Durante os intervalos de hidratação nas partidas da Copa do Mundo de 2026, a imagem de jogadores de futebol cuspindo um líquido no gramado fica registrada como uma atitude anti-higiênica. Mas, afinal, por quê isso? O cuspe no gramado, chamado tecnicamente de gargarejo de carboidrato (carbohydrate rinsing, em inglês), é realizado na rápida hidratação dos atletas.
O bochecho do isotônico ativa as estruturas sensoriais presentes na língua devido ao papel energético do carboidrato. A técnica possui fundamentos científicos que comprovam sua eficácia. “O gargarejo de carboidrato estimula receptores na cavidade oral, transmitindo informações ao cérebro que auxiliam no processo de recuperação da fadiga e da reposição energética”, afirma o médico do esporte e professor da pós-graduação em medicina esportiva do Hospital Albert Einstein, Fellipe Savioli.
Para o médico membro do Instituto Olímpico de São Paulo, Matheus Winckler, a prática impacta em até 2% no restabelecimento da performance. “As áreas cerebrais, que atuam na sensação de recompensa e estímulo ao atleta, são ativadas sem mesmo a ingestão da bebida. É um processo muito mais rápido que a digestão”, discorre.
O descarte do isotônico ocorre porque a ingestão pode gerar incômodos, como uma sensação de sobrepeso, e atrasar o processo de recomposição. No entanto, de acordo com os especialistas, a prática é recomendada somente para modalidades aeróbicas, como futebol e ciclismo. “Estudos mostram que o gargarejo de carboidrato não é efetivo para a recuperação em modalidades musculares”, complementa Fellipe Savioli.
O que é isotônico?
O isotônico é composto por água, carboidratos e eletrólitos .A absorção do líquido é realizada graças ao papel do sódio, que também atua no equilíbrio hídrico do organismo. Já o carboidrato fornece energia adicional para continuar o exercício. “Em ambientes quentes, o uso do isotônico é recomendado justamente pela perda de água e minerais devido ao suor”, afirma o médico do esporte Gabriel Lima.
O especialista também ressalta que a água é suficiente para a recomposição, mas, quando se trata de alto rendimento, o isotônico é melhor. “Em treinos longos, a bebida é uma aliada importante para manter a hidratação, retardar a fadiga e preservar o desempenho esportivo”, finaliza.