O futebol feminino brasileiro pode sofrer forte impacto financeiro com o avanço do PL 2.470/2026 no Senado, que visa proibir o patrocínio de casas de apostas a clubes e competições esportivas. As bets tornaram-se vitais para a modalidade, ocupando metade dos patrocínios máster da Série A1 em 2026. A proposta prevê 24 meses para a rescisão dos contratos vigentes, impondo às equipes o desafio crítico de encontrar novas fontes de receita em um mercado já mais restrito que o do futebol masculino.
As bets se tornaram uma das principais forças comerciais do futebol feminino brasileiro, ocupando espaços nobres nos uniformes e ajudando a ampliar as receitas de clubes que ainda trabalham com uma estrutura financeira menor que a do futebol masculino.
Em 2025, 11 marcas de apostas patrocinaram 12 dos 16 clubes da Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino, segundo o IBOPE Repucom. O setor ficou atrás apenas do financeiro em número de marcas e teve forte presença nos patrocínios máster.
Em 2026, a concentração permaneceu. Levantamento do Poder360 identificou nove dos 18 clubes da Série A1 com uma casa de apostas como patrocinadora máster, metade dos participantes da principal divisão nacional.
Agora, esse modelo comercial entrou em uma nova fase. Em setembro, a CCT do Senado aprovou o substitutivo do PL 2.470/2026, que proíbe patrocínios de bets a clubes, entidades esportivas, federações, ligas e competições. A proposta segue em tramitação.
Cada contrato representa uma receita a substituir
Para os clubes, o desafio não será apenas retirar a logomarca, mas encontrar outra empresa disposta a pagar pela propriedade comercial. No futebol feminino, a questão ganha peso porque a modalidade ainda movimenta receitas menores que o masculino.
Em 2025, por exemplo, os 16 clubes da Série A1 reuniram 92 marcas diferentes em seus uniformes, enquanto os 20 clubes da Série A tiveram 164. A média foi de 5,8 marcas por equipe feminina, contra 8,1 no masculino.
A saída das bets, portanto, pode abrir um espaço relevante nas receitas comerciais de determinados clubes. O tamanho dessa conta, porém, não pode ser calculado simplesmente pela soma dos contratos anunciados pelas casas de apostas.
Quanto o futebol feminino pode perder
Não há uma cifra pública consolidada sobre quanto as bets investem exclusivamente no futebol feminino. Isso porque contratos que abrangem equipes masculina e feminina geralmente divulgam apenas o valor total da parceria.
Não é possível atribuir todo esse valor ao futebol feminino, já que muitos acordos envolvem as duas equipes. Ainda assim, os dados mostram que as bets ocupam uma parcela relevante dos patrocínios da modalidade.
A presença das bets é maior que a cifra conhecida
O levantamento do IBOPE Repucom mostra que as bets estavam em 12 dos 16 clubes da Série A1 em 2025. Das 92 marcas presentes nos uniformes, metade também patrocinava equipes masculinas e metade atuava exclusivamente no futebol feminino.
O dado revela um mercado em transformação. O futebol feminino já consegue atrair empresas próprias para seus uniformes, mas ainda depende de um número relativamente limitado de grandes categorias comerciais, o que aumenta o peso de setores como o de apostas.
Nesse cenário, a saída das bets terá impacto diferente entre os clubes. Equipes com maior exposição e força comercial possuem mais propriedades para oferecer e maior capacidade de buscar substitutos. Para outras, a reposição pode ser mais difícil.
O que muda com o PL 2.470/2026?
O substitutivo aprovado pela CCT proíbe patrocínios de bets a clubes, entidades esportivas, federações, ligas e competições, além de restringir exposição de marca, naming rights, licenciamento e ações com embaixadores.
O texto prevê prazo de até 24 meses para adequação ou encerramento dos contratos existentes. Novos acordos, renovações e prorrogações também ficam submetidos às regras previstas no substitutivo apresentado.
A proposta ainda tramita no Senado após passar pela CCT e seguir para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS). Por isso, os contratos atuais não podem ser considerados encerrados, nem os valores tratados como perdas já concretizadas.