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Enviado de Trump sugere Itália no lugar do Irã na Copa

23 abr 2026 - 06h16

Proposta feita à Fifa teria como objetivo melhorar as relações entre o presidente dos EUA e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, após embates envolvendo o papa Leão 14.Um alto enviado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria pedido àFifa que substitua o Irã pela Itália na Copa do Mundo, informou o Financial Times nesta quarta-feira (22/04).

Trump e Infantino durante o sorteio da Copa do Mundo, em dezembro de 2025
Trump e Infantino durante o sorteio da Copa do Mundo, em dezembro de 2025
Foto: DW / Deutsche Welle

De acordo com a reportagem, o objetivo seria melhorar as relações entre o republicano e a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, estremecidas depois de Trump atacar o papa Leão 14.

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"Confirmo que sugeri a Trump e ao [presidente da Fifa, Gianni] Infantino que a Itália substitua o Irã na Copa do Mundo. Sou italiano de nascimento e seria um sonho ver a Azzurra num torneio sediado nos Estados Unidos. Com quatro títulos, eles têm o histórico que justifica a inclusão", disse o enviado especial dos EUA, Paolo Zampolli, ao Financial Times.

Questionados pela agência de notícias Reuters, a Casa Branca, a Fifa, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) e a Federação de Futebol do Irã (FFIRI) não comentaram as declarações.

A tetracampeã Itália não conseguiu, pela terceira vez seguida, se classificar para o mundial, que ocorre nos Estados Unidos, no Canadá e no México, de 11 de junho a 19 de julho.

Já o Irã garantiu vaga em sua quarta Copa do Mundo consecutiva no ano passado, mas, após o início da guerra, solicitou à Fifa que transferisse as três partidas da fase de grupos da equipe dos Estados Unidos para o México.

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Durante uma visita a um centro de treinamento da seleção do Irã na Turquia, no mês passado, Infantino disse que todas as partidas seriam realizadas conforme programado, ao mesmo tempo em que ofereceu ajuda à equipe na preparação para o torneio.

"Estamos nos preparando e fazendo os arranjos para a Copa do Mundo, mas obedecemos às decisões das autoridades", disse o presidente da FFIRI, Mehdi Taj, durante um ato pró-governo em Teerã, na quarta-feira.

"Por enquanto, a decisão é que a seleção nacional esteja totalmente preparada para a Copa do Mundo", acrescentou.

Quem seria o substituto do Irã

A decisão sobre qual país entraria em caso de retirada da equipe pelo governo iraniano está nas mãos da Fifa, que, de acordo com o sexto artigo do regulamento da Copa do Mundo, tem liberdade para convocar qualquer nação de sua escolha para preencher a vaga.

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Espera-se que a Confederação Asiática de Futebol pressione fortemente para que a substituição venha da Ásia, sendo os Emirados Árabes Unidos a escolha mais porvável.

Os Emirados Árabes Unidos, no entanto, não têm nem de perto o mesmo histórico futebolístico dos italianos, tendo participado de apenas uma edição da Copa do Mundo, em 1990, quando perderam seus três jogos.

Tensão entre Trump e Meloni

Até então fortes aliados, a relação de Trump e Meloni azedou em meados deste mês, quando Trump chamou Leão 14 de "fraco" e "terrível" e disse que não quer um "papa que critica o presidente dos EUA", depois que o papa, sem mencionar nomes, condenou o uso do cristianismo como justificativa para a guerra contra o regime islâmico,

"Não tenho medo do governo Trump", reagiu o pontífice.

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Esse foi o ataque mais explícito de Trump ao papa desde que o americano Robert Prevost foi eleito o líder dos católicos, em maio do ano 2025. Na raiz dos ataques de Trump aparentemente estão as críticas do pontífice à guerra no Irã, iniciada pelos EUA e Israel.

Meloni partiu em defesa do papa, dado que mais da metade dos italianos se identifica como católicos. Ela disse que considerava os comentários de Trump "inaceitáveis" e que, como chefe da Igreja Católica, era "correto e normal que ele apelasse à paz e condenasse todas as formas de guerra".

Trump, que anteriormente havia descrito Meloni como "uma das verdadeiras líderes deste mundo", reagiu imediatamente, declarando a um jornal italiano que a primeira-ministra era "inaceitável" e "não era mais a mesma pessoa".

le/as (Reuters, OTS)

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