Presidente do Corinthians convoca reunião para votar afastamento de conselheiro que acusou de ameaça

Osmar Stábile pauta Conselho Deliberativo para votar com urgência afastamento de Romeu Tuma Jr. da presidência do órgão sob o argumento de 'assédio e interferência na gestão'

19 mar 2026 - 11h34

O presidente do Corinthians, Osmar Stábile, convocou para a próxima segunda-feira, 23 de março, uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativos para votar o afastamento de Romeu Tuma Jr. da presidência do órgão. Ele pede que o caso seja analisado de maneira urgente pelo plenário. A reunião será realizada no teatro da sede social do clube, no Parque São Jorge, com chamadas às 18h e 19h.

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Segundo o edital de convocação, o pedido de afastamento é baseado em denúncias de "ameaças, assédio e atitudes que teriam interferido no andamento dos trabalhos da diretoria executiva". Em 9 de março, quando houve reunião do Conselho Deliberativo para discutir importantes alterações no estatuto do Corinthians, Stábile pediu a voz e, diante dos demais conselheiros e associados, acusou Romeu Tuma de interferência na gestão e de tê-lo ameaçado três dias antes. O Estadão entrou em contato com o Tuma, que ainda não se manifestou sobre a convocação.

"Na sexta-feira, enquanto eu jantava, ele (Tuma) disse assim: 'Ou você faz o que eu quero ou eu vou te f... '. Não posso administrar o Corinthians com pessoas me tratando dessa forma. Tenho testemunhas aqui sobre isso além de outras interferências. Trago aqui documentos sobre ele me pedindo atualizações sobre o que faço. Não posso aceitar mais isso", disse Stábile.

Presidente do Corinthians, Osmar Stábile, pediu o afastamento de Conselheiro.
Presidente do Corinthians, Osmar Stábile, pediu o afastamento de Conselheiro.
Foto: Taba Benedicto/ Estadão / Estadão

Romeu Tuma, por sua vez, afirma que nunca se dirigiu com palavrões a Osmar, mas que cobrou diretamente uma atitude de Stabile após descobrir que a gestão havia recontratado um antigo segurança, demitido anteriormente sob a acusação de ter colaborado com atos de vandalismo no clube.

Na ocasião, Romeu Tuma encerrou a reunião argumentando que os conselheiros, devido ao clima tenso, decidiram não votar a reforma do estatuto. O presidente do Conselho enviou a pauta à Assembleia Geral de sócios como uma "medida de urgência", citando até o risco de uma intervenção judicial pelo Ministério Público. No edital, Stábile classificou a justificativa como "inverídica" e rechaça a possibilidade de o MP interferir no clube.

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O documento cita o registro de uma representação disciplinar protocolada na Comissão de Ética e Disciplina, peticionada em 11 de março, acompanhada de boletim de ocorrência e pedido de suspensão liminar de Romeu Tuma do cargo. Também é levantada a hipótese de infração a artigos do atual estatuto que tratam do funcionamento do Conselho Deliberativo e funcionamento do órgão, com a possibilidade de suspensão à perda do mandato.

Romeu Tuma Jr. é presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians.
Foto: Fábio Vieira/Estadão / Estadão

O edital destaca que Romeu Tuma, na figura de investigado, não poderia conduzir o processo de votação. Assim, a reunião deve ser presidida pelo vice-presidente do Conselho Deliberativo, o ex-diretor jurídico Leonardo Pantaleão.

Ex-aliados, Stábile e Romeu Tuma já não falam a mesma língua há alguns meses e a relação entre os dois piorou em meio à discordâncias na gestão, debates sobre a reforma do estatuto do Corinthians e a aproximação do período eleitoral.

Osmar Stábile ainda não sabe se irá concorrer à presidência do Corinthians no fim do ano. O mandatário entende que a sua reeleição é legítima, mas não há clareza na interpretação do estatuto. O parágrafo 2º do artigo 103 proíbe a reeleição para a presidência, o que em tese impediria uma nova candidatura.

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Porém, parágrafo 4º também prevê que quando um dirigente assume o cargo após uma vacância — ou seja, a saída antecipada do presidente eleito —, ele pode concorrer na eleição seguinte desde que tenha permanecido no posto por até 18 meses.

É justamente a interpretação desse prazo que gera divergências nos bastidores do Parque São Jorge. A dúvida é se os 18 meses incluem o período em que o dirigente atuou como presidente interino ou se a contagem começa apenas a partir da posse definitiva. Ele assumiu a cadeira presidencial em maio de 2025, logo após o impeachment de Augusto Melo, e foi aclamado para cumprir mandato-tampão em agosto.

Tuma entendia que reeleição de Stábile não era legítima e, contrariado ao pedido do grupo político do qual fazia parte (União dos Vitalícios), redigiu o texto do anteprojeto da reforma do estatuto com um dispositivo que beneficia o atual presidente. O projeto estabelece em seu artigo 67-A que um dirigente que assume um cargo eletivo após vacância não fica automaticamente impedido de disputar a eleição seguinte.

A proposta, porém, fixa um limite: a regra só valeria para dirigentes que tenham ocupado o cargo por até 12 meses antes da nova eleição. No caso de Osmar Stábile, que terá superado esse período até a realização das eleições, a candidatura poderia ser inviabilizada. Ainda assim, uma disposição transitória do texto — o artigo 142-C — prevê que essa limitação não se aplica a vacâncias ocorridas antes da aprovação do novo Estatuto, o que, na prática, abriria caminho para que ele concorra novamente.

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