A condenação de Harry Maguire pela Justiça grega continua repercutindo, mas agora pelas críticas de policiais envolvidos no caso. Segundo os agentes, o zagueiro do Manchester United não apresentou qualquer pedido de desculpas durante a audiência — atitude considerada desrespeitosa e que reacendeu debates sobre a conduta de atletas de elite fora de campo.
Condenado a 15 meses de prisão, com pena suspensa, o defensor foi considerado culpado por agressão, resistência à autoridade e tentativa de suborno. O incidente ocorreu em agosto de 2020, enquanto o jogador desfrutava de férias na ilha de Mykonos, e envolveu confronto com policiais locais.
O advogado dos agentes, Ioannis Paradissis, explicou que os policiais esperavam ao menos um gesto de arrependimento do atleta. Em entrevista ao jornal português A Bola, destacou a gravidade da omissão: "Durante a audiência, os agentes que foram vítimas estiveram presentes esperando, no mínimo, um pedido de desculpas. Um gesto elementar de respeito".
"Absolutamente inaceitável"
Ainda segundo Paradissis, a ausência de desculpas demonstra uma postura inaceitável do jogador: "Não foi feito qualquer pedido de desculpas. Essa atitude diz muito sobre o caráter do acusado. Absolutamente inaceitável que agentes da polícia sofram danos físicos enquanto exercem as suas funções. Mesmo com lesões classificadas como leves".
O advogado também defendeu que autoridades esportivas avaliem o episódio. Em sugestão, recomendou que um atleta com antecedentes criminais de violência não deveria manter status de figura pública e modelo para jovens.
"Os organismos desportivos competentes devem examinar este caso sem demora. É incompatível com os valores do esporte que alguém com antecedentes criminais por violência continue a atuar como atleta de elite. Não pode se manter figura pública admirada por jovens", completou.
Versão de Harry Maguire
O caso ganhou ainda repercussão pelo relato do próprio zagueiro à BBC. Ele afirmou que, no momento da abordagem, acreditou que se tratava de um sequestro. Segundo o jogador, policiais à paisana o retiraram do micro-ônibus de seu grupo, bateram em suas pernas e disseram que sua carreira estava encerrada.
"Me bateram muito nas pernas. Eu não estava pensando em nada, só em pânico. Com medo pela minha vida. Não sinto que devo desculpas a ninguém. Obviamente a situação tornou as coisas difíceis para um dos maiores clubes do mundo. Então, lamento ter feito os torcedores e o clube passarem por isso, mas não fiz nada de errado", disse em um trecho.
O contexto, para além da gravidade, envolvia também o momento profissional do jogador. Isso porque entre 2019 e 2020, o zagueiro havia acabado de se transferir ao United em uma transação de 80 milhões de euros junto ao Leicester. À época, o acordo se tornou o mais caro da história por um atleta dessa posição.
Apesar das negociações judiciais que poderiam encerrar o caso, o zagueiro manteve a intenção de seguir com o processo para limpar seu nome. A sentença final reconheceu a responsabilidade, mas considerou as infrações de menor gravidade, mantendo a repercussão sobre sua conduta.
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