Enquanto a torcida brasileira vivia uma catarse com o gol de Martinelli nos acréscimos e a classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo nesta segunda-feira, 29, em dois setores do estádio de Houston os japoneses reagiam com controle à eliminação de sua seleção.
A diferença cultural foi nítida. Ao final do jogo, poucos torcedores saíram de seus lugares nas arquibancadas. Aguardaram silenciosamente enquanto, no gramado, os jogadores reagiam com choro e frustração, mas também contidos.
Cerca de 15 minutos após o apito final, os atletas japoneses se dirigiram a sua torcida e fizeram uma saudação. Receberam em sua direção chuvas de aplausos. No rosto dos torcedores, sorrisos discretos, gratos por ver seu time encarar de frente um pentacampeão mundial, claramente tomados pela honra japonesa tão conhecida e elogiada.
Igualmente exaltada, a limpeza dos torcedores mais uma vez se repetiu. Ao final do jogo, cada um abre uma sacola azul, entregue antes mesmo da entrada, recolhe seus restos de comida, latas e garrafas e sai limpando tudo que encontrar pelas cadeiras. Pausadamente, olham ao redor para não deixar nada para trás, fecham as sacolas e as deixam em pilhas organizadas nas saídas dos setores, no corredor central de cada anel do estádio.
Saem calmamente de suas áreas, não sem antes olhar mais um pouco para o gramado, como se o resultado da partida ainda pudesse ser mudado, mas esticando suas bandeiras e faixas para tirar fotos e guardar na memória – e no celular – seu último momento na Copa de 2026.