Se Marco Bezzecchi, Francesco Bagnaia e Luca Marini encontraram pontos positivos no novo formato da MotoGP para 2027, Pedro Acosta e Marc Márquez estão no outro lado da discussão.
Os dois demonstraram preocupação com o aumento da intensidade dos fins de semana, especialmente pela criação de uma classificação exclusiva para a Sprint. Jorge Martín também fez ressalvas, principalmente em relação ao aumento do risco e à falta de participação dos pilotos na decisão.
Para Pedro Acosta, o problema não está simplesmente em ter uma segunda classificação, mas na quantidade de sessões em que os pilotos precisariam andar no limite. Na sua visão, o calendário já possui momentos de risco suficientes com os treinos, classificações, Sprint e corrida principal.
Com a nova programação, os pilotos terão ainda mais situações em que precisarão buscar o máximo desempenho em pouco tempo.
“Estamos arriscando demais. Nós não pilotamos carros.”
"Quando sofremos uma queda, mesmo que seja pequena, é o nosso corpo que entra em contato com o chão, e não o cockpit. Por isso, acho que deveríamos pensar sobre isso.”
O espanhol considera que a combinação entre 22 etapas, 22 Sprints e o novo formato de classificação aumenta demasiadamente a exposição dos pilotos a acidentes. E chegou a defender uma mudança mais radical: reduzir aproximadamente pela metade o número de corridas Sprint durante a temporada.
Para ele, a MotoGP deveria buscar maneiras de retirar sessões de maior risco, e não acrescentar outras. O piloto também questiona a ausência do Warm Up, principalmente porque uma queda no sábado poderia deixar uma equipe sem uma oportunidade adequada de verificar a moto antes do domingo.
Acosta resumiu sua preocupação de maneira ainda mais forte ao afirmar que, se a situação continuar nesse caminho, as carreiras dos pilotos serão cada vez mais curtas.
Marc Márquez também recebeu a mudança com críticas. Para o piloto da Ducati, o formato atual já funcionava e não havia necessidade de aumentar a exigência dos fins de semana.
Márquez reconhece que os pilotos terão de se adaptar, mas questiona a necessidade da mudança e, principalmente, o processo que levou a essa decisão. Segundo ele, equipes e organização tomaram a decisão sem que os pilotos fossem consultados da maneira que ele considerava adequada.
“Sim, a questão é entender qual é o principal objetivo dessa mudança, porque, para o piloto, ela significa apenas um fim de semana mais intenso e mais exigente.
“Com o formato atual, já é suficiente. Mas nós não decidimos. É assim que as coisas são, e temos que ficar calados.”
O espanhol também concordou com a preocupação de Acosta sobre o possível impacto da nova estrutura na carreira dos pilotos.
Jorge Martín adotou uma posição um pouco mais moderada, mas também demonstrou preocupação. O campeão de 2024 reconheceu que os pilotos precisarão se adaptar ao novo sistema, porém acredita que será necessário controlar melhor os riscos porque haverá mais momentos em que todos estarão tentando atacar.
Segundo Martín, os pilotos deveriam ser ouvidos antes que mudanças desse tamanho fossem implementadas. Para ele, somente com uma posição mais unida da categoria seria possível aumentar a influência dos competidores nas decisões.
Jack Miller também está entre os pilotos que levantaram dúvidas sobre a mudança, principalmente pela retirada do Warm Up e pela redução do tempo de pista.
O australiano entende que o espetáculo da MotoGP está diretamente ligado ao tempo que os pilotos passam na pista e questiona a lógica de reduzir essa atividade em nome de um final de semana mais compacto.
“Eu acho que um formato de dois dias, ou algo desse tipo, poderia ser bom, mas seria preciso concentrar tudo nesses dois dias”
“Para o espectador comum, é difícil se ausentar por três dias durante o fim de semana... sexta, sábado e domingo.”
A preocupação com o Warm Up é especialmente relevante porque a sessão permite aos pilotos verificar o comportamento da moto antes da corrida e fazer os últimos ajustes necessários.