O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin aproveitou a cerimônia de premiação da Supercopa para entregar pessoalmente uma medalha ao árbitro Omar Artan, que comandou a partida entre PSG e Aston Villa nesta quarta-feira (12). O gesto, embora faça parte do protocolo adotado atualmente pela entidade, ganhou um significado especial diante do histórico recente do juiz somali com a Fifa.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos impediu a entrada de Artan, de 34 anos, antes da última Copa do Mundo, embora a Fifa o tivesse selecionado para trabalhar no torneio. Meses depois do episódio, a Uefa colocou o juiz no centro de uma de suas principais partidas e o transformou no primeiro árbitro de fora da Europa a comandar uma final organizada pela entidade.
A escolha ocorreu em meio ao crescente desgaste entre Ceferin e Gianni Infantino, presidente da Fifa. A relação entre os dirigentes se deteriorou nos últimos meses, especialmente pela aproximação de Infantino com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Além disso, tiveram divergências sobre o futuro das competições internacionais.
Uefa aumenta pressão sobre Infantino
A entidade europeia passou a adotar uma postura mais dura em relação à administração da Fifa. A Uefa ameaça boicotar torneios intercontinentais e afirma não confiar mais em Infantino.
Um dos principais pontos de conflito envolve a intenção atribuída à Fifa de criar uma subsidiária e negociar ações de suas competições com investidores privados. A Uefa espera receber garantias de que o projeto não terá continuidade.
Nesse cenário, a presença de Artan na Supercopa e a entrega da medalha por Ceferin ganharam uma dimensão política. As autoridades estadunidenses afetaram diretamente o árbitro com sua decisão antes da Copa, enquanto Infantino afirmou, na ocasião, que a situação era lamentável, mas que a Fifa não controlava todos os acontecimentos.
Artan relembra episódio antes da Copa
A história envolvendo o árbitro começou antes do Mundial, quando ele chegou ao Aeroporto Internacional de Miami e não conseguiu autorização para entrar nos Estados Unidos. O Departamento de Estado americano alegou que Artan teria ligação com pessoas suspeitas de pertencer a organizações terroristas. Segundo as autoridades, essa suposta relação o tornava inelegível para entrar no país.
O somali negou as acusações. O episódio provocou forte repercussão em seu país, onde Artan foi recebido como herói depois de retornar. Em entrevista, o árbitro admitiu que atravessou um período difícil após a Fifa retirá-lo da competição.
"Foi um período muito difícil", reconheceu Artan.
O árbitro também destacou o apoio recebido de pessoas que compreenderam a dimensão da frustração.
"Muitas pessoas demonstram solidariedade porque, quando você trabalha por muitos anos para realizar um projeto e, no final, não consegue realizá-lo, é muito difícil", afirmou.
Agora, poucos meses depois de ficar fora da Copa, Artan voltou a um grande palco internacional. E recebeu a medalha das mãos justamente de Ceferin, em um gesto que reforça a posição da Uefa em meio à disputa política com a Fifa.
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