A Federação Francesa de Futebol retirou por unanimidade o apoio à reeleição de Gianni Infantino na Fifa para o pleito de 2027, alegando quebra de confiança e falhas de governança. O desgaste cresceu após a polêmica proposta de privatização de direitos comerciais da entidade e amplia a oposição europeia ao dirigente, já endossada por países como Inglaterra e Itália. Apesar do avanço da UEFA em buscar uma candidatura alternativa, Infantino ainda conta com o suporte de confederações como a Conmebol e a CAF.
A Federação Francesa de Futebol (FFF) retirou o apoio à candidatura de Gianni Infantino à reeleição como presidente da Fifa. A decisão foi tomada por unanimidade pelo comitê executivo da entidade nesta quinta-feira (10) e representa uma mudança importante no cenário político antes da eleição, marcada para março de 2027.
O presidente da FFF, Philippe Diallo, afirmou que a decisão ocorreu após uma quebra de confiança em relação ao atual mandatário da Fifa. Segundo o dirigente, a forma como a entidade vem sendo administrada deixou de corresponder à visão defendida pela federação francesa.
"A confiança depositada no presidente da Fifa foi quebrada. A maneira como imaginamos a gestão do futebol mundial não corresponde mais à forma como ela está sendo conduzida", declarou Diallo.
A França havia apoiado a candidatura de Infantino no fim de junho, quando o suíço era o único candidato declarado à presidência da Fifa. Entretanto, acontecimentos posteriores fizeram com que a federação revisse sua posição.
"As condições para nosso apoio à sua candidatura não existem mais", explicou o presidente da FFF.
Entre os principais motivos para o desgaste está o projeto Fifa Forward Enterprise, que previa a entrada de investidores privados em uma estrutura responsável por parte dos direitos comerciais das competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo. A proposta envolvia a venda de uma participação de 20% no negócio.
O projeto foi abandonado no fim de julho após sofrer forte resistência de diferentes confederações. UEFA, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol estiveram entre as entidades que questionaram a iniciativa e defenderam maior transparência na administração da Fifa.
Para Diallo, a forma como o projeto foi apresentado também levantou dúvidas sobre a governança da entidade. O dirigente afirmou que as federações não foram consultadas de maneira adequada e não receberam informações suficientes antes da proposta avançar.
A disputa chegou até a esfera judicial. A UEFA solicitou a tribunais dos Estados Unidos acesso a documentos confidenciais relacionados ao projeto para avaliar possíveis medidas legais na Suíça. A Fifa, por outro lado, acusou a entidade europeia de promover uma "campanha de difamação" contra Infantino.
Oposição europeia aumenta
Com a decisão da França, Infantino perde o respaldo de mais uma federação de peso na Europa. Inglaterra, Itália, Bélgica, Suécia e Escócia estão entre as associações que também retiraram ou deixaram de oferecer apoio ao suíço.
A movimentação aumenta a pressão sobre o atual presidente da Fifa e reforça a busca de parte da UEFA por uma alternativa para a eleição de 2027. Além das críticas à gestão da entidade, Infantino também é questionado por sua proximidade com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relação que ganhou destaque durante a Copa do Mundo de 2026.
Apesar da crescente resistência na Europa, Infantino ainda possui aliados importantes. O dirigente conta com o apoio da Conmebol, que reúne as federações sul-americanas, e da Confederação Africana de Futebol (CAF).
Diallo defendeu que a oposição a Infantino seja acompanhada de uma alternativa concreta para a liderança da Fifa. Para o francês, não basta apenas criticar o atual presidente: é necessário apresentar propostas para o próximo ciclo.
"Não basta apenas criticar se você quer que as coisas avancem. É preciso também apresentar propostas", afirmou.
O presidente da FFF também cobrou que a UEFA estabeleça uma plataforma para o próximo ciclo de liderança e escolha, posteriormente, um candidato capaz de disputar a presidência da entidade.
"Precisaremos estar prontos até lá para apresentar uma candidatura capaz de conquistar a presidência da Fifa", completou Diallo.
A eleição para a presidência da Fifa será realizada em Rabat, no Marrocos, em 18 de março de 2027. O prazo final para apresentação das candidaturas termina em 18 de novembro deste ano.