Pedro Clerot detalha bastidores de negociações e união entre brasileiros na Europa

Em conversa exclusiva, piloto aborda os custos para subir à F2, academias de F1 e a proximidade com Bortoleto e Câmara no exterior

4 out 2026 - 08h57
Pedro Clerot no pódio em Madri
Pedro Clerot no pódio em Madri
Foto: Assessoria Pedro Clerot / Divulgação

Superar a falta de experiência e ser o principal nome da Rodin Motorsport não foi um obstáculo para Pedro Clerot na Fórmula 3. Em uma temporada de constante evolução no carro da equipe neozelandesa, o brasileiro fechou o campeonato na sexta colocação geral e coroou a campanha com chave de ouro ao conquistar sua primeira vitória na etapa final em Madri. Além dos resultados na pista, Clerot também detalhou bastidores de negociações para sua carreira e a união entre os brasileiros que competem na Europa.

Superando os companheiros de equipe, Brando Badoer e Christian Ho, Clerot provou sua capacidade de adaptação rápida e velocidade pura em 2026. Apesar dos rumores apontarem Badoer sendo promovido à F2 em 2027, mesmo atrás do brasileiro no campeonato da Fórmula 3, o piloto de Brasília demonstra maturidade ao analisar a realidade do automobilismo mundial. Ele reconhece que decisões de carreira e o aspecto financeiro dividem o protagonismo com o desempenho nas pistas.

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Questionado se sente frustração ao ver colegas de grid 'subindo' enquanto permanece na F3, Clerot foi direto ao afirmar que isso não o afeta.

"Zero. Eu acho que cada um tem a sua jornada. O Brando foi meu companheiro de equipe em 2024 na FRECA e teve um ano muito bom, além de ter sido consistente este ano também. No fim do campeonato acabei na frente dele, mas ele está na sua segunda temporada, então subir é o passo lógico para ele. Houveram situações no ano onde ele esteve muito à frente e acho que isso o alavancou para subir, mas com certeza não é uma coisa que me afeta", explicou.

Pedro fez questão de enfatizar que cada piloto trilha caminhos diferentes nas categorias de base até atingir o topo.

"Cada um tem o seu próprio caminho e sua própria jornada. Tem pilotos que vão estar no seu terceiro ano e outros que estão subindo depois de terem feito um ano que eu considero 'meia-boca'. Então cada um tem as suas escolhas de caminho e os seus motivos para ficarem. Obviamente a Fórmula 2 é um sonho, mas não fico frustrado.", ressaltou o brasileiro.

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Consolidado como o principal nome da Rodin Motorsport, piloto brasiliense destaca maturidade e foco na busca pelo título da F3
Foto: Assessoria Pedro Clerot / Divulgação

O peso do orçamento e os bastidores das negociações

Ao ser abordado sobre as dificuldades em realizar o salto para a F2 e o peso do orçamento na carreira, Clerot abriu o jogo sobre a realidade financeira que os pilotos brasileiros enfrentam para correr na Europa.

"A questão financeira foi um dos principais motivos [para não ser promovido]. Não é uma coisa fácil, principalmente com a conversão do Real para o Euro. O automobilismo tem ficado cada vez mais caro e tem números astronômicos que eu acho até estúpido falar sobre. Infelizmente algumas equipes preferem um budget maior quando acabam escolhendo pilotos", desabafou.

Apesar do cenário desafiador, o piloto afirma que está no assento ideal para lutar pelo título na próxima temporada.

"No meu caso, estou na melhor posição possível em uma equipe que me quer muito, numa posição muito favorável para o ano que vem. Não acho que falta muita coisa para estar preparado para a Fórmula 2. Acho que não existe piloto pronto para nada: você começa o ano e vai se adaptando. Se você for esperar ficar pronto, perde muitas oportunidades. Eu me sinto preparado para fazer qualquer coisa hoje em dia", afirmou.

