Após o Governo Federal proibir a publicidade de casas de apostas, o Governo de Minas Gerais anunciou R$ 32 milhões em patrocínios para amenizar as perdas financeiras dos clubes locais a partir de 2027. Os recursos virão da Cemig e da Codemig, destinando R$ 15 milhões para o Atlético-MG, R$ 15 milhões para o Cruzeiro e R$ 2 milhões para o América-MG. Com duração de um ano, o acordo visa garantir estabilidade ao futebol mineiro, e o Estado estuda expandir o apoio a outros times, como Athletic e Uberlândia.
Atlético-MG, Cruzeiro e América-MG terão um novo patrocinador a partir de 2027. O Governo de Minas Gerais anunciou nesta terça-feira (29) um acordo de R$ 32 milhões com os três principais clubes do estado, em uma resposta à perda dos contratos comerciais com casas de apostas após a nova Medida Provisória do Governo Federal. As informações são do O Tempo.
Os valores serão distribuídos de forma diferente entre as equipes. Atlético e Cruzeiro receberão R$ 15 milhões cada, enquanto o América ficará com R$ 2 milhões. O acordo terá duração de um ano, e os recursos devem chegar aos cofres dos clubes em janeiro de 2027.
A participação será feita pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig) e pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Os nomes das empresas serão estampados nos uniformes, em espaços que ainda serão definidos e que não necessariamente corresponderão ao patrocínio master.
"Quero dizer que é um ato de responsabilidade com o futebol de Minas Gerais e com as nossas torcidas. Esses contratos serão assinados ao longo dos próximos dias, mas o compromisso já está firmado no valor de R$ 32 milhões", afirmou o governador Mateus Simões.
"Também quero dizer que tomamos como parâmetro o que é praticado no Sul pelo Banrisul e o que já foi praticado no passado em Minas Gerais. Portanto, não estamos fazendo aqui nada que esteja fora do que é absolutamente previsto", completou Simões.
O Governo do Estado de Minas Gerais anunciou, na manhã desta terça-feira (29/9), em um evento no Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), no bairro Lourdes, que vai fornecer um auxílio de R$ 32 milhões aos clubes mineiros que vão ficar sem o patrocínio de bets. O valor… pic.twitter.com/8OSwsbfqp5
— O TEMPO (@otempo) September 29, 2026
Atlético e Cruzeiro terão reposição parcial
A medida chega justamente em um momento de mudança no cenário de patrocínios do futebol brasileiro. A Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país, incluindo os patrocínios relacionados ao setor.
No Atlético, a H2Bet ocupa o espaço master do uniforme em um contrato firmado em 2025. O vínculo tinha duração prevista até dezembro de 2027, com valor de R$ 60 milhões por temporada.
O Cruzeiro, por sua vez, tinha a Betnacional como patrocinadora master, em acordo válido até o fim de 2026 e com valores estimados em R$ 43 milhões. Já o América possui vínculo com a Betbra.
Pedro Lourenço, que participou da reunião representando o Cruzeiro, destacou o impacto provocado pela mudança no mercado de apostas e valorizou a iniciativa do governo estadual.
"Todo mundo, o Brasil todo, foi surpreendido na sexta-feira. É muito grande para os clubes. A gente vai pensando, refazendo as contas, e não é fácil falar hoje o tamanho disso, mas é muito grande. Com essa iniciativa do nosso governador, vai nos ajudar bastante. A gente espera também retomar esse apoio das empresas mineiras como patrocínio. Acho que vai ser muito importante e vai nos ajudar bastante", afirmou.
Governo também negocia com Athletic e Uberlândia
O acordo anunciado nesta terça-feira não contempla, por enquanto, todos os clubes mineiros que disputam competições nacionais. O Governo de Minas ainda pretende negociar com Athletic, de São João del-Rei, atualmente na Série B, e Uberlândia, que disputará a Série C em 2027.
Renato Salvador, um dos acionistas do Atlético, também participou do encontro e destacou a importância do futebol para o estado.
"Todos nós sabemos da importância que é o futebol para os mineiros. O governador, como é de praxe, agiu de forma objetiva e rápida para ajudar nesse momento que estamos passando, na ausência do patrocínio das bets", afirmou.
Marcus Salum, coordenador do Grupo de Gestão do América, também ressaltou o trabalho desenvolvido pelo clube nas categorias de base e no futebol feminino ao comentar o acordo.
"O futebol passa por um momento difícil, especialmente o nosso clube. Como contrapartida, temos como visão no América: escolinhas, futebol feminino e categorias de base fortes. Acho que é isso o que sustenta o negócio do futebol: a paixão dos garotos e a valorização do futebol feminino. É o trabalho social que o futebol pode exercer. Temos 12 mil meninos em escolinhas hoje em Minas Gerais. É a coisa certa, na hora certa. Os clubes precisam disso agora, e vocês fizeram no momento que estamos precisando. O meu muito obrigado", disse.
Proibição das bets muda cenário dos clubes
A decisão do Governo Federal entrou em vigor imediatamente. Pela nova regra, as empresas autorizadas anteriormente não podem oferecer novas apostas nem realizar publicidade no país. O material publicitário e os patrocínios devem ser retirados até 5 de outubro, enquanto sites e aplicativos deverão sair do ar a partir de 6 de outubro.
Antes mesmo da publicação da MP, clubes brasileiros já discutiam alternativas para reduzir o impacto financeiro do fim dos contratos com empresas do setor. Em Minas Gerais, a resposta veio com o anúncio de novos acordos de patrocínio envolvendo empresas estaduais.
O próximo passo será a formalização dos contratos entre Cemig, Codemig e os clubes. A expectativa é que os R$ 32 milhões sejam repassados às equipes em janeiro de 2027.