Os fatores que pesaram na demissão de Dorival do Corinthians 64 dias após título contra o Flamengo

Treinador não resistiu à sequência de nove derrotas seguidas e mau desempenho da equipe

6 abr 2026 - 10h02
(atualizado às 10h02)

Sessenta e quatro dias depois de vencer a Supercopa Rei, Dorival Júnior já não é mais o técnico do Corinthians. Além do título conquistado diante do Flamengo, em Brasília, o treinador também ergueu o troféu da Copa do Brasil, em dezembro, após vitória sobre o Vasco no Maracanã. As taças recolocaram o time paulista na prateleira de campeões nacionais após quase uma década.

Publicidade

Sequência negativa

Com a derrota para o Inter, o Corinthians chegou a nove partidas consecutivas sem vitória na temporada. O time alvinegro não sabe o que é vencer desde o dia 19 de fevereiro, quando a equipe derrotou o Athletico Paranaense, em Curitiba, por 1 a 0, em partida do Campeonato Brasileiro.

De lá para cá, foram cinco empates e quatro derrotas, incluindo a eliminação nas semifinais do Paulistão para o Novorizontino.

  • 22/02 — Portuguesa 1 x 1 Corinthians (Paulistão)
  • 28/02 — Novorizontino 0 x 1 Corinthians (Paulistão)
  • 11/03 — Corinthians 0 x 2 Coritiba — Brasileirão
  • 15/03 — Santos 1 x 1 Corinthians — Brasileirão
  • 19/03 — Chapecoense 0 x 0 Corinthians— Brasileirão
  • 22/03 — Corinthians 1 x 1 Flamengo — Brasileirão
  • 01/04 — Fluminense 1 x 3 Corinthians — Brasileirão
  • 05/04 — Corinthians 0 x 1 Internacional — Brasileirão

Desempenho ruim

Para além dos resultados ruins, o Corinthians já não conseguia apresentar um bom futebol do ponto de vista coletivo. A falta de um padrão claro de jogo ficou escancarada na derrota para o Fluminense, no Maracanã, onde o time teve sérios problemas na recomposição defensiva e demonstrou falta de organização e agressividade para atacar. A equipe foi presa fácil para o tricolor carioca e fez um de seus piores jogos em 2026.

Nas derrotas em casa para Coritiba e Inter, jogando em casa, onde deveria adotar o papel de protagonista, o Corinthians careceu de criatividade para ligar o meio-campo ao ataque e sofreu com erros técnicos dos jogadores na hora da finalização. Descoordenado, deu brechas atrás e viu o adversário ser letal para alcançar a vitória em Itaquera.

Publicidade

Os desempenhos nos jogos citados diferem bastante da atuação, por exemplo, contra o Flamengo na decisão da Supercopa Rei. Na partida em Brasília, o Corinthians foi aplicado na marcação e demonstrou capacidade de transitar rapidamente entre ataque e defesa com consistência.

'Decisões' à vista

A demissão de Dorival acontece às vésperas de jogos importantes do Corinthians na temporada. Na quinta-feira, 9, o time alvinegro estreia na Copa Libertadores contra o Platense, na Argentina. No domingo, 12, faz clássico com o Palmeiras, em Itaquera, pelo Brasileirão, e na quarta-feira, 15, encara o Santa Fe, em casa, também pelo torneio continental.

Como as derrotas poderiam ampliar ainda mais a crise no Corinthians, a diretoria entendeu que uma mudança no comando técnico era necessária para dar uma "chacoalhada" no elenco.

Pressão da torcida

"Não é mole não/Tem que ser homem para jogar no Coringão". Esta foi a frase entoada pela torcida do Corinthians após a derrota para o Inter. Antes do revés para a equipe gaúcha, a Gaviões da Fiel, principal organizada do time alvinegro, compareceu ao CT Joaquim Grava para cobrar jogadores, treinador e diretoria. A uniformizada exigiu uma melhora no desempenho do time já no jogo deste domingo — o que acabou não acontecendo.

Publicidade

Na ocasião, a Gaviões pediu explicações sobre algumas escalações e alterações de Dorival, que explicou o seu lado. Cabe ressaltar que o treinador sofreu com importantes baixas por lesão no período em que ficou sem vitória, como Yuri Alberto e Memphis Depay.

Pedidos por mudança

A demissão de Dorival Júnior não chega a ser surpresa. Internamente, conselheiros já pressionavam o presidente Osmar Stábile desde a derrota para o Coritiba. A ideia era aproveitar a Data Fifa para o novo treinador conhecer o elenco. A diretoria, por outro lado, relutava em tirar o treinador pela falta de opções no mercado. Agora, a cúpula alvinegra quer definir o próximo treinador já para o duelo com o Platense. Nomes livres no mercado, como Tite e Fernando Diniz, estão em pauta.

Fique por dentro das principais notícias de Futebol
Ativar notificações