Mais potência, menos liberdade? Brands Hatch será adaptado para receber nova geração da Fórmula E

Circuito britânico terá três alterações para receber os carros Gen4, conciliando potência, segurança e preservação de seu traçado histórico

15 out 2026 - 10h41
Mudanças levantam questões sobre segurança, desempenho e preservação de traçados históricos
Mudanças levantam questões sobre segurança, desempenho e preservação de traçados históricos
Foto: Divulgação / Brands Hatch

Conhecido por suas curvas rápidas, mudanças de elevação e pela importância histórica no automobilismo britânico, Brands Hatch terá parte de suas características modificadas para receber a Fórmula E em 2027. O circuito, que já foi palco de corridas da Fórmula 1, passará por três intervenções em seu traçado antes de sediar a categoria elétrica, em uma adaptação diretamente relacionada às exigências técnicas dos novos monopostos Gen4.

As alterações, reveladas pelo portal Formula E Notebook, serão realizadas nas regiões de Surtees, Pilgrims Drop e Clearways, com a inclusão de novas sequências de curvas e chicanes. O objetivo é adequar o circuito ao desempenho dos carros, que representarão um salto tecnológico significativo para a categoria.

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Com potência máxima prevista de 600 kW, equivalente a aproximadamente 816 cavalos, os carros Gen4 serão consideravelmente mais potentes do que seus antecessores. O aumento de desempenho, entretanto, também amplia as exigências relacionadas à segurança, às zonas de frenagem e à recuperação de energia, um dos elementos fundamentais das disputas da Fórmula E.

Em Brands Hatch, uma das principais preocupações está na aproximação da curva Hawthorns, considerada uma das mais rápidas do circuito. Para reduzir a velocidade dos monopostos antes desse trecho, será instalada uma chicane na região de Pilgrims Drop, criando uma sequência de frenagem que também permitirá aos pilotos recuperar energia durante as voltas.

As outras intervenções acontecerão na curva Surtees, que ganhará uma nova sequência de mudanças de direção, e em Clearways, onde quatro curvas adicionais antecederão a reta Brabham. Os setores de Westfield, Dingle Dell e Stirlings permanecerão sem modificações.

Embora necessárias para atender às características da nova geração de carros, as intervenções também evidenciam um desafio para a categoria: encontrar um equilíbrio entre a evolução tecnológica e a preservação da identidade esportiva dos circuitos.

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Historicamente, Brands Hatch construiu sua reputação justamente pela combinação de curvas rápidas, trechos estreitos e mudanças de elevação que exigem precisão dos pilotos. A introdução de novas chicanes modifica parte dessa dinâmica, acrescentando pontos de frenagem a um circuito tradicionalmente marcado pela fluidez.

Por outro lado, diferentemente de outras categorias do automobilismo, a Fórmula E depende diretamente das oportunidades de regeneração de energia durante as corridas. Dessa forma, as alterações não representam apenas uma tentativa de controlar a velocidade, mas também uma maneira de adaptar a competição às particularidades de seus sistemas elétricos.

O desenvolvimento das modificações contou com a participação dos pilotos Pascal Wehrlein e Oliver Rowland, que integram um grupo informal de avaliação de circuitos em colaboração com representantes da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) e da Fórmula E.

Jake Hughes, que defenderá a CUPRA Kiro na temporada, também comentou sobre a chegada da categoria ao circuito britânico. O piloto, que venceu em Brands Hatch durante sua campanha pelo título da Fórmula 4 em 2013, demonstrou entusiasmo com o retorno, mas afirmou que precisará conhecer melhor as modificações antes de avaliar seus efeitos sobre a pilotagem.

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A realização do E-Prix marcará ainda o retorno de uma importante competição internacional de monopostos ao circuito, que não recebe um evento dessa dimensão desde a Superleague Formula, em 2010.

Mais do que preparar Brands Hatch para uma nova categoria, as intervenções demonstram como a evolução tecnológica também pode transformar a relação entre os carros e os circuitos. Para a Fórmula E, o desafio não será apenas demonstrar o potencial de seus novos monopostos, mas encontrar maneiras de aproveitar esse desempenho sem descaracterizar completamente os locais escolhidos para suas corridas.

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