O retorno de Lucas Paquetá ao Flamengo entrou em um momento decisivo. Apesar do otimismo inicial no Ninho do Urubu, o West Ham recusou a primeira proposta oficial apresentada pelo clube carioca, travando a negociação em dois pontos centrais: valores e calendário.
Financeiramente, o desacordo é direto. O Flamengo colocou na mesa 40 milhões de euros, divididos entre valor fixo e bônus por metas. O West Ham, por sua vez, exige 45 milhões de euros para liberar o meia. A diretoria inglesa sinalizou que aceitaria os 40 milhões apenas se o montante fosse totalmente fixo, sem qualquer variável atrelada a desempenho.
O segundo entrave é o momento da transferência. O Flamengo quer contar com Paquetá de forma imediata, visando o início da temporada brasileira. Já o West Ham deseja manter o jogador até maio, quando se encerra a Premier League, evitando perder uma peça importante sem tempo hábil para reposição.
Esse fator ganha peso com o fechamento da janela inglesa, marcado para a próxima segunda-feira, 2 de fevereiro. Caso o acordo não seja fechado nos próximos dias, o clube londrino ficaria impossibilitado de contratar um substituto, o que praticamente inviabilizaria a liberação agora.
Enquanto isso, Lucas Paquetá vive um cenário de afastamento. O meia já comunicou à diretoria seu desejo de sair e, segundo pessoas próximas, "chegou ao limite" nas tentativas de diálogo. O técnico Nuno Espírito Santo não o utiliza desde 6 de janeiro, e o jogador sequer foi relacionado para o confronto deste sábado (24) contra o Sunderland, sinal claro de que aguarda um desfecho fora de campo.
Nos bastidores, o Flamengo trata a próxima semana como definitiva. Caso o West Ham se mantenha irredutível quanto à liberação apenas em maio, a diretoria rubro-negra avalia encerrar as tratativas, já que não há interesse em um reforço apenas no meio da temporada.
Para tentar virar o jogo, o Flamengo prepara uma última cartada. A principal estratégia é converter os bônus em valor fixo, garantindo 40 milhões de euros imediatos aos ingleses. A avaliação interna é que dinheiro certo agora pode ser mais atraente do que bônus condicionados a metas futuras.
Outro ponto que será explorado é o risco de desvalorização do atleta. Manter um jogador insatisfeito, fora dos planos da comissão técnica e sem atuar, pode gerar prejuízo esportivo e financeiro ao West Ham. Além disso, o Flamengo pretende usar o prazo da janela como pressão: fechar até segunda-feira daria ao clube inglês uma semana inteira para buscar reposição.
Por fim, a vontade do jogador pesa. Paquetá já tem acordo verbal com o Flamengo para um contrato de quatro temporadas, e sua permanência forçada em Londres pode criar um ambiente instável no elenco de Nuno Espírito Santo.
A ausência de Paquetá na lista de relacionados neste sábado surge como o sinal público mais claro de que o desfecho está próximo, para um lado ou para o outro.