O Flamengo passou a utilizar um serviço especializado de análise de árbitros, conhecido internamente como "scout do apito". A informação foi divulgada inicialmente pelo Globo Esporte.
A ferramenta reúne dados detalhados sobre o comportamento dos juízes e auxilia diretamente a comissão técnica na preparação para os jogos.
A novidade foi revelada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, que explicou que os relatórios são entregues ao técnico Leonardo Jardim antes de cada partida.
O objetivo é mapear o estilo de arbitragem dos profissionais escalados, incluindo critérios disciplinares, postura em campo e tendências em diferentes situações de jogo.
Segundo o dirigente, o levantamento permite entender, por exemplo, como determinado árbitro se comporta com equipes mandantes e visitantes, além de sua rigidez em lances como reclamações, cera e acréscimos.
A análise chega a indicar preferências de perfil dependendo do contexto da partida. ainda que isso não interfira diretamente na escalação.
O serviço contratado pelo Flamengo é chamado de "RefData" e consiste em um relatório que pode chegar a 20 páginas, com um material produzido a partir de cruzamento de dados de súmulas oficiais, informações públicas e observações próprias da equipe responsável, com auxílio de ferramentas de inteligência artificial.
Entre os dados analisados estão índices de faltas, cartões e pênaltis, além de um ranking comparativo entre árbitros.
Também há métricas específicas, como o chamado "xR", que mede o nível de interferência da arbitragem nas partidas.
Outro diferencial é a inclusão de informações sobre os assistentes de VAR escalados para cada jogo.
Um exemplo citado envolve o árbitro Rodrigo José Pereira de Lima, classificado no relatório como um juiz de perfil mais disciplinador e rigoroso, com alto número de cartões. Esse tipo de diagnóstico permite que treinadores e jogadores adaptem comportamento e estratégia conforme o estilo da arbitragem.
Ferramenta não é inédita no futebol brasileiro
Embora a iniciativa represente um avanço em termos de análise de dados, o conceito não é totalmente novo no clube, pois, em anos anteriores, o Flamengo já havia recorrido ao ex-árbitro Sálvio Spínola para orientar atletas sobre critérios de arbitragem.
A versão atual, porém, é mais robusta e estruturada, em projeto que começou a ser desenvolvido após a chegada de técnicos estrangeiros ao futebol brasileiro, que enfrentavam dificuldades para entender o padrão da arbitragem local.
O Cruzeiro foi o primeiro a adotar o serviço, em 2023, seguido pelo Botafogo no ano seguinte.
O técnico Zé Ricardo, que teve passagens tanto por Flamengo quanto por Cruzeiro, destacou que o conhecimento prévio sobre o perfil dos árbitros pode influenciar diretamente o comportamento dos jogadores.
Situações como risco de cartões para atletas pendurados, forma de abordagem ao juiz e até a maneira de comunicação durante a partida passam a ser trabalhadas previamente, o que pode representar vantagem tática.
CBF descarta interferência
Apesar das declarações do presidente rubro-negro sobre preferências de perfis de arbitragem, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) afirmou que não há espaço para influência dos clubes na escolha dos árbitros.
Em nota, a entidade ressaltou que as designações são feitas com base em critérios técnicos, como histórico, experiência e momento profissional, seguindo normas da Fifa.
A CBF também reforçou que não são permitidos vetos ou indicações por parte dos clubes, garantindo independência e isenção no processo de escalação.