respeitem o edital ou revoguem a licitação". A mobilização também questiona a realização de outros eventos no complexo.
Uma das peças compara o escudo do Vasco, apresentado como "proibido", com uma bola de futebol americano e uma guitarra, classificadas como "permitido", em referência ao NFL Rio Game e aos shows realizados no estádio.
Os organizadores citam dois pontos do edital. O item 3.4 prioriza partidas oficiais de Fifa, Conmebol, CBF e Ferj, enquanto o 3.2.6 prevê tratamento não discriminatório aos principais clubes cariocas e suas torcidas.
Disputa ganhou força em agosto
A relação entre Vasco e administração do Maracanã ganhou novo capítulo em agosto, quando o clube pediu para enfrentar o Vitória, pela Copa do Brasil, no estádio. A solicitação foi negada, e a partida de 26 de agosto acabou realizada em São Januário.
O Gigante da Colina recorreu à Justiça do Rio de Janeiro e citou um memorando de entendimentos que previa quatro partidas por ano escolhidas pelo clube. A concessionária contestou a validade do documento.
Pedido contra o Boca reacende discussão
A disputa voltou à pauta após o Vasco formalizar um novo pedido para utilizar o Maracanã contra o Boca Juniors, pela Copa Sul-Americana. O jogo de volta da semifinal está marcado para 20 de outubro, às 21h30 (de Brasília).
Caso não consiga o estádio, o Vasco precisará buscar outra alternativa. São Januário não atende à capacidade mínima de 30 mil lugares exigida pela Conmebol para essa fase, e o Nilton Santos aparece entre as possibilidades.
A proximidade com Flamengo x Estudiantes, marcado para 22 de outubro, também entrou na discussão. Em 2026, por exemplo, o Maracanã já recebeu nove sequências de partidas com intervalos de até 48 horas.
A administração afirma que as negativas ao Vasco decorrem das condições do gramado, e não de restrição ao clube. Em setembro, o CEO Fred Nantes reconheceu problemas no campo e apresentou um cronograma de manutenção até o fim da temporada.
Segundo o consórcio que administra o Maracanã, volume de jogos, clima e tempo de recuperação do gramado pesam na definição da agenda. Enquanto a disputa segue, os torcedores ampliaram a cobrança pelas ruas do Rio de Janeiro.