A temporada 2025/26 do Campeonato Mundial ABB FIA Formula E chega ao fim neste fim de semana, com o Hankook London E-Prix 2026 definindo os campeões de pilotos e equipes. As rodadas 16 e 17 serão realizadas nos dias 15 e 16 de agosto, no Excel London, em uma decisão que reúne uma das disputas mais equilibradas da história da categoria.
Nove pilotos ainda têm chances matemáticas de conquistar o título, mas a briga pelo topo está especialmente concentrada entre Jake Dennis, Mitch Evans e Pascal Wehrlein. Atual líder, Dennis soma 146 pontos e chega à etapa decisiva buscando seu segundo campeonato mundial. O piloto da Andretti tem apenas dois pontos de vantagem sobre Evans, da Jaguar TCS Racing, enquanto Wehrlein, da Porsche Formula E, aparece em terceiro, com 141.
A disputa pelo título de equipes também está aberta. A Jaguar TCS Racing lidera, mas tem a Porsche Formula E apenas 14 pontos atrás. A equipe alemã, atual campeã, tenta reverter a diferença nas duas últimas corridas da temporada.
Além da definição dos campeonatos, a etapa de Londres marca uma despedida importante para a Fórmula E. O circuito do Excel London recebe sua última corrida no calendário depois de se tornar uma das principais casas da categoria desde 2021. A partir da temporada 2026/27, o campeonato passará a correr em Brands Hatch, já dentro da nova era GEN4.
O fim de semana também encerra a trajetória competitiva do GEN3 Evo, carro utilizado pela Fórmula E desde a temporada 2024/25. O modelo combina trechos de pista internos e externos no circuito de 2,077 km do Excel London, considerado o primeiro traçado do automobilismo mundial a reunir essas duas características em uma mesma configuração.
A última corrida de Lucas di Grassi
Entre as despedidas do fim de semana, uma das mais simbólicas será a de Lucas di Grassi. O piloto brasileiro fará em Londres sua última corrida como profissional após 30 anos de uma carreira promissora.
Di Grassi faz parte da história da Fórmula E desde sua criação e venceu o primeiro E-Prix da categoria, realizado em Pequim, em 2014. Campeão mundial na temporada 2016/17, o piloto acumula 42 pódios e 14 vitórias na categoria, além de mais de 163 largadas.
Sua despedida acontece poucos meses depois de sua vitória em Xangai, quando um acerto voltado para pista seca ajudou o brasileiro a levar a Lola Yamaha ABT ao primeiro triunfo da equipe.
“Este fim de semana marca minha última corrida como piloto profissional depois de 30 anos de corridas. A Fórmula E tem um lugar muito especial na minha história no automobilismo, por ter feito parte do campeonato desde o começo”, afirmou di Grassi.
O brasileiro também destacou a transformação da categoria ao longo dos anos e agradeceu às equipes, profissionais, parceiros, adversários e fãs que fizeram parte de sua trajetória.
Uma final que vai além das corridas
O London E-Prix também terá uma programação voltada para iniciativas sociais e ambientais. Segundo a Fórmula E, o evento utilizará eletricidade certificada de fontes renováveis, energia solar produzida no próprio Excel London e sistemas de armazenamento em baterias para reduzir o uso contínuo de geradores.
A organização também prevê uma política de zero resíduos destinados a aterros, além do uso de embalagens compostáveis produzidas pela Notpla nos pontos de alimentação do evento.
No campo social, o Better Futures Fund, da Fórmula E, terá uma parceria com a giffgaff e a Big Issue para apoiar 20 jovens londrinos que enfrentam barreiras para entrar no mercado de trabalho. O projeto oferecerá orientação individual, auxílio para superar obstáculos, smartphones recondicionados e oportunidades de trabalho remunerado durante a semana da corrida.
A categoria também levará a Londres iniciativas como o Community Tour e o FIA Girls on Track. Esta última reunirá 150 meninas entre 12 e 18 anos para uma experiência nos bastidores da Fórmula E, com painéis sobre carreiras, visitas às garagens, simuladores e discussões sobre cyberbullying no esporte.
Uma temporada decidida na última etapa
A decisão em Londres é resultado de uma temporada marcada pelo equilíbrio. Jake Dennis venceu a abertura no Brasil, enquanto Nick Cassidy conquistou uma vitória de recuperação na Cidade do México, largando da 13ª posição.
Mitch Evans venceu em Miami e alcançou sua 15ª vitória na carreira, tornando-se o maior vencedor da história da Fórmula E. Pascal Wehrlein triunfou em Jeddah, enquanto António Félix da Costa venceu pela primeira vez com a Jaguar TCS Racing.
A temporada ainda teve vitórias consecutivas de Da Costa em Madrid, o primeiro triunfo de Nico Müller em Berlim e uma vitória de Nyck de Vries em Mônaco, encerrando um longo período sem vitórias da Mahindra Racing.
Na China, Dennis voltou ao topo em Sanya, enquanto Wehrlein venceu em Xangai e entrou novamente na disputa pelo campeonato. No mesmo fim de semana, Lucas di Grassi garantiu à Lola-Yamaha sua primeira vitória como construtora.
Com apenas cinco pontos separando Dennis, Evans e Wehrlein, a Fórmula E chega a Londres sem espaço para margem de erro. Em dois dias de corrida, o Excel London será palco não apenas da definição dos campeões da temporada, mas também do encerramento de um ciclo importante para a categoria.