O Flamengo chega às oitavas de final da Copa Libertadores da América em meio a um cenário de pressão nos bastidores. O clube não conseguiu fechar com os reforços esperados e terá de disputar a próxima fase com o elenco atual.
A Agência RTI Esporte apurou que as negociações frustradas por Thiago Almada e Luiz Henrique aumentaram o mal-estar dentro do departamento de futebol. O momento é delicado porque os dois negócios foram tratados como possibilidades concretas durante a janela.
A diretoria terminou o período sem conseguir levar nenhum dos jogadores para o elenco comandado pelo técnico Leonardo Jardim. A lista enviada à Conmebol tem apenas atletas que já estavam no grupo, apesar das cinco alterações permitidas.
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Caso Thiago Almada provoca incômodo
A negociação por Thiago Almada gerou o primeiro desgaste. O argentino conversou com o Flamengo, mas acabou acertando com o River Plate. Internamente, o clube avaliou que demorou para definir a operação.
O Flamengo havia manifestado interesse no jogador antes mesmo da final da Copa do Mundo, em 19 de julho. Durante o processo, o River Plate chegou a sinalizar uma desistência por causa da incompatibilidade financeira. A situação mudou posteriormente.
O clube argentino retomou as conversas e conseguiu avançar até concluir o acordo com Thiago Almada. Nos bastidores do Flamengo, ficou a sensação de que o clube acabou sendo utilizado pelos representantes do jogador para pressionar o River Plate a alcançar os valores desejados.
O desfecho provocou incômodo no departamento de futebol e elevou a pressão sobre a diretoria. Internamente, a condução das tratativas passou a ser questionada, sobretudo pela demora para encontrar uma definição.
Luiz Henrique amplia desgaste
A situação envolvendo Luiz Henrique teve outro componente. O atacante também estava no radar do Flamengo, e José Boto conduzia as conversas com o Zenit. As tratativas chegaram a considerar uma operação de aproximadamente 35 milhões de euros.
Na sexta-feira, porém, surgiu a informação de que Luiz Eduardo Baptista, o BAP, havia vetado a contratação nos valores apresentados. Horas depois, o estafe do jogador da Seleção Brasileira desistiu das conversas.
O episódio provocou novo desconforto interno, pois a avaliação era de que a condução do caso poderia aumentar a pressão sobre a presidência. A situação também poderia colocar a diretoria em rota de colisão com a torcida.
José Boto volta a ser pressionado
Os dois episódios aumentaram a pressão sobre José Boto. O diretor esportivo rubro-negro esteve diretamente envolvido nas negociações e agora terá de administrar um cenário de cobrança crescente até o fechamento da janela de transferências.
O momento também recupera uma tensão que já havia aparecido anteriormente no departamento de futebol rubro-negro. Durante a saída de Filipe Luís, José Boto chegou a flertar com uma possível demissão.
O ambiente, entretanto, foi contornado e o português permaneceu à frente da gestão do futebol. Agora, o fracasso nas duas principais negociações da janela recoloca o trabalho do dirigente sob questionamento.
O problema não se limita ao mercado. A ausência dos reforços também afeta o planejamento esportivo de Leonardo Jardim. Sem Thiago Almada e Luiz Henrique, o treinador terá de encontrar soluções internas para aumentar a competitividade da equipe.
Ao mesmo tempo, a diretoria precisará administrar a insatisfação gerada pelos negócios que não avançaram. O fracasso no mercado, portanto, ganhou dimensão maior dentro do Flamengo. Os alvos não chegaram, mas deixaram um problema que vai além do campo.
A crise interna aumentou justamente em um momento decisivo da temporada. Agora, o clube terá de provar dentro das quatro linhas que consegue superar as frustrações do mercado sem comprometer seus objetivos na Copa Libertadores da América.