Italo Ferreira detalha amizade com Matheus Cunha e compara futebol ao surfe: 'É mais cruel'

Em entrevista ao Terra, campeão mundial e olímpico elogiou o atacante da Seleção Brasileira e projetou a segunda metade da temporada do CT

26 jul 2026 - 04h58
Matheus Cunha, atacante do Manchester United e Seleção Brasileira, e Italo Ferreira, campeão mundial e olímpico de surfe
Matheus Cunha, atacante do Manchester United e Seleção Brasileira, e Italo Ferreira, campeão mundial e olímpico de surfe
Foto: Reprodução/Redes Sociais

A amizade entre o surfista Italo Ferreira e o atacante Matheus Cunha ganhou destaque durante a Copa do Mundo e cativou os torcedores com vídeos bem-humorados entre os atletas, forjada pela pressão do esporte de alto rendimento.

Enquanto aguarda pela retomada do Championship Tour (CT), o circuito da elite do surfe da World Surf League (WSL), o campeão olímpico e mundial detalhou a amizade com o jogador em entrevista exclusiva ao Terra, além de comentar a expectativa para o segundo semestre de competições. 

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Antes da partida entre Brasil e Haiti, pela segunda rodada da fase de grupos da Copa, Italo chamou a atenção com uma aposta ousada: presentaria o amigo com pranchas caso Matheus Cunha balançasse as redes no Mundial. O resultado? O camisa 9 da Seleção marcou dois dos três gols da vitória brasileira. 

"É engraçado porque a gente se conhece há alguns anos. Outro dia, mandei um vídeo para ele das Olimpíadas (de Tóquio, em 2021). Eles, dentro do ônibus, estavam assistindo à final do surfe. E aí eu mandei para ele, antes do jogo, e a gente sempre conversa", conta. 

Italo Ferreira diz que ele e Cunha se entendem graças às questões que envolvem as competições de alto nível, como a pressão, a entrega de resultados e as críticas. 

"No futebol realmente é um pouco mais cruel do que no surfe. E ele é um cara que eu admiro muito, que se dedica demais ao que ele faz, e eu fiquei muito feliz com tudo que aconteceu, independente se o Brasil venceu ou não. Claro, saiu nas oitavas e a gente queria mais, mas estão em uma fase de transição, o esporte é assim mesmo. Em diversos momentos eu também achei que fosse parar, e do nada eu vencia", afirma. 

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Os dois também são unidos pela paixão em comum pelo mesmo lugar: Baía Formosa (RN). Terra natal do campeão mundial, a cidade potiguar é, também, onde o jogador aprendeu a surfar e adotou como refúgio

Matheus Cunha comemora gol 'surfando' ao balançar as redes pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo
Foto: Michael Reaves / Equipe / Getty Images

"Aqui ele se sente livre por poder ir à praia, surfar, se divertir, ficar com os amigos, sentar na calçada e conversar por horas. É um lugar realmente muito especial e que dá essa liberdade de poder aproveitar o simples da vida", diz Italo. Após a queda do Brasil na Copa, Cunha passou parte das férias no litoral brasileiro, ao lado do surfista e outros amigos. 

E quem se daria melhor: Matheus Cunha no surfe ou Italo Ferreira no futebol? O surfista ficou dividido, mas arriscou dizer que o amigo pode ter sucesso em competições em piscinas de ondas. 

"Com piscina, tinham grandes chances dele se dar muito bem. No meu caso, eu corro muito, mas em habilidade fica um pouco mais difícil. Talvez na marcação, um zagueiro. Mas acho ambos se dariam bem, os dois se dedicam muito quando existe um objetivo", completou. 

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Em descanso, mas de olho na temporada do CT

Italo aproveitou a pausa para descansar ao lado dos amigos e da família, especialmente a esposa, Sofia Larocca, e o filho Martin, de 7 meses. Mas, a partir da próxima sexta-feira, 31, o surfista deve 'virar a chave' e voltar seu foco para a segunda metade da temporada na elite do surfe mundial. 

O potiguar é o atual vice-líder do ranking masculino, atrás do italiano Leonardo Fioravanti por apenas 85 pontos (33.930 contra 33.845). Na sequência, outros quatro brasileiros fecham o top 6 do CT da WSL: Yago Dora (32.950), Gabriel Medina (27.610) e os irmãos Miguel e Samuel Pupo (27.130 e 24.640 pontos). 

"Agora é a reta final, onde começa a afunilar e vai definir quem vai buscar e disputar o título. Depois do dia 31 (de julho), a gente volta ao objetivo e ao propósito. Estou preparando meu corpo, sofrendo bastante para poder treinar, melhorar em alguns detalhes", contou.

Na temporada, Italo venceu a etapa de Raglan, na Nova Zelândia, foi vice-campeão em Punta Roca, em El Salvador, e chegou às semifinais de Margaret River, na Austrália. Em Saquarema, no Rio de Janeiro, parou nas oitavas diante do atual campeão olímpico, o francês Kauli Vaast. A próxima parada, entre 8 e 18 de agosto, é Teahupo'o, no Taiti, etapa vencida pelo potiguar em 2024. 

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Ítalo Ferreira surfa com golfinhos durante aquecimento para a etapa de Margaret River da WSL
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"É uma etapa em que eu sempre vou bem, tenho grandes perfomances, já venci em 2024. Se eu repetir o feito, para mim é incrível. Até porque eu venho de um lugar onde eu nunca nem imaginei que existia aquele tipo de onda", afirmou. 

"Até publiquei há algumas semanas, falando exatamente sobre o lugar de onde eu vim e como eu tive que me moldar para competir nas ondas do mundo. Então, (Teahupo'o) é um lugar muito desafiador, com ondas que às vezes eu penso: 'Como é que eu vou surfar essas ondas se eu nunca vi na vida?', que testa de verdade. Espero que esse momento, entre competição, Dia dos Pais, possa ser feliz, abençoado", complementa. 

A temporada ainda reservou uma surpresa desagradável: dois antes da etapa de Punta Roca, o brasileiro sofreu um acidente enquanto treinava. Ele acabou 'atropelado' por outro surfista e levou oito pontos na região do joelho direito. Mesmo sem conseguir andar direito, Italo competiu e chegou à final, em que Fioravanti levou a melhor. 

Lesão de Italo Ferreira sofrida durante sessão de treino no litoral de El Salvador
Foto: Reprodução/Redes Sociais

"Eu acho que eu saí no lucro. Porque eu nem imaginava que eu ia competir naquele momento, em El Salvador, onde eu machuquei e acabei ficando em segundo naquele evento. Depois fui ao Rio de Janeiro, perdi ali nas nas oitavas, mas consegui me manter no topo ainda", disse.

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Ainda em meio à pausa, Italo também serviu como inspiração para as crianças e alunos da própria fundação, o Instituto Italo Ferreira, em Baía Formosa. Além de contar histórias sobre a carreira e trajetória, o surfista posou para fotos e distribuiu autógrafos para os jovens. 

E ele ainda participou de uma campanha de Dia dos Pais da Riachuelo, em que emocionou os fãs ao posar ao lado do pai, carinhosamente conhecido como 'Seu Luizinho', e relembrou o apoio recebido no início da carreira. 

Fonte: Portal Terra
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