Diante da possível proibição das empresas de apostas no Brasil, o Flamengo prevê um cenário extremo com a perda de receitas de patrocínio. Segundo o diretor de futebol José Boto, o clube pode ser forçado a negociar até três jogadores sem poder repô-los com o mesmo nível técnico. A medida visa garantir o pagamento de compromissos financeiros já firmados, como parcelas de contratações, e assegurar os salários em dia, limitando também novos investimentos no mercado da bola.
Com a possibilidade de a Medida Provisória que decreta o fim das bets no país virar lei, o Flamengo já trabalha com o pior cenário. Em entrevista coletiva no Ninho do Urubu, na quinta-feira (1º), o diretor de futebol José Boto admitiu que o clube pode ter de se desfazer de até três atletas caso não consiga substituir as receitas vindas do setor de apostas.
Boto fez questão de enfatizar que o cenário descrito é o mais extremo. Segundo ele, a situação pode levar o clube a vender "um jogador, ou dois ou três jogadores" sem conseguir repor com a mesma qualidade. Para o dirigente, a ausência do patrocínio também limita a capacidade de ir ao mercado, já que comprar exige dinheiro que o clube não teria neste momento.
Boto explicou o que está por trás da preocupação do clube. Ao comentar a fala do presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, que citou a contratação de Lucas Paquetá como exemplo, o diretor esclareceu que a questão não é o salário do meia, mas como pagar ao West Ham os compromissos assumidos.
Ele comparou a situação à de uma família que conta com o próprio salário: se o pagamento deixa de ocorrer, não é possível quitar a casa ou o carro. Os acordos, segundo Boto, foram firmados em um momento em que havia contratos legais assinados. O diretor disse que o clube tem compromissos importantes já em janeiro e que trabalha no planejamento da temporada de 2027 sempre pensando no pior cenário.
"Em princípio não, na renovação (de jogadores), não. Até vai fazer com que nós cuidemos mais do que já temos. Como não podemos ir comprar, se calhar - porque para comprarmos precisamos de dinheiro, e é uma coisa que não temos neste momento - não temos esse patrocínio. No pior cenário, estamos falando no pior cenário, passa por termos que vender um jogador, ou dois ou três jogadores, e não conseguirmos repor com a mesma qualidade", disse Boto antes de completar:
"Quando o presidente diz: 'Como é que eu vou pagar o Paquetá?', não é o Paquetá. São os acordos firmados, que foram firmados tendo em consideração que tínhamos contratos assinados, contratos legais assinados. Isto é como na casa de vocês: vocês contam com o dinheiro dos salários de vocês. Se de repente deixam de pagar o salário a vocês, vocês não vão poder pagar a casa de vocês, não vão poder pagar o carro. Nós assumimos compromissos, temos compromissos em janeiro, compromissos importantes. E a questão é como é que vamos fazer frente a esses compromissos, o que é que isso impacta no planejamento da temporada de 2027, em que nós estamos trabalhando. E trabalhando sempre pelo pior cenário. No pior cenário, nunca há de deixarmos de pagar salários aos jogadores, atrasar os salários, atrasar as imagens aos jogadores e aos funcionários do clube", finalizou ele.