Alexandre Gama, técnico brasileiro que fez sucesso na Tailândia conquistando diversos títulos, desabafou sobre a falta de oportunidades no Brasil, onde acredita que clubes priorizam nomes famosos em vez de trabalhos consistentes.
Logo em seu primeiro trabalho no futebol profissional, Alexandre Gama comandou nomes como Romário, Edmundo e Léo Moura ao assumir o Fluminense com a missão de colocar a equipe nos trilhos no Brasileirão de 2004. Apesar de o objetivo ter sido concluído dentro de campo --mesmo com ‘tretas’ com os medalhões do elenco--, o técnico não voltou a ter mais chances em times grandes do cenário nacional.
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Ele passou por equipes do interior de São Paulo e Rio de Janeiro, além de experiências nos Emirados Árabes, Coreia do Sul e Catar, até chegar ao capítulo principal de sua carreira: a Tailândia. Atualmente, ele comanda o Port FC, no país do sudoeste asiático.
“No meu primeiro trabalho no profissional do Fluminense, a gente foi super bem. Só que naquela época o futebol não dava oportunidade para treinadores novos. Era uma outra ideia de mercado, então tive que me mudar para times pequenos para poder trabalhar. Foi um desenvolvimento de carreira excelente. Vi também que eu poderia receber propostas para trabalhar fora e apostei tudo nisso”, explica ao Terra.
O desembarque em território tailandês foi logo no time mais vitorioso do país, o Buriram United. Os dois anos na equipe foram suficientes para conduzi-los a oito títulos, incluindo o bicampeonato nacional.
As conquistas o fizeram receber o prêmio individual de melhor treinador entre todas as modalidades, em uma espécie de ‘Oscar’ do esporte local. Com a história escrita no Buriram, Gama mudou-se para o Chiangrai United, em 2017.
Mesmo na equipe de menos tradição, o treinador brasileiro somou mais quatro títulos para seu currículo e foi chamado para comandar a seleção olímpica tailandesa. Foi neste período que recebeu as duas propostas para voltar ao Brasil, em times que prefere não revelar.
Na época, o respeito ao contrato o fez recusar as duas propostas. Diferentemente da época, Gama hoje sente que chegou a hora de voltar ao Brasil, apesar de saber que o mercado não é o mais fácil de ser acessado.
“O Brasil não procura um treinador que tem trabalho, ele procura um treinador pelo nome. E eu não tenho um nome muito forte no Brasil. Só que todos os títulos que eu conquistei na Tailândia não foram de graça. As pessoas poderiam vir aqui avaliar meu trabalho, ver como meu time joga, porque eu ganho tanto título aqui. Mas eles não procuram isso. Eles procuram um treinador pelo nome que vai satisfazer a torcida, em vez de levar um treinador que é o treinador certo pela filosofia de trabalho dos jogadores que tem, o que querem implantar no clube”, explica o ex-treinador do Fluminense.
Quanto ao estilo de jogo de suas equipes, Gama gosta de times ágeis, que pressionem os adversários e tenham a posse de bola. Ainda assim, o esquema varia de acordo com os jogadores que têm em mãos. “Meus times são muito organizados, bem preparados para qualquer situação de jogo”, completa.
Durante sua passagem pelo Fluminense, Gama ficou marcado por afastar os medalhões do badalado elenco montado com apoio da Unimed. Em uma dessas ‘tretas’, o técnico teve de ouvir provocações públicas de Romário.
“Entrou no ônibus agora e já quer sentar na janelinha”, disse o Baixinho, que acabou afastado do elenco tricolor. Após o episódio, o treinador teve vida curta no comando do Fluminense e saiu no mesmo ano. Em 2005, ainda voltou para um trabalho à frente das categorias de base das Laranjeiras.