A Porsche deve ampliar sua presença na Fórmula E a partir da temporada 2026/27, com a chegada de uma nova equipe cliente ao campeonato. Batizada inicialmente de Fusion Formula E Team, a operação ocupará a 12ª e última vaga disponível no grid, que voltará a contar com 24 carros pela primeira vez desde 2021. As informações foram reveladas nesta segunda-feira (19) pelo jornalista Sam Smith, do Formula E Notebook.
Com a entrada da Fusion, a fabricante alemã passará a fornecer seus conjuntos de propulsão para três equipes. Além dos dois carros oficiais, conduzidos por Pascal Wehrlein e Nico Müller, a Porsche continuará presente na CUPRA Kiro, representada por Pepe Martí e Jake Hughes, e acrescentará outros dois carros à nova estrutura.
A movimentação reforça a presença da montadora no campeonato justamente no início de uma nova fase técnica. A introdução dos carros de quarta geração representa uma oportunidade para as fabricantes ampliarem suas operações e a coleta de dados, embora o fornecimento de equipamentos a equipes clientes não garanta, necessariamente, uma vantagem competitiva nas pistas.
Registrada recentemente no Reino Unido, a Fusion Formula E Team tem como fundador e acionista majoritário o empresário Dan Richards, um dos principais investidores da LN4 Fusion, iniciativa ligada ao piloto de Fórmula 1 Lando Norris. Apesar da associação entre os projetos, a possibilidade de participação direta do britânico na equipe teria sido discutida e posteriormente descartada, segundo a publicação.
A operação contará com Phil Charles como chefe de equipe. O engenheiro, que acumula passagens pela Jaguar e pela DS Penske, deixou a última estrutura em agosto e passou a trabalhar com a Porsche na viabilização dos dois carros adicionais para o campeonato.
A formação da equipe ocorre em um prazo apertado. De acordo com o Formula E Notebook, o acordo definitivo teria sido assinado apenas na semana passada, enquanto a documentação necessária para a inscrição foi encaminhada à organização da categoria e à FIA (Federação Internacional de Automobilismo).
Com instalações em Oxfordshire, na Inglaterra, a Fusion iniciou o recrutamento de profissionais para diferentes áreas técnicas e pretende participar dos testes coletivos de pré-temporada, programados para novembro, no circuito de Jarama, na Espanha. A preparação contará com o suporte da Porsche para garantir que os carros estejam em condições de participar das atividades.
A proximidade dos testes representa um dos primeiros desafios da nova estrutura, que precisará organizar sua equipe técnica, definir procedimentos operacionais e iniciar o desenvolvimento dos carros em um intervalo reduzido.
Disputa pelas vagas segue aberta
Embora a participação da Fusion esteja encaminhada, a formação de sua dupla de pilotos permanece indefinida. Entre os nomes considerados está Ayhancan Güven, apontado como um dos favoritos para ocupar uma das vagas. O piloto, entretanto, ainda depende da obtenção dos pontos necessários para conquistar a licença exigida pela Fórmula E.
Em entrevista ao Formula E Notebook, durante a etapa do Mundial de Endurance em Barcelona, Güven confirmou que disputar o campeonato elétrico continua entre seus objetivos, mas evitou comentar diretamente as negociações.
David Beckmann, que disputou a temporada de 2025 pela CUPRA Kiro, também aparece como possibilidade. Outros nomes associados à equipe são Joel Eriksson, Cian Shields, Joshua Dürksen e Nikita Bedrin, este último com experiência anterior em testes e simuladores da DS Penske. Sébastien Buemi, que deixou a Envision e vinha mantendo conversas com a Fortescue Zero, ainda não teria sido procurado pela nova operação.
A expectativa é que a Fusion defina seus pilotos após os testes de Jarama. Até lá, a equipe terá de acelerar sua estruturação para transformar uma inscrição de última hora em uma operação competitiva.
Mais do que completar o grid, a chegada da Fusion evidencia a expansão da presença da Porsche na Fórmula E. Com seis carros equipados com sua tecnologia, a fabricante alemã terá uma participação significativa na nova geração do campeonato, enquanto a estreante enfrentará o desafio de construir uma equipe praticamente do zero às vésperas da temporada.