Devido a restrições legais às apostas, o Cruzeiro deixará de estampar a Betnacional, perdendo R$ 43 milhões anuais. Para amenizar o impacto, o Governo de Minas Gerais aportará R$ 15 milhões via estatais, cobrindo cerca de um terço do valor. Apesar de manter uma carteira comercial diversa que somou R$ 280 milhões em patrocínios em 2025, o clube agora enfrenta o desafio de repor os R$ 28 milhões restantes ao negociar o espaço máster de sua camisa com empresas de outros setores.
A saída da Betnacional impacta a camisa do Cruzeiro, mas o tamanho da perda precisa ser dimensionado. O cenário mudou com a Medida Provisória nº 1.394/2026, que restringiu a exploração e a publicidade de apostas no Brasil.
A Agência RTI Esporte apurou que o contrato da casa de apostas prevê R$ 43 milhões fixos por temporada, além de bônus previstos em contrato. A marca ocupa o espaço mais nobre do uniforme e o vínculo tinha validade até dezembro de 2026.
Cruzeiro e Betnacional discutem o encerramento do vínculo e a retirada da marca. A partir de 6 de outubro, o clube não poderá mais exibir a empresa em suas propriedades, conforme o cronograma da MP. A questão é quanto vale a camisa sem o máster.
Quanto sobra sem a Betnacional?
O Cruzeiro possui uma carteira comercial diversificada. Além da Betnacional, o uniforme conta com marcas como Supermercados BH, Cimed, Omo, Perdigão, Vilma, Álamo e Zé Delivery, além da Adidas como fornecedora de material esportivo.
O problema é que os valores individuais da maior parte desses contratos não foram divulgados publicamente. Por isso, não existe hoje uma soma oficial que permita afirmar que a camisa do Cruzeiro vale exatamente determinado valor sem a Betnacional.
Há uma referência importante: em 2025, a SAF do Cruzeiro registrou R$ 280 milhões em patrocínios, contra cerca de R$ 50 milhões em 2024. O valor reúne uniformes e outras ativações comerciais, portanto não corresponde exclusivamente à camisa.
Naquele período, a Betfair era a máster e foi substituída pela Betnacional no fim de 2025, sem mudança nos termos financeiros. O acordo representa R$ 43 milhões fixos por temporada, enquanto os demais contratos formam uma carteira comercial superior.
O que não entra na conta?
A Adidas precisa ser tratada separadamente. A empresa é fornecedora de material esportivo e, embora o contrato tenha peso econômico para o clube e esteja associado ao uniforme, não representa uma propriedade publicitária equivalente à Betnacional.
O mesmo vale para publicidade, royalties e licenciamento. Em 2025, o Cruzeiro registrou R$ 26,4 milhões em publicidade e R$ 25,4 milhões em royalties e licenciamento, receitas comerciais que não correspondem exclusivamente à exposição na camisa.
Governo de Minas entra na camisa
A perda da Betnacional ganhou uma resposta emergencial. O Governo do Estado de Minas Gerais anunciou R$ 15 milhões em patrocínio para o Cruzeiro, por meio de empresas estatais, como Cemig e Codemge.
O acordo prevê exposição das marcas nas camisas, além de contrapartidas sociais, mas os locais exatos no uniforme ainda seriam definidos. Esse dinheiro, contudo, não deve ser interpretado como uma simples substituição comercial da Betnacional.
O novo patrocínio institucional reduz parcialmente o impacto da saída da Betnacional e foi criado no contexto das restrições às casas de apostas. Os R$ 15 milhões representam cerca de um terço dos R$ 43 milhões fixos por temporada pagos pela antiga patrocinadora máster.
Quanto vale a camisa do Cruzeiro?
A saída da Betnacional representa uma perda de pelo menos R$ 43 milhões anuais em receita fixa, sem contar bônus. Ainda assim, o Cruzeiro mantém uma carteira relevante de patrocinadores e registrou R$ 280 milhões em receitas de patrocínio em 2025.
Como esse montante inclui outras propriedades e ativações, não é possível transformá-lo diretamente em um valor atual da camisa. Com os R$ 15 milhões anunciados pelo Governo de Minas, o Cruzeiro recompõe parte do espaço financeiro deixado pela Betnacional.
A diferença de aproximadamente R$ 28 milhões em relação ao valor fixo do antigo máster, porém, mostra o tamanho do desafio para a área comercial. A camisa celeste continua sendo um ativo de alto valor, sustentado por uma carteira diversificada de empresas.
O que muda é a composição da receita: sem a casa de apostas, o espaço mais nobre da camisa vira uma oportunidade para o Cruzeiro buscar um novo parceiro. O desafio será encontrar uma empresa de outro segmento disposta a investir alto após a MP das Bets.
A conta, neste momento, é menos sobre quanto vale toda a camisa e mais sobre quanto a diretoria do clube de Belo Horizonte conseguirá recuperar dos R$ 43 milhões que estavam garantidos pela Betnacional.