O ex-goleiro Borislav Mihaylov morreu nesta terça-feira (31), em Sófia, na Bulgária, aos 63 anos. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal português Sic Notícias.
Um dos maiores nomes da história do futebol búlgaro, ele não resistiu às complicações de um acidente vascular cerebral (AVC) sofrido no fim de 2025, do qual nunca conseguiu se recuperar.
Ídolo nacional, Mihaylov foi capitão da seleção búlgara e somou 102 partidas internacionais, consolidando-se como uma das principais figuras da chamada "geração de ouro" do país.
Ele participou das Copas do Mundo de 1986, no México, e 1994, nos Estados Unidos, sendo titular em ambas e protagonista na campanha histórica que levou a Bulgária às semifinais do Mundial norte-americano.
Nas oitavas de final da Copa de 1994, contra o México, Mihaylov teve atuação decisiva na disputa por pênaltis, defendendo uma cobrança fundamental para a classificação búlgara. A intervenção do goleiro naquele confronto é lembrada até hoje como um dos lances mais emblemáticos da campanha que terminaria com a quarta colocação da equipe.
Além do desempenho em campo, o goleiro também chamou atenção durante o torneio pelo visual inusitado: conhecido por ser careca, apareceu nos Estados Unidos com uma prótese capilar, o que gerou curiosidade e repercussão na época.
Revelado pelo Levski Sofia, onde é considerado o maior goleiro da história, conquistou títulos nacionais e individuais, incluindo o prêmio de Futebolista do Ano da Bulgária em 1986.
Atuou ainda por Botev Plovdiv e Slavia Sofia, além de passagens pelo futebol europeu em equipes como Belenenses, de Portugal, Mulhouse, da França, Reading, da Inglaterra, e FC Zurique, da Suíça, onde encerrou a carreira em 1999.
No futebol português, defendeu o Belenenses por duas temporadas, entre 1989 e 1991, somando dezenas de partidas e deixando boa impressão no clube do Restelo.
Após pendurar as luvas, Mihaylov tornou-se dirigente da União Búlgara de Futebol, integrando inicialmente o comitê executivo e, posteriormente, assumindo a presidência da entidade em 2005.
Com uma breve interrupção entre 2019 e 2021, permaneceu no cargo por quase duas décadas, tornando-se o dirigente mais longevo da história da federação. Também fez parte do Comitê Executivo da Uefa por oito anos.
Pelo impacto no futebol e no país, foi condecorado com a Ordem Stara Planina de I grau, a mais alta honraria da Bulgária, recebida após a campanha histórica de 1994. Nos últimos anos, ainda participou de iniciativas ligadas à memória daquela geração, como a Fundação Nacionais 94, ao lado de nomes como Hristo Stoichkov e Krasimir Balakov.
Stoichkov, principal estrela da Bulgária naquele Mundial, lamentou publicamente a perda: "O nosso capitão, o nosso líder, o nosso amigo deixou-nos. Não consigo parar de chorar". Ele ainda afirmou que o ex-goleiro se juntaria "a um mundo melhor" a antigos companheiros já falecidos, como o zagueiro Trifon Ivanov.
A ginasta Maria Petrova, esposa de Mihaylov e tricampeã mundial de ginástica rítmica, também prestou uma homenagem emocionada, destacando a importância do ex-jogador em sua vida pessoal.