Após a MP proibir a publicidade de bets, o Fluminense enfrenta um novo risco financeiro ligado ao encalhe de camisas já distribuídas a mais de 30 lojas oficiais. Como a lei não define quem assume o prejuízo pelos itens fabricados antes do veto, lojistas podem acionar a Justiça para cobrar ressarcimento do clube. A perda de valor ou descaracterização das peças amplia a crise jurídica para o Tricolor, que estima um impacto total superior a R$ 100 milhões com os efeitos da nova regra.
O Fluminense pode enfrentar um novo problema financeiro após a proibição da publicidade de bets no Brasil. Além dos contratos de patrocínio, a mudança criou uma preocupação com as camisas já produzidas e distribuídas para as lojas oficiais do clube.
A Agência RTI Esporte apurou que o Fluminense possui mais de 30 lojas oficiais com estoque de produtos que exibem marcas de bets. O risco é de uma eventual cobrança dos lojistas por prejuízos caso as peças não possam ser comercializadas nas condições previstas na compra.
A discussão abre uma frente jurídica e financeira para o Tricolor das Laranjeiras. Caso os lojistas busquem ressarcimento, será necessário definir, nos contratos e na Justiça, quem deve assumir o custo provocado pela mudança da legislação e pela retirada das marcas dos produtos.
Estoque pode virar disputa judicial
Os lojistas compraram as camisas antes da nova regra. A Medida Provisória 1.394 agora proíbe publicidade, marketing e patrocínio de bets e determina a retirada dos sinais de patrocínio em até dez dias.
A MP trata da publicidade e do patrocínio, mas não define quem absorverá eventual prejuízo com produtos já fabricados e distribuídos. A lacuna pode gerar negociações entre clubes, fabricantes e lojistas e, sem acordo, disputas judiciais.
O problema não se limita ao valor das camisas. A mudança afeta fabricantes, distribuidores, lojistas e funcionários que fizeram investimentos antes da nova regra. Se os produtos perderem valor ou precisarem ser substituídos, o impacto financeiro pode atingir toda a cadeia.
Risco jurídico pode chegar ao Fluminense
A principal preocupação do clube é que os lojistas tentem transferir a conta para o Fluminense. Uma eventual cobrança dependerá dos contratos e da interpretação sobre os efeitos da nova legislação, não sendo uma dívida criada automaticamente pela MP.
O cenário pode gerar pedidos de ressarcimento, compensação ou renegociações. Em uma eventual disputa, o Fluminense terá de demonstrar as obrigações previstas nos contratos e o impacto da mudança legal sobre a venda dos produtos.
Clube calcula impacto superior a R$ 100 milhões
O Fluminense calcula que o impacto total da medida pode superar R$ 100 milhões, considerando diferentes propriedades comerciais e materiais já produzidos. O valor é uma estimativa do clube e não representa, neste momento, um prejuízo já contabilizado.
O estoque das lojas pode gerar novas despesas caso o clube precise negociar uma solução com o varejo. A retirada das marcas também pode exigir alteração ou substituição das peças, conforme a interpretação jurídica.
Clube terá de definir quem paga a conta
O Fluminense, portanto, passou a lidar com um problema que vai além da publicidade na camisa. A eventual cobrança dos lojistas acrescenta uma frente jurídica e financeira justamente quando o clube já discute os efeitos da proibição sobre seus acordos comerciais.
Enquanto a medida provisória segue em tramitação, o clube terá de avaliar os contratos e negociar com os parceiros. O principal ponto será definir quem absorverá o prejuízo do estoque produzido antes da mudança, questão que pode chegar aos tribunais sem acordo.