Flamengo perde na Justiça para ex-segurança e terá que pagar R$ 580 mil e pensão vitalícia

O Flamengo perdeu seu último recurso em uma ação movida pelo ex-segurança Benedito Ferreira. O clube terá que pagar aproximadamente R$ 580 mil em indenizações, além de uma pensão vitalícia até os 78 anos do ex-funcionário.

6 nov 2026 - 23h24
(atualizado às 23h24)
Resumo
A Justiça do Trabalho rejeitou o último recurso do Flamengo e condenou o clube a pagar cerca de R$ 580 mil em indenizações, além de pensão vitalícia até os 78 anos, ao ex-segurança Benedito Ferreira. O profissional, que atuou no resgate de vítimas do incêndio no Ninho do Urubu em 2019, desenvolveu graves transtornos psicológicos decorrentes da tragédia e foi demitido irregularmente em 2022 enquanto estava em tratamento médico. A decisão unânime do TRT-1 encerra a disputa judicial mantendo a condenação.
Escudo do Flamengo
Escudo do Flamengo
Foto: Buda Mendes/Getty Images / Esporte News Mundo

O Flamengo sofreu uma nova derrota na Justiça do Trabalho em um processo movido pelo ex-segurança Benedito Ferreira. Após mais de quatro anos de disputa judicial, o clube teve seu último recurso rejeitado e deverá pagar aproximadamente R$ 580 mil em indenizações, além de uma pensão vitalícia até os 78 anos ao antigo funcionário.

A decisão é relacionada às consequências enfrentadas por Benedito após o incêndio ocorrido no Ninho do Urubu, em 8 de fevereiro de 2019. Na ocasião, dez jovens das categorias de base morreram na tragédia que atingiu o alojamento do centro de treinamento rubro-negro. O então funcionário participou diretamente do resgate das vítimas, ajudando a retirar três adolescentes do local em chamas.

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O acórdão favorável ao ex-segurança foi publicado em 26 de outubro de 2026. Posteriormente, na quarta-feira (4), o Flamengo apresentou um novo recurso, na tentativa de modificar a decisão. Entretanto, os desembargadores da Terceira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região rejeitaram o pedido por unanimidade, mantendo a condenação.

Justiça aumenta indenização ao ex-funcionário

A decisão judicial estabeleceu o pagamento de R$ 150 mil por danos morais e aproximadamente R$ 430 mil em indenização por danos materiais. Com isso, o valor total chega a cerca de R$ 580 mil, além das custas processuais.

A indenização por danos morais foi ampliada durante o julgamento em segunda instância. Inicialmente, o valor determinado era de R$ 100 mil, mas os desembargadores decidiram aumentar a quantia para R$ 150 mil.

Por outro lado, o Flamengo conseguiu uma alteração parcial na forma de cálculo da pensão vitalícia. O tribunal determinou que o benefício seja calculado considerando apenas o salário-base mensal recebido por Benedito durante o período em que trabalhava no clube.

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A pensão deverá ser paga até que o ex-segurança complete 78 anos de idade. Também foi considerado um desconto de R$ 20 mil referente a um pagamento realizado anteriormente pelo Flamengo em um acordo extrajudicial que acabou sendo anulado no processo.

Ex-segurança desenvolveu problemas psicológicos após incêndio

Benedito Ferreira trabalhava no Flamengo desde 2008 e permaneceu no clube até 2022, quando foi demitido. Durante o processo judicial, o ex-funcionário questionou a maneira como o clube tratou seu afastamento profissional e a relação entre seus problemas de saúde e a experiência vivida durante o incêndio no Ninho do Urubu.

Um laudo pericial apresentado à Justiça identificou que Benedito desenvolveu transtorno depressivo, transtorno de adaptação e transtorno de pânico. A perícia também apontou uma relação entre os problemas psicológicos e as atividades desempenhadas pelo profissional no Flamengo.

O documento destacou a gravidade do quadro clínico, indicando que o ex-segurança apresentava limitações para retornar à função que exercia anteriormente ou desempenhar atividades semelhantes.

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A avaliação médica também apontou que o estado de saúde de Benedito foi agravado após os acontecimentos de 2019. Desde então, ele passou a necessitar de acompanhamento psiquiátrico e psicológico, além do uso de medicamentos controlados.

A Justiça entendeu que a demissão realizada em 2022 foi irregular, considerando que o clube tinha conhecimento de que o funcionário estava em tratamento médico relacionado às consequências do episódio.

Flamengo tentou reverter condenação

A primeira decisão favorável a Benedito foi publicada em julho de 2025. Na ocasião, a Justiça determinou o pagamento de R$ 600 mil em indenizações, além da concessão de pensão vitalícia e da reintegração do ex-segurança ao quadro de funcionários do Flamengo.

O clube recorreu da sentença, dando continuidade à disputa judicial. No julgamento seguinte, os desembargadores modificaram parte dos valores e estabeleceram novas condições para o cálculo da pensão.

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Mesmo após essa decisão, o Flamengo apresentou mais um recurso para tentar reverter a condenação. A tentativa, porém, foi rejeitada por unanimidade, consolidando mais uma derrota do clube no processo.

Até a divulgação das informações sobre a decisão, o Flamengo não havia apresentado um posicionamento público sobre o resultado do último julgamento.

O caso representa mais um desdobramento judicial relacionado ao incêndio no Ninho do Urubu, uma das maiores tragédias da história do clube. Além das consequências para as famílias dos dez jovens que perderam a vida, o episódio também deixou marcas profundas em profissionais que participaram do atendimento às vítimas naquela madrugada.

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