Uma das sensações recentes do futebol brasileiro, o Barra, de Santa Catarina, será o adversário do Corinthians nesta terça-feira, 21, às 21h30 (horário de Brasília), na Ressacada, em Florianópolis, em jogo válido pela quinta fase da Copa do Brasil.
Para tentar surpreender o atual campeão da competição, o clube une a curta história com uma visão de gente grande. Fundado em 2013, em Balneário Camboriú, no litoral catarinense, o Barra vem construindo capítulos de glórias, com sucessivos acessos e conquistas de títulos no cenário nacional e estadual.
Dois anos depois da fundação, o time conquistou a Série C do Campeonato Catarinense de forma invicta e o acesso à segunda divisão estadual. Mas foi a partir de 2020 que o Barra deu início a uma ascensão meteórica.
Na pandemia, o time foi adquirido pela empresa Braho, que faz parte do grupo alemão Hobra, propriedade do bilionário Dietmar Hopp, acionista e investidor do Hoffenheim, que joga a Bundesliga. Além disso, a empresa alemã Rogon, que gere a carreira dos brasileiros Roberto Firmino e Joelinton e de vários outros atletas, também entrou na jogada. A partir daí, o Barra virou um clube empresa.
Sob comando alemão, o time viu frutos já em 2021, quando faturou a Série B catarinense e o tão sonhado acesso à elite. Em 2023, após campanha de destaque no estadual, a equipe assegurou vaga na Série D do Campeonato Brasileiro.
Depois de inaugurar em 2024 o Centro de Treinamento do Pescador, espaço moderno com cinco campos, o clube ganhou uma nova casa em 2025: a Arena Barra FC, com gramado sintético, localizada em Itajaí, também no litoral de Santa Catarina. O estádio com capacidade de 5,5 mil torcedores foi o palco das duas maiores conquistas da história do Barra: a Série D no ano passado (que deu acesso à Série C de 2026) e o Campeonato Catarinense deste ano.
Toda essa evolução é resultado do investimento europeu no clube, que transformou a filosofia e a mentalidade do time, tanto dentro como fora de campo. Desde a chegada dos alemães, o grande foco do Barra passou a ser a formação de atletas — a equipe tem o certificado de clube formador da CBF — e isso já se reflete no time principal. Cerca de 30% do time principal é composto por jogadores revelados nas categorias de base.
Outro ponto a se destacar é o intercâmbio de atletas e outros profissionais com times do Velho Continente. O Barra tem parceira com o Hoffenheim e o Académico de Viseu, da segunda divisão portuguesa. Dessa forma, o time catarinense se molda ainda mais nas características do futebol da Europa.
"A palavra é gestão. Por ser um clube de donos, aqui nós não temos conselheiro, diretor estatutário, voluntário, abnegado. Todas as pessoas que trabalham no clube são remuneradas. É muito, mas muito diferente de um clube associativo. As decisões aqui não são políticas, elas são técnicas", disse Marcus Vinicius, executivo de futebol do Barra em entrevista ao ge.
Para avançar à quinta fase da Copa do Brasil, o Barra eliminou o América-MG e o Volta Redonda. Nesta terça, o clube catarinense tem a chance de causar impacto novamente, desta vez diante de um dos maiores clubes do país e do mundo.
"Com qualquer bolinha que fosse sorteada nós seríamos zebra, certo? Então, por que não enfrentarmos logo um gigante do futebol mundial? Não podia ter um clube melhor para a gente mostrar o trabalho que é feito aqui, atrair a curiosidade das pessoas, fazer com que perguntem: o que estão fazendo lá nesse clube? Como é que esse clube chega, é campeão brasileiro da Série D, campeão catarinense e agora vai enfrentar o Corinthians? Não poderia ter adversário melhor!", finalizou.