Bom Senso FC recoloca clima político no caminho de jogadores da Seleção

Protesto na partida entre Brasil e Honduras seria um duro golpe na CBF, mas dificilmente haverá posicionamento forte como na Copa das Confederações

16 nov 2013 - 10h00
(atualizado às 10h00)
<p>Protestos do Bom Senso FC têm sido dirigidos à CBF</p>
Protestos do Bom Senso FC têm sido dirigidos à CBF
Foto: Heuler Andrey/ Agif / Gazeta Press

O jogo entre Brasil e México na última Copa das Confederações entrou para a história como um momento de junção entre futebol e o ambiente político vivido no País. Cinco meses depois, em proporções e engajamentos diferentes, a Seleção Brasileira voltará a jogar neste sábado, contra Honduras, sob expectativa de posicionamento diante da efervescência no futebol brasileiro decorrente dos protestos organizados pelo Bom Senso FC na última rodada do Campeonato Brasileiro.

Na ocasião citada, mais precisamente no dia 19 de junho, o Brasil vivia o auge da ebulição nas ruas, com manifestações juntando milhares de pessoas em todo o Brasil. A situação exigia o posicionamento dos jogadores da Seleção com o que se passava no País. E assim ocorreu, com palavras de apoio a manifestações pacíficas e um Hino Nacional cantado “no gogó” que virou simbólico para o ambiente vivido na época.

Publicidade
Hino Nacional cantado a plenos pulmões virou marca da Seleção na Copa das Confederações
Foto: Getty Images

Agora, quem passa por um momento efervescente é o futebol brasileiro. Com uma agenda de reivindicações, o Bom Senso FC foi formado por jogadores em uma tentativa de pressionar a CBF por mudanças. O auge da pressão ocorreu na quartas e quinta-feira, com protestos nos dez jogos da Série A. Adiciona-se ao cenário o aquecido bastidor da CBF, que passará por eleições no começo de 2014.

Em meio a tudo isso, a Seleção entrará em campo em um jogo que ganhou conotação política. Desde que o zagueiro Edu Dracena disse que líderes do Bom Senso FC entrariam em contato com o capitão Thiago Silva para pedir adesão ao movimento criou-se a expectativa de protesto neste sábado. As chances, porém, são resumidas.

Na Seleção ninguém admite publicamente o contato. O zagueiro David Luiz foi quem mais se aprofundou ao assunto, dizendo-se aberto a entender melhor as reivindicações antes de tomar uma posição. Os demais jogadores se esquivaram do assunto, assim como o técnico Luiz Felipe Scolari, que disse ter ser pronunciado sobre o tema há dois meses.

Dos jogadores presentes na Seleção, apenas Jô e Victor atuam no Brasil e são signatários do Bom Senso FC. Os atletas que atuam no exterior ainda não têm participação direta no movimento e uma adesão com a realização de um protesto neste sábado cairia como uma bomba na CBF.

Publicidade

A Seleção é o maior produto da entidade e vitrine para as realizações/mazelas da gestão de José Maria Marin. Um protesto contra Honduras ganharia uma grande dimensão. O presidente estará na tribuna do Sun Life Stadium assim como parte da cúpula da CBF. Qualquer ato contra a entidade em um momento de guerra política pode ser significativo.

Internamente, dirigentes da CBF consideram que as ações do Bom Senso tem fundo político para atingir a atual administração às vésperas das eleições de 2014. Marin vai lançar nos próximos dias Marco Polo Del Nero como candidato a sucessor. Na oposição, Andrés Sanchez é o principal articulador.

Neymar defende protestos contra o calendário brasileiro
Video Player

Como costuma fazer antes de amistosos, Marin visitou os jogadores na tarde da última sexta-feira. As fotos foram postadas no site oficial da CBF. Antes, apareceu no hotel onde a Seleção está concentrada e “apresentou” o tricampeão Carlos Alberto Torres como chefe de delegação para a partida em um ato que tem virado um marco de sua administração: a aproximação da CBF com jogadores históricos.

Marin deixou o local sem responder perguntas. Em nota oficial, a CBF pede "razoabilidade" na discussão que movimenta o futebol brasileiro. O Bom Senso FC promete ações mais drásticas visando a implantação de um calendário mais adequado e exigindo a garantia do fair play financeiro. Nada seria mais drástico do que um posicionamento a favor do movimento em um jogo da Seleção.

Publicidade
Marin conversa com Daniel Alves e Neymar; visita na véspera de um jogo que pode ganhar outra dimensão
Foto: CBF / Divulgação

Fonte: Terra
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se