Com a aprovação da venda de 90% da SAF do Vasco para a Almirante Participações, de Marcos Lamacchia, o presidente Pedrinho deixará o comando executivo do futebol, mas manterá influência como conselheiro esportivo. O negócio, que encerra o ciclo da 777 Partners, ainda depende dos órgãos reguladores, enquanto a permanência do diretor Admar Lopes para 2027 segue em debate. Pedrinho focará no clube associativo e buscará a reeleição, integrando a nova gestão de forma estratégica.
O Vasco está próximo de concluir a venda de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF) para a Almirante Participações S/A, empresa de Marcos Lamacchia. Com a aprovação da negociação por mais de 90% dos sócios na última sexta-feira (23), o clube aguarda os pareceres dos órgãos reguladores para oficializar a mudança de controle. Nesse cenário, Pedrinho terá novas atribuições na administração cruz-maltina, mas continuará próximo das decisões relacionadas ao futebol.
Com a conclusão do negócio, o presidente deixará de comandar diretamente o departamento de futebol. A responsabilidade final por contratações, assinaturas de contratos e questões comerciais ficará com a gestão da SAF. Apesar disso, a intenção de Lamacchia é manter o dirigente presente no cotidiano do clube, com participação nas discussões sobre o planejamento esportivo.
A relação construída entre Pedrinho, o empresário e Mário Junqueira, investidor minoritário da Almirante Participações, contribuiu para a definição desse cenário. O atual presidente também pretende disputar a reeleição no clube associativo.
Pedrinho seguirá com influência no futebol
A participação do dirigente na nova estrutura foi abordada por Mário Junqueira durante a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) que aprovou a venda da SAF. Na ocasião, o investidor destacou o conhecimento de Pedrinho sobre futebol e a importância de sua presença nas discussões estratégicas.
A ideia é que o presidente participe do conselho da SAF e contribua como conselheiro nas decisões envolvendo contratações e investimentos. Dessa forma, embora não tenha mais a palavra final sobre essas questões, ele continuará tendo voz no planejamento esportivo.
O modelo representa uma mudança em relação à gestão da 777 Partners. Durante o período em que a empresa norte-americana controlava a SAF, Pedrinho não participava diretamente das decisões do departamento de futebol.
A situação mudou diante da instabilidade jurídica envolvendo a antiga controladora. O dirigente entrou na Justiça para afastar a 777 Partners e assumiu o comando da SAF, passando a lidar diretamente com questões esportivas e administrativas.
Estrutura da nova gestão ainda está em discussão
Embora a participação de Pedrinho esteja encaminhada, as atribuições específicas dos integrantes da futura administração ainda estão sendo definidas. O organograma da SAF deverá ser detalhado após o avanço dos trâmites necessários para a conclusão da negociação.
Outro ponto em discussão envolve a permanência de Admar Lopes. A tendência é que o atual diretor de futebol continue no cargo em 2027, mas a definição depende da estrutura que será estabelecida pela nova gestão.
Antes da oficialização da venda, o Vasco ainda precisa dos pareceres da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Entre os pontos sob análise está um possível conflito de interesses relacionado a Leila Pereira, presidente do Palmeiras.
O acordo prevê a transferência de 90% das ações da SAF para a empresa de Lamacchia, enquanto o clube associativo permanecerá com 10%. Com a conclusão do processo, o Vasco terá uma nova estrutura de comando, na qual Pedrinho deverá manter participação estratégica, mas sem a responsabilidade direta pela palavra final nas decisões do futebol.