Esquiva Falcão vende medalha olímpica e desabafa: 'Mesmo após o pódio, falta apoio, valorização'

Pugilista capixaba, prata em Londres-2012, quer usar dinheiro do negócio para investir em academia própria

20 abr 2026 - 20h41

O pugilista Esquiva Falcão revelou que vendeu a medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Londres-2012 na categoria peso médio, seu maior feito na carreira. Nas redes sociais, o capixaba de 36 anos desabafou sobre as dificuldades dos atletas olímpicos brasileiros.

Publicidade

"Hoje me despeço de um dos maiores símbolos da minha vida: minha medalha olímpica. Minha maior conquista no boxe. Representa muito mais do que prata, representa a luta de um menino sonhador (...) Estou muito triste com isso, essa decisão que tomei doeu muito. Porque essa medalha carrega parte da minha alma, minha família. Não é apenas uma medalha", explicou em vídeo publicado no Instagram.

Esquiva Falcão vende medalha de prata conquistada em Londres-2012
Esquiva Falcão vende medalha de prata conquistada em Londres-2012
Foto: Dida Sampaio/Estadão / Estadão

"Essa decisão me fez refletir sobre uma realidade dura do nosso país. Muitas vezes o atleta olímpico não recebe o devido valor. Mesmo após o pódio, falta apoio, valorização. Vender essa medalha não apaga minha história, porque o verdadeiro valor nunca esteve no metal, e sim em tudo que ela simboliza".

Esquiva Falcão ressaltou que a venda não foi por dívidas. Ele disse que não queria se desfazer da medalha, mas usará o dinheiro do negócio para abrir sua própria academia, além de proporcionar mais estabilidade financeira para os três filhos e para toda a família.

"Eu não vendi a medalha por dívida financeira. Dívida todo mundo tem, né? Um pai de família com três crianças tem dívidas. Mas esse não foi o motivo da venda. Hoje eu tenho uma reserva, não é muito, mas tenho. Um dos motivos pelos quais eu vendi a medalha foi porque quero abrir a minha própria academia. Hoje tenho uma, mas o lugar é alugado. Além disso, quero dar uma vida melhor aos meus filhos. Quero deixar bem claro também: ninguém vende a medalha porque quer, sempre existe um motivo. Negociamos o valor, não vou falar porque combinamos. Também não vou falar o nome da pessoa porque não tenho autorização. Mas foi um valor que vai me ajudar muito na construção da minha academia, na base da minha família", declarou.

Publicidade

Esquiva Falcão é irmão de Yamaguchi Falcão, medalhista de bronze também em Londres, e um dos principais pugilistas de sua geração no Brasil. No boxe olímpico, ele tem 32 vitórias e somente duas derrotas. Já no profissional, o capixaba disputou um título mundial em 2023, o cinturão peso médio (72,6 kg) da Federação Internacional de Boxe (IBF), mas acabou sendo derrotado pelo alemão Vincenzo Gualtieri.

Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se