Possibilidade de promoção com a Rodin e academias de F1

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A bordo do carro #17 da Rodin, Clerot se destacou pela rápida adaptação e ritmo forte em seu ano de estreia na F3.
Foto: Assessoria Pedro Clerot / Divulgação

Diante do cenário onde equipes costumam facilitar a subida para a Fórmula 2 de pilotos que se destacam na F3, Clerot foi questionado se existe algum acordo semelhante ou conversa em andamento com a Rodin caso brigue pelo título no próximo ano.

"Olha, obviamente você criando relacionamento com equipes tudo fica um pouco mais fácil. Eu tenho uma relação muito boa com a Rodin, mas eu não estou focado no meu futuro passo agora, estou focado no que eu vou fazer no ano que vem, que é brigar pelo campeonato", pontuou Clerot.

O piloto reforçou que a prioridade total é a pista e que as conversas para 2028 acontecerão no momento adequado.

"Ao longo do ano a gente vai conversando. Não tenho dúvidas de que existirá interesse de ambas as partes em continuar a relação, mas isso é algo para o futuro e não para hoje", completou.

A mesma calma é aplicada quando o assunto é entrar em um programa de desenvolvimento de uma equipe de Fórmula 1.

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"Vou ser sincero: não é uma coisa em que eu foco. Essas coisas têm o momento certo para acontecer. Não adianta nada estar afiliado a uma academia que tem muitos pilotos e você não tem um futuro claro. Pude acompanhar de perto o Gabi [Bortoleto] com a McLaren e foi um trabalho incrível, de zero pressão e de desenvolvimento real, que é o que eu procuro. Conversas com as equipes a gente sempre vai ter, mas não tenho nada concreto ou assinado. Foco no que consigo fazer e nos meus resultados. Fazendo isso bem, a gente atrai oportunidades", explicou.

A força e união brasileira no exterior

Estar longe do Brasil e encarar a rotina europeia exige sacrifícios, mas Clerot destaca o momento especial do automobilismo nacional e a forte relação entre os pilotos da nova geração.

"Os europeus têm muito carinho pelos brasileiros, mas nós também estamos na terra deles, né? A gente chega de fora, mora longe da família e paga um preço mais caro para estar aqui. Obviamente eles sabem que o Brasil tem uma história imensa no automobilismo. E agora com Gabriel na Fórmula 1, Rafa Câmara e Emmo [Fittipaldi] na Fórmula 2, eu e o Fefo [Fernando Barrichello] na Fórmula 3, o Gabriel Gomez na FREC, tem piloto brasileiro para dar e para vender agora! Acho que com certeza é um momento muito bom para o Brasil", comemorou.

Para o piloto de Brasília, a proximidade e a troca de experiências fortalecem a caminhada de todos na Europa.

"Todo mundo se conhece muito bem. Eu, o Bortoleto e o Rafa a gente se fala todo final de semana. Em Monza, por exemplo, saí para jantar com o Gabi; em Madri a gente se encontrou várias vezes, e almocei com o Rafa... A gente acaba tentando se ajudar de um modo geral, cada um contando um pouco das suas experiências. Estamos muito juntos, passei o dia inteiro ontem com o Gabriel no simulador. É muito legal ver a quantidade de brasileiros que tem, ainda mais sendo uma comunidade bem próxima", concluiu.

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Com campanha consistente e vitória na rodada final, Clerot encerra a temporada no top 6 e projeta salto na carreira.
Foto: Assessoria Pedro Clerot / Divulgação

Com maturidade de veterano aos 19 anos, Pedro Clerot reafirma que o trabalho diário é o único caminho certo para transformar expectativas em conquistas. Entre o planejamento para buscar o título da Fórmula 3 e a tranquilidade ao lidar com os bastidores do automobilismo europeu, o brasiliense entra na pausa de inverno com o objetivo claro e a confiança em alta para continuar colocando o Brasil no topo do pódio e dar o próximo grande passo em sua carreira rumo ao sonho da Fórmula 1.

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