A segunda-feira, 29, começou repleta de esperança para os japoneses que se reuniram em um evento na capital paulista para ver o duelo contra a Seleção Brasileira em busca de uma vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo. Mas, após a euforia do primeiro tempo quando o Japão, abriu o placar, foi a tensão que ganhou espaço com os gols dos brasileiros Casemiro e Gabriel Martinelli no segundo tempo. O apito final veio para cravar o tropeço do Japão para o Brasil e deixar a decepção no ar.
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A reportagem do Terra assistiu ao jogo na Japan House, um centro cultural em São Paulo mantido pelo governo japonês que tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre a cultura nipônica da atualidade. O local, que promove vários eventos e exposições ao longo do ano em um prédio na Avenida Paulista, convidou cerca de 90 pessoas para acompanhar a partida.
Entre os presentes, estavam pessoas da comunidade japonesa, japoneses expatriados -- aqueles que residem ou trabalham fora do seu país de origem --, além do presidente da Japan House, Carlos Augusto Roza. "O jogo foi muito emocionante. Gostei bastante. No final, o Brasil ganhou, mas, se o Japão tivesse ganhado, teria sido bom também", afirmou Roza ao Terra. "Agora a gente torce para um time só, para o Brasil, tenho certeza que de os japoneses estão com a gente", acrescentou.
Quem também estava acompanhando a partida no local era a cônsul-geral do Japão em São Paulo, Yoriko Suzuki. Ela assumiu o cargo no final de 2025 e se tornou a primeira mulher a chefiar o consulado no estado. Enrolada em uma bandeira do Japão, Yoriko disse, antes do jogo, que estava com o "coração dividido" porque é representante do governo do Japão, mas também vive há muito tempo no Brasil e ama a equipe brasileira. "Eu queria que os dois chegassem na final, mas não tem como ser", comentou.
Hoje, a comunidade japonesa no estado de São Paulo é a maior do mundo fora do Japão, com cerca de 1,3 milhão de pessoas. A cônsul também citou a importância de assistir ao jogo do Mundial reunida com a comunidade japonesa na capital paulista. "Eu sei que muitos estão com o coração dividido, mas torcemos juntos para que vença o melhor."
No local, a maioria dos convidados vestia a camisa do Japão e torcia para os Samurais Azuis, mas também havia torcedores com a camisa da Amarelinha. Ao longo de todo o jogo, a tensão tomou conta do ambiente. Após o primeiro gol, a torcida do Japão respirou aliviada, mas, com o empate, todos os olhares se concentraram completamente na partida e poucas reações foram vistas. Quando as pessoas já acreditavam que o jogo ia para a prorrogação, o gol de virada do Brasil nos acréscimos deixou os japoneses incrédulos.
Embora estivesse torcendo para o Japão, o engenheiro Bruno Katakana, 44 anos, que é brasileiro e neto de japoneses, disse que o resultado foi justo. "Achei um jogo bom e foi justo. O Brasil melhorou no segundo tempo e mereceu ganhar, apesar de eu estar torcendo para o Japão. Agora vou torcer para o Brasil, rumo ao hexa", destacou.
A Seleção Brasileira venceu de virada por 2 a 1 os japoneses na tarde de hoje (pelo horário de Brasília), no Estádio de Houston, em Houston, nos Estados Unidos. Essa é a segunda vez que o Brasil enfrenta o Japão em Copas na história, e, mais uma vez, saiu vitorioso. A outra foi em 2006, pela fase de grupos, quando os brasileiros venceram por 4 a 1, no Signal Iduna Park, na cidade alemã de Dortmund, com dois gols de Ronaldo, um de Juninho Pernambucano e um de Gilberto.