Jornalista fala em impeachment de Bap e reacende caso contra Renata Mendonça

Comunicadora cita permanência do presidente do Flamengo no cargo como falha grave no combate à misoginia no futebol

9 abr 2026 - 12h13
(atualizado às 12h48)
Foto: Reprodução/FlamengoTV - Legenda: Jornalista endurece o tom contra Bap em debate sobre misoginia no futebol / Jogada10

A jornalista Milly Lacombe trouxe de volta ao debate sobre misoginia no futebol o episódio envolvendo o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, e a jornalista Renata Mendonça. Ao comentar o caso nessa quarta-feira (8), ela afirmou que Bap não deveria ter seguido no cargo e citou a possibilidade de impeachment em um cenário mais rígido contra o preconceito às mulheres — ponto que reacende a discussão sobre o caso.

A declaração se insere no debate sobre misoginia no futebol alinhado à necessidade de respostas institucionais mais efetivas. O caso já havia gerado repercussão anterior quanto ao tema no meio esportivo.

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"Os homens mais feios se acham no direito de falar das mulheres mais bonitas, que é precisamente o caso. Então, acho que quando uma de nós é atacada, todas somos. E isso a gente sentiu rapidamente, quando a gente se manifestou contra o presidente do Flamengo. Eu acho que o que ele fez é um bullying misógino, uma coisa de quinta série. Infelizmente, a gente tem moleques no poder", e prosseguiu:

"Se a gente vivesse num mundo justo, ele teria sido impichado. Impichado mesmo. Não é possível celebrar como grande executivo um homem que faz o que ele fez. Não num mundo justo. Olha, o Flamengo é uma instituição imensa e deveria ter algo tipo 'nós vimos o que você fez, o conselho de ética se reuniu, e você tá fora'. Deveria ser assim, né?", questionou.

Cobrança por maior envolvimento

A exigência, porém, não se limitou ao institucional. A jornalista também cobrou posicionamento mais firme de profissionais do setor, apontando diferença entre manifestações públicas e reações mais contundentes em outros temas.

"Acho que os nossos colegas que se manifestaram, se manifestaram assim: 'Renata é maravilhosa'. Ninguém foi para cima dele. Eu não vi ninguém se indignar como se indignam com o gramado sintético, sabe? Com o jogador do Corinthians que vai lá e passa o pé na cal para bater o pênalti. Eu quero revolta. Eu não vi. Não é só com o negócio da Renata, não".

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E continuou: "Quando acontece machismo e misoginia, quem se manifesta, se manifesta assim: 'Ah, gente, não pode, né? Tá, próximo assunto, a Cal'. Entende? É completamente diferente. Eu queria ver o Abel revoltado à beira do gramado, aquilo que faz porque o lateral estava mal marcado, porque a repórter teve o cabelo puxado enquanto ela estava no ar. Eu quero ver os repórteres homens levantando e saindo de uma coletiva quando o Abel Ferreira é machista", disse ao programa Sem Censura da TV Brasil.

Ataque de Bap à Renata Mendonça

O episódio ocorreu durante uma apresentação de resultados financeiros do clube, quando Bap fez referência à jornalista pelas críticas ao futebol feminino.

"Tem lá a 'nariguda da Globo' que fica falando mal da gente e tudo mais, do futebol, que não estimula. Dá vontade de falar: 'Filha, convence a sua empresa a colocar R$ 20 milhões por ano em direito de transmissão que a coisa fica melhor'. Mas pau que dá em João tem de bater em Maria também", afirmou.

Em tom de repúdio, Renata Mendonça se manifestou: "Ele não atacou a informação que eu trouxe. Ele atacou a minha aparência. Como se isso fosse relevante. Se eu fosse um homem, ele não faria esse comentário. Talvez se eu fosse um homem, ele falaria o meu nome, o Fulano da Globo. Nisso que a gente percebe, o desprezo pelas mulheres que trabalham com isso", declarou.

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