Renato Paiva dispara contra Textor: "Interferiu no meu trabalho"

Português abre o jogo sobre demissão e sobe o tom contra norte-americano: "Este senhor está preocupado com o Botafogo?"

6 mar 2026 - 16h48
Renato Paiva e John Textor juntos no Mundial de Clubes –
Renato Paiva e John Textor juntos no Mundial de Clubes –
Foto: Vitor Silva / Botafogo / Jogada10

Renato Paiva revelou os bastidores de sua demissão no Botafogo. O português detonou a postura de John Textor, dono da SAF do clube carioca. O treinador afirmou que o norte-americano interferiu no tempo que esteve no Alvinegro. Além disso, ele afirmou que o empresário indciou sua permanência após eliminação do Mundial de Clubes.

"Há uma entrevista do senhor que me despediu, onde diz que me despede porque eu traí os meus princípios. Eu nunca pude responder nem quis, mas eu vou dizer que eu fui despedido exatamente porque eu não traí os meus princípios. Porque essa pessoa quis interferir constantemente no meu trabalho e eu não deixei. E esse é o verdadeiro motivo do meu despedimento. Não é o Palmeiras. Não é a derrota no Mundial. Nem um beijo de três dias e depois despedido", disse ao Área Técnica do "ge", antes de complementar.

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"Foi a oportunidade que ele encontrou para tomar uma decisão que na cabeça dele possivelmente já estava tomada por eu não permitir interferências no meu trabalho. Para mim é claro", destacou.

Renato Paiva finalizou a passagem no Botafogo com 12 vitórias, três empates e oito derrotas em 23 partidas. Paiva foi escolhido para substituir o compatriota Artur Jorge, que deixou o Glorioso para comandar o Al Rayyan-CAT.

"Cuiabano não pode jogar de ponta"

Renato Paiva complementou e não poupou críticas ao modo de conduzir o clube do empresário. Ele lembrou o episódio em que recebeu ordens para não escalar o lateral Cuiabano de ponta.

"Cuiabano começa a fazer gols. Cuiabano começa a ser o melhor em campo em vários jogos. E eu recebo um recado de que não posso colocar o Cuiabano de ponta. Porque o Cuiabano tem que ser vendido como lateral. E eu pergunto: este senhor está preocupado com o Botafogo? Cuiabano é o que desequilibra, é o que faz gols, é o que ajuda o time a ganhar. Esta preocupação deste senhor é com o torcedor do Botafogo?", disse.

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Renato Paiva e John Textor juntos no Mundial de Clubes –
Foto: Vitor Silva / Botafogo / Jogada10

Demissão no Botafogo

No Mundial de Clubes de 205, o Botafogo caiu para o Palmeiras nas oitavas de final. O americano não gostou da postura do time diante do clube brasileiro, mas não havia dado sinais que a derrota iria motivar a demissão do técnico.

"Ele tem todo o direito em despedir-me. Ficou muito feio como fez. Porque nós perdemos o jogo com o Palmeiras, vamos para o hotel, ele fala com o grupo, almoça, despede-se ao meu lado, estava a falar com o Cláudio Caçapa, ele vem, despede-se e diz-me: "keep going coach, keep going (vamos em frente treinador, vamos em frente)" . Eu jamais me esqueço. Um abraço e "keep going coach."

No entanto, Textor mudou de ideia. A missão, assim, coube aos diretores Alessandro Brito e Léo Coelho, que só informaram Paiva sobre o desligamento após o jantar com a delegação, em hotel.

"E é quando eles me informam do que tinha acontecido. Ele não despede ninguém. Ele manda despedir. Portanto, tem todo o direito de me despedir. Agora, como as coisas são feitas. É aquilo que dói. Em vez do "keep going coach", ias a uma sala e dizias: "olha, eu não gostei do jogo do Palmeiras, eu não gosto do teu penteado, eu não gosto de como é que te vestes, eu sou o dono, vamos acabar o contrato". Hoje, eu sei que ele me queria despedir. Mas depois, mandar os outros fazerem isso?", destacou.

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