Rafael Câmara foi confirmado como piloto da Haas nesta quinta-feira (15), tornando-se o 34° piloto do Brasil a ingressar na categoria máxima do automobilismo. A história do Brasil na F1 começou com Chico Landi que, em 1951, disputou o GP da Itália. O brasileiro participou de seis corridas até o GP da Argentina de 1956, seu último na categoria, prova na qual também se tornou o primeiro brasileiro a pontuar na F1.
Após Chico, vieram Gino Bianco, Hermano da Silva Ramos e Fritz d'Orey, todos na década de 1950. Nos anos 1960, a F1 não teve nenhum piloto brasileiro no grid, até a chegada de Emerson Fittipaldi pela Lotus, em 1970. O brasileiro venceu uma corrida já em sua temporada de estreia, tornando-se o primeiro do país a conquistar esse feito. Fittipaldi também conquistou dois mundiais: em 1972 (pela Lotus) e em 1974 (pela McLaren, garantindo o primeiro título da história da lendária equipe).
Ainda nos anos 1970, outros pilotos brasileiros estrearam na categoria, com destaque para Carlos Pace. Ele venceu o GP do Brasil de 1975, tornando-se o segundo brasileiro a vencer na F1. Infelizmente, sua carreira foi interrompida de forma trágica em 1977, após um acidente aéreo.
Em 1978, Nelson Piquet chegou à categoria e fez história ao se tornar tricampeão mundial, com dois títulos pela Brabham (1981 e 1983) e um pela Williams (1987). Em 1984, estreou Ayrton Senna, considerado por muitos o maior piloto da história do automobilismo.
Senna estreou pela Toleman, mas em 1985 transferiu-se para a Lotus, onde conquistou suas primeiras vitórias e brigou por posições de topo. Em 1988, mudou-se para a McLaren, equipe pela qual fez história ao conquistar três títulos mundiais, inúmeras vitórias e atingir o recorde de 65 pole positions — feito superado apenas em 2006 por Michael Schumacher. Infelizmente, o piloto faleceu em um trágico acidente no GP de San Marino de 1994.
Após Senna, nenhum outro brasileiro voltou a ser campeão mundial, mas destacam-se as trajetórias de Rubens Barrichello e Felipe Massa. Barrichello estreou em 1993 e, após a morte de Senna, assumiu a responsabilidade de ser o principal nome do país no grid. Conquistou uma pole position surpreendente pela Jordan no GP da Bélgica de 1994, além do seu primeiro pódio no GP do Pacífico do mesmo ano (segunda etapa da temporada).
Após quatro temporadas na equipe de Eddie Jordan, transferiu-se para a Stewart, onde o azar o privou da primeira vitória em algumas ocasiões. Em 2000, contratado pela Ferrari para correr ao lado de Michael Schumacher, conquistou uma vitória memorável no GP da Alemanha saindo da 18ª posição, apostando na estratégia de permanecer com pneus de pista seca quando a chuva apertou. No total, Barrichello conquistou 11 vitórias na F1 e foi vice-campeão mundial em 2002 e 2004. Em 2009, disputou o título pela Brawn GP contra Jenson Button e conquistou a última vitória do Brasil na categoria até hoje, no GP da Itália daquele ano.
Rubens se aposentou ao fim de 2011 como o piloto com maior número de corridas na história da F1 na época — marca posteriormente superada por Fernando Alonso. Já Felipe Massa estreou na F1 em 2002 pela Sauber, com suporte da Ferrari. Após um ano sabático em 2003 atuando como piloto de testes da Ferrari, retornou à Sauber para as temporadas de 2004 e 2005.
Em 2006, Massa assinou com a Ferrari para substituir Barrichello, conquistando sua primeira vitória na Turquia e, logo em seguida, uma vitória especial "em casa", no GP do Brasil. Após a primeira aposentadoria de Schumacher (que retornaria em 2010), Massa dividiu a equipe com Kimi Räikkönen. Em 2007, enfrentou alguns reveses e, no fim do campeonato, ajudou seu companheiro de equipe a ser campeão ao ceder a vitória no GP do Brasil, que viria a ser o último título mundial de pilotos da Ferrari.
Em 2008, Massa protagonizou uma disputa intensa com Lewis Hamilton que durou até a última curva da última corrida. O brasileiro cruzou a linha de chegada como campeão virtual no GP do Brasil, mas na curva da Junção, Hamilton ultrapassou Timo Glock, assumiu a 5ª posição e garantiu o título por um ponto. Em 2014, Massa transferiu-se para a Williams, equipe pela qual cravou a última pole position do Brasil, no GP da Áustria de 2014. Felipe encerrou sua carreira na F1 em 2017.
O Brasil viveu um hiato de três anos sem pilotos titulares na categoria, até a chegada de Pietro Fittipaldi, que substituiu Romain Grosjean nas duas últimas etapas da temporada de 2020. Depois disso, foram mais quatro anos até a chegada de Gabriel Bortoleto pela Sauber, em 2025. Agora, com a confirmação de Rafael Câmara, o país volta a contar com dois representantes no grid, repetindo um cenário que não acontecia desde a temporada de 2016, quando Felipe Massa e Felipe Nasr competiam juntos.
Natural de Recife e nascido em 5 de abril de 2005, Rafael Câmara faz história também ao se tornar o primeiro piloto da Região Nordeste a alcançar o grid da Fórmula 1. Em sua temporada de estreia, o brasileiro competirá utilizando o número 50. Ao largar na primeira corrida de 2027, vai se tornar o 34° brasileiro fechando a lista.
Todos os 34 Pilotos Brasileiros na F1
- 1. Chico Landi (Estreia: 1951) — 6 GPs | 1,5 Ponto
- 2. Gino Bianco (Estreia: 1952) — 4 GPs
- 3. Hermano da Silva Ramos (Estreia: 1955) — 7 GPs | 2 Pontos
- 4. Fritz d'Orey (Estreia: 1959) — 3 GPs
- 5. Emerson Fittipaldi (Estreia: 1970) — 144 GPs | 2 Títulos (1972, 1974) | 14 Vitórias | 35 Pódios | 281 Pontos
- 6. Wilson Fittipaldi Jr. (Estreia: 1972) — 35 GPs | 3 Pontos
- 7. Carlos Pace (Estreia: 1972) — 72 GPs | 1 Vitória | 6 Pódios | 58 Pontos
- 8. Luiz Pereira Bueno (Estreia: 1973) — 1 GP
- 9. Ingo Hoffmann (Estreia: 1976) — 3 GPs
- 10. Alex Dias Ribeiro (Estreia: 1976) — 10 GPs
- 11. Nelson Piquet (Estreia: 1978) — 204 GPs | 3 Títulos (1981, 1983, 1987) | 23 Vitórias | 60 Pódios | 485,5 Pontos
- 12. Chico Serra (Estreia: 1981) — 18 GPs | 1 Ponto
- 13. Raul Boesel (Estreia: 1982) — 23 GPs
- 14. Roberto Moreno (Estreia: 1982) — 42 GPs | 1 Pódio | 15 Pontos
- 15. Ayrton Senna (Estreia: 1984) — 161 GPs | 3 Títulos (1988, 1990, 1991) | 41 Vitórias | 80 Pódios | 614 Pontos
- 16. Maurício Gugelmin (Estreia: 1988) — 74 GPs | 1 Pódio | 10 Pontos
- 17. Christian Fittipaldi (Estreia: 1992) — 40 GPs | 12 Pontos
- 18. Rubens Barrichello (Estreia: 1993) — 322 GPs | 11 Vitórias | 68 Pódios | 658 Pontos
- 19. Pedro Paulo Diniz (Estreia: 1995) — 98 GPs | 10 Pontos
- 20. Ricardo Rosset (Estreia: 1996) — 26 GPs
- 21. Tarso Marques (Estreia: 1996) — 24 GPs
- 22. Ricardo Zonta (Estreia: 1999) — 36 GPs | 3 Pontos
- 23. Luciano Burti (Estreia: 2000) — 15 GPs
- 24. Enrique Bernoldi (Estreia: 2001) — 28 GPs
- 25. Felipe Massa (Estreia: 2002) — 269 GPs | 11 Vitórias | 41 Pódios | 1.167 Pontos
- 26. Cristiano da Matta (Estreia: 2003) — 28 GPs | 13 Pontos
- 27. Antônio Pizzonia (Estreia: 2003) — 20 GPs | 8 Pontos
- 28. Nelsinho Piquet (Estreia: 2008) — 28 GPs | 1 Pódio | 19 Pontos
- 29. Lucas di Grassi (Estreia: 2010) — 18 GPs
- 30. Bruno Senna (Estreia: 2010) — 46 GPs | 33 Pontos
- 31. Felipe Nasr (Estreia: 2015) — 39 GPs | 29 Pontos
- 32. Pietro Fittipaldi (Estreia: 2020) — 2 GPs
- 33. Gabriel Bortoleto (Estreia: 2025) — 40 GPs | 29 Pontos
- 34. Rafael Câmara (Confirmado para 2027)