Roland Ratzenberger e seu legado que vai muito além da F1

Roland Ratzenberger vai muito além da F1, um legado marcado por vitórias e respeito que merece ser lembrado

30 abr 2026 - 20h53
Foto: Divulgação / F1

Todo ano, Roland Ratzenberger é lembrado no dia 30 de abril, o que deveria ser considerado um sinal de respeito ao piloto que morreu no mesmo fim de semana que Ayrton Senna, no trágico GP de San Marino de 1994. Porém, o que acontece não é bem isso: Roland é tratado por muitos, inclusive pela mídia, como um piloto amador. Chegam a afirmar que precisou vender sua casa para chegar à Fórmula 1, desrespeitando uma carreira já bem consolidada no automobilismo, principalmente em Le Mans, que o austríaco havia construído antes de 1994.

Nascido em Salzburg, Áustria, em 4 de julho de 1960, Roland Ratzenberger sempre perseguiu o sonho de chegar à Fórmula 1, mas sua carreira foi marcada por dificuldades financeiras e caminhos tortuosos. Após vencer a Fórmula Ford 1600 em 1986, buscou espaço nas categorias de base, como a F3 Britânica e a F3 Euro. Também iniciou sua trajetória nos carros de turismo, correndo pela Schnitzer com um BMW M3 no Mundial de Turismo.

Publicidade

Nos anos seguintes, Ratzenberger diversificou sua carreira: correu no BTCC (Campeonato Britânico de Turismo), onde conquistou uma vitória, foi contratado pela Toyota SARD para o campeonato japonês de protótipos e chegou ao pódio no WEC com a Brun Motorsport, além de ser terceiro na F3000 Britânica. Em 1990, venceu os 1000 km de Fuji pela equipe SARD. Apesar das negociações com a Jordan em 1991, perdeu a vaga na F1 por falta de patrocinadores, mantendo-se ativo no Japão, onde conquistou vitórias em provas de resistência como os 1000 km de Suzuka.

Sua trajetória internacional seguiu em ascensão: em 1992, foi terceiro nas 24 Horas de Daytona com um Porsche 962 e continuou competitivo na F3000 japonesa e nos protótipos. No ano seguinte, voltou a Le Mans com a Toyota, conquistando vitória na categoria C2 e um quinto lugar geral. Mas foi sua única prova no endurance, já que focou no campeonato de F3000 naquela temporada.

Carro da vitória das 24 Horas de Le Mans de 1993
Foto: Divulgação / F1

O objetivo era claro: chegar na F1 em 1994. Para isso, além de investir parte do dinheiro ganho no Japão, contou com alguns patrocinadores. Com isso, assinou com a Simtek, que estava entrando no grid. O contrato era de cinco corridas. Além disso, ele estava com contrato assinado para disputar Le Mans naquela mesma temporada, pela Toyota, com um carro que poderia disputar a vitória geral.

Roland estreou no GP do Brasil, mas não conseguiu se qualificar. Na época existiam 28 carros para 26 vagas no grid. Ele ficou em 27º e não passou. No GP do Pacífico, no Japão, Roland conseguiu a 26ª vaga, marcando 1m16s927, sendo quase dois segundos mais lento que seu companheiro de equipe, David Brabham, mas à frente dos carros da Pacific. O austríaco conseguiu concluir a corrida, terminando em 11º e último lugar.

Publicidade

Até que chegou o fatídico GP de San Marino. Roland se qualificou muito melhor, fazendo o 23º tempo, apenas 0s050 atrás do companheiro de equipe no treino de sexta-feira. No sábado, Roland estava tentando melhorar seu tempo, quando escapou da pista, mas conseguiu voltar, embora tenha danificado a asa dianteira. Na volta seguinte, na curva Villeneuve, o acidente foi fatal.

Nomes no Toyota 94C-V durante as 24 Horas de Le Mans de 1994
Foto: Divulgação / Toyota

Roland deixou um grande legado. Nas 24 Horas de Le Mans, a Toyota manteve seu nome no carro, que acabou chegando em 2º lugar. Mas muito além disso, foi um piloto com um legado incrível, conquistando glórias em várias categorias e que merece ser lembrado muito mais do que apenas por sua passagem na F1.

Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações