Em seu retorno ao Botafogo, o atacante Tiquinho foi apresentado de forma descontraída e declarou seu amor ao clube, afirmando ter priorizado a volta em vez de dinheiro. O jogador de 35 anos assinou contrato até o fim do ano, com metas que podem estender o vínculo até 2027. Além de ressaltar sua história vitoriosa pelo Alvinegro, ele desabafou sobre suas passagens apagadas por Santos e Mirassol, citando problemas extracampo, e disse estar focado em recuperar o ritmo para poder reestrear.
Leve e lúcido. Tiquinho colocou a timidez para escanteio e enfrentou uma sala de imprensa lotada nesta quinta-feira (27), no Estádio Nilton Santos. Desinibido (no sentido positivo da palavra), quase sem filtro e afiado com o humor, o novo reforço do Botafogo respondeu às perguntas com espontaneidade, não fugiu da raia em nenhum momento e, durante 45 minutos, jogou solto, deixando os jornalistas surpresos e com vontade de entrevistá-lo novamente. "Que personagem. Nos garantiu as manchetes", confidenciou um profissional de imprensa ao deixar o local.
À vontade, o camisa 9 beijou o escudo do Botafogo antes de vestir o manto sagrado. Com o gesto, naquele momento, Tiquinho conquistou até o torcedor mais pessimista com a sua volta ao Glorioso. Em seguida, o artilheiro abriu o coração. As juras de amor e o casamento com o clube foram as primeiras bolas que sobraram para o jogador arrematar.
"É difícil explicar. O Botafogo é diferente. Pedi aos meus empresários para não ouvirem nenhuma outra proposta. Sou muito grato a Deus por tudo que vivi aqui e pelo carinho da torcida, inclusive nos momentos ruins. E também vivi aqui a maior felicidade da minha carreira, em 2024. Quando se fala em Botafogo, eu me emociono. Não foi uma questão de dinheiro ou de contrato. Quero viver esses quatro meses da melhor maneira possível", disse o centroavante alvinegro, do alto da sabedoria dos seus 35 anos.
Vai ter corte!
No momento mais "difícil", tal qual a marcação ferrenha de um zagueiro casca-grossa, Tiquinho explicou as razões pelas quais não triunfou no Santos e no Mirassol, clubes que antecedem o seu retorno ao Mais Tradicional. Pelo Peixe, em 40 compromissos, anotou dez gols. Já no clube do interior paulista, foram dez jogos e apenas um tento. Números bem modestos para quem foi um dos principais atacantes do futebol brasileiro.
"Será que eu não fui bem ou não me deixaram ir bem? Essa é uma pergunta que tenho. Sou um cara que não gosta de polêmica. Nenhum de vocês sabe o que acontece no extracampo. No Santos, tinha um treinador que gostava de mim, que era o Pedro Caixinha. Com ele, consegui jogar. Me fala um jogador do Santos, tirando o homem (Neymar), que foi bem em 2025? Foi muito difícil, não só para mim. Pelo Mirassol, a mesma coisa. Não deixaram eu mostrar o meu valor", reclamou Tiquinho.
Tiquinho-2026
O centroavante estreou pelo Botafogo na segunda metade de 2022. Naquela época, já caiu nas graças da torcida como uma das principais contratações da temporada, ganhando até uma marchinha. Desde então, Tiquinho atuou em 141 partidas e marcou 44 gols pela Estrela Solitária, sendo protagonista em 2023 e coadjuvante em 2024, nos títulos do Brasileirão e da Libertadores daquele ano.
Agora, Tiquinho tem quatro meses para mostrar serviço. Mas o centroavante já pensa no legado que eternizará para o Botafogo e sua torcida.
"Quero deixar meu espírito e minha vontade de estar aqui. Uma coisa que eu sempre faço é nunca desistir e ser leal. Todo mundo sabe como eu sou leal com meus companheiros, com todos os grupos pelos quais passei. Um legado de respeito e amor ao clube, para daqui a sei lá quanto tempo lembrarem que joguei no clube mais tradicional do Brasil", emendou Tiquinho ao ser questionado pela equipe de reportagem do Jogada10.
Sobre a volta da fera
Livre no mercado desde julho, Tiquinho chega com contrato até o fim do ano, com gatilho de renovação por mais seis meses se meter sete gols pelo Mais Tradicional. Há uma segunda meta que ampliaria o compromisso até o fim de 2027, porém, o clube mantém o sigilo.
Ainda nesta quinta, Tiquinho teve o nome publicado no BID (Boletim Informativo da CBF). O reforço, por ora, não garante quando, de fato, vai a campo.
"Não depende só de mim. Eu vinha treinando em casa, mas é claro que trabalhar sozinho é muito diferente de treinar com o grupo. Estou evoluindo a cada treino e acredito que, o mais rápido possível, vou estar apto para jogar e ajudar meus companheiros. Não estou mal, mas também ainda não estou no meu melhor nível".
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