A segunda vitória da Meyer Shank Racing nas 500 Milhas de Indianápolis, conquistada no último domingo, consolidou a equipe como uma das forças emergentes da IndyCar. Ainda assim, o co-proprietário e fundador da equipe, Michael Shank, deixou claro que o automobilismo de Endurance continua sendo parte fundamental da identidade do time.
Antes dos triunfos de Hélio Castroneves em 2021 e de Felix Rosenqvist em 2026 nas 500 Milhas de Indianápolis, a trajetória da equipe foi construída ao longo de mais de duas décadas em campeonatos como Grand-Am e IMSA.
Segundo Shank, a presença no Endurance segue sendo prioridade para a estrutura americana, especialmente após o anúncio de que o programa LMDh da Acura/HRC US com o protótipo ARX-06 entrará em hiato após a temporada 2026.
“Estamos na IMSA e na Grand-Am há 23 temporadas. Isso é a base de tudo o que conquistamos. Não queremos sair disso se surgir a oportunidade certa”, afirmou Shank em entrevista ao RACER antes da etapa da IMSA em Detroit.
O dirigente destacou que a permanência da equipe no grid do IMSA WeatherTech SportsCar Championship é um objetivo claro, mesmo após a ausência forçada em 2024. Na ocasião, a Acura optou por transferir seus carros para a Wayne Taylor Racing após o escândalo de manipulação de dados de pressão dos pneus envolvendo a MSR em 2023. Apesar do revés, a equipe retornou em 2025 com dois carros na classe GTP, incluindo uma operação com suporte técnico direto da Honda Racing. Para Shank, a recuperação após o episódio foi motivo de orgulho.
“Foi um momento muito importante conseguir reconstruir tudo depois dos problemas de 2023. Mesmo no fim daquela temporada, fomos muito fortes. Tenho muito orgulho da forma como reagimos”, comentou.
Embora a tendência seja de crescimento na IndyCar, com recursos e pessoal sendo redirecionados para uma nova estrutura da categoria ligada à Honda a partir de 2028, Shank reforçou que não pretende abandonar o Endurance. A prioridade da Meyer Shank Racing é permanecer na classe GTP, considerada o principal nível dos protótipos na IMSA. Ainda assim, o dirigente admite avaliar alternativas para continuar no campeonato, incluindo um possível retorno às classes GTD ou LMP2, categorias nas quais a equipe já competiu anteriormente.
“Prefiro continuar na GTP porque trabalhamos duro para chegar até aqui. Acho que merecemos estar nesse nível, com as pessoas e os equipamentos certos. Não diria não para outras possibilidades, mas nosso foco é permanecer na GTP”, declarou.
O cenário, porém, não é simples. Fabricantes como Ford, Genesis e McLaren estão desenvolvendo programas LMDh para o Mundial de Endurance (WEC), mas nenhuma delas prevê entrada oficial na IMSA antes de 2028.
Shank relembrou ainda os desafios enfrentados pela equipe ao longo dos anos, incluindo a crise financeira de 2008 e 2009 nos Estados Unidos. Segundo ele, a capacidade de sobrevivência da equipe nesses momentos reforça a confiança em encontrar um caminho para seguir no endurance americano.