Produção industrial no Brasil frustra expectativa e volta a cair em agosto

2 out 2026 - 09h24
(atualizado às 10h10)
Resumo
A produção industrial brasileira caiu 0,6% em agosto ante julho e 1,2% na comparação anual, frustrando expectativas do mercado e marcando o pior resultado para o mês em quatro anos, segundo o IBGE. A retração, disseminada por 16 dos 25 ramos e por todas as grandes categorias econômicas, reflete o impacto dos juros altos a 13,75% e de incertezas globais sobre o crédito e os investimentos, reforçando a desaceleração da economia e a perspectiva de novos ajustes na política monetária.

A produção industrial no Brasil voltou a registrar contração em agosto após mostrar algum fôlego no mês anterior, frustrando a expectativa de ganho com o resultado mais fraco para o mês em quatro anos e dando continuidade a uma perda de tração.

Em agosto, a indústria registrou queda ⁠de 0,6% na produção em comparação com o mês anterior, marcando ainda recuo ‌de 1,2% ante o mesmo mês de 2025, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

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O resultado mensal, o mais fraco ‌para meses de agosto desde 2022 (-1,4%), eliminou o ‌ganho de 0,1% registrado em julho, em dado revisado para baixo ⁠de 0,2% informado anteriormente. A queda de agosto foi a terceira no ano, depois de perdas em maio e junho.

Os resultados foram piores do que as expectativas em pesquisa da Reuters com analistas de altas de 0,1% no mês e de 0,4% na base anual.

A política monetária restritiva, com ‌a taxa básica de juros Selic atualmente em 13,75%, vem afetando o desempenho ‌da indústria brasileira, em ⁠meio a uma desaceleração ⁠da economia, ainda que o mercado de trabalho resiliente amenize o cenário.

"Claro que há ⁠uma perda de intensidade da indústria ‌brasileira, e como pano de fundo ‌você tem a restrição da política monetária", destacou o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo.

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"Os juros altos afetam o nível de endividamento de empresas, famílias, poder de compra, e isso faz com que ⁠as companhias adiem seus investimentos", completou Macedo, destacando ainda fatores externos como o impacto da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis, adubos e fertilizantes; as tarifas dos Estados Unidos e cotas para produtos como carnes.

Em agosto, 16 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram ‌queda na produção, sendo que as influências negativas mais importantes vieram de produtos do fumo (-23,4%), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%) e indústrias extrativas (-0,7%).

Entre as atividades ⁠que tiveram avanço na produção a principal influência positiva foi exercida por produtos alimentícios (1,0%).

Entre as grandes categorias econômicas, todas apresentaram perdas em agosto em relação a julho -- bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%), bens de consumo duráveis (-1,0%), bens de capital (-0,6%) e bens intermediários (-0,2%).

De acordo com Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, os dados corroboraram sua expectativa de continuidade do processo de arrefecimento da economia no terceiro trimestre do ano, com crescimento de 0,1% sobre os três meses anteriores.

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"Contudo, avaliamos que os números de hoje impõem um certo viés baixista para tal projeção e contribuem para que o Banco Central possa dar continuidade ao atual ciclo de calibração, promovendo um novo ajuste na reunião de novembro", afirmou.

(Edição de Isabel Versiani)

